Duas antigas funcionárias do cantor Julio Iglesias acionaram formalmente a Justiça espanhola para exigir a abertura de uma investigação rigorosa contra o artista. As acusações são graves e incluem alegações de suposta agressão sexual, episódios de maus-tratos e imposição de trabalho forçado. Conforme o relato apresentado à justiça, os fatos teriam ocorrido ao longo do ano de 2021, período em que ambas prestavam serviços em propriedades particulares do músico localizadas nas Bahamas e na República Dominicana.
Por sua vez, a defesa de Julio Iglesias refutou veementemente as acusações. O artista classificou todas as alegações feitas pelas ex-funcionárias como “absolutamente falsas”, negando de forma categórica qualquer tipo de conduta abusiva, coerção ou falta de respeito com qualquer mulher ao longo de sua vida pessoal e de sua trajetória profissional.
O histórico do processo judicial
Esta nova investida jurídica ocorreu formalmente no dia 3 de setembro. O passo dado pelas trabalhadoras surge na sequência de um processo anterior que acabou sendo arquivado em janeiro deste ano. Naquela ocasião, os tribunais espanhóis entenderam que não possuíam competência legal para analisar crimes e fatos supostamente ocorridos em territórios estrangeiros, especificamente nas Bahamas e na República Dominicana.
O caso havia chegado à Audiência Nacional, um tribunal sediado em Madri que costuma lidar com investigações de alta complexidade e infrações cometidas por cidadãos espanhóis fora das fronteiras nacionais. Apesar do arquivamento inicial por questões territoriais, a promotoria apontou na época que a decisão não representava uma absolvição de mérito e tampouco impedia que novas medidas fossem tomadas perante outras instâncias ou jurisdições cabíveis.
A carta aberta e a mobilização da sociedade civil
Buscando dar visibilidade ao caso e pressionar o sistema judiciário, as duas mulheres divulgaram uma carta aberta por meio da Women’s Link Worldwide, uma organização não-governamental especializada em direitos humanos que assumiu a representação legal das denunciantes. No texto, endereçado diretamente “à Justiça espanhola”, elas pedem que as autoridades examinem com atenção os novos elementos trazidos na denúncia e cobram que o Estado cumpra seu papel de salvaguardar os direitos de quem relata crimes e busca reparações legais.
“Não estamos pedindo algo excepcional ou um favor. Estamos pedindo que sejam reconhecidos e garantidos os direitos que os Estados, incluindo o espanhol, se comprometeram a cumprir: investigar, proteger e garantir o direito à Justiça das pessoas”, destacam no documento. Na mesma carta, as denunciantes se definem publicamente como “duas mulheres latino-americanas fortes, com sonhos, com coragem e com a esperança de encontrar justiça com dignidade”.
Detalhes das acusações e estratégias jurídicas
De acordo com as informações divulgadas pela Women’s Link Worldwide, a nova peça acusatória detalha que Julio Iglesias teria submetido as funcionárias a repetidas “situações contínuas de assédio e agressões sexuais”. Além disso, a entidade relata que as trabalhadoras enfrentaram “condições de trabalho forçadas e degradantes” durante o período em que estiveram sob o vínculo empregatício nas residências do cantor no exterior.
Enquanto a primeira tentativa judicial esbarrou na barreira da jurisdição territorial — já que a Audiência Nacional concluiu em janeiro que os tribunais do país não poderiam julgar atos cometidos nas Bahamas e na República Dominicana —, a nova estratégia jurídica tenta contornar esse obstáculo técnico. A defesa técnica das ex-funcionárias agora se baseia em dispositivos da legislação espanhola que preveem a possibilidade de investigar e processar determinados delitos cometidos fora do país, desde que existam conexões significativas e relevantes com a Espanha.
A ONG responsável pelo caso confirmou que já formalizou o pedido para que o judiciário espanhol reavalie a competência e aceite analisar o mérito das acusações apresentadas contra o astro da música. Até o momento, aguarda-se um posicionamento oficial das autoridades judiciais da Espanha sobre a admissibilidade da nova denúncia e a eventual abertura de um inquérito criminal.
Fonte:: tvpop.com.br


