Lula busca diálogo com Trump após EUA classificarem CV e PCC como terroristas

Marcelo Borges
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(Foto: Eduardo Munoz/Reuters/ Reinaldo Stuckert...

(Foto: Eduardo Munoz/Reuters/ Reinaldo Stuckert/Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está tentando estabelecer um diálogo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após o governo norte-americano ter rotulado as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas, em uma declaração feita nesta quinta-feira (28). A iniciativa de Lula busca reverter essa classificação imposta pela administração norte-americana.

(Foto: Eduardo Munoz/Reuters/ Reinaldo Stuckert/Agência Brasil)

Logo após o anúncio da decisão, o presidente Lula requisitou uma análise detalhada dos impactos dessa medida. A solicitação ocorreu durante uma reunião de emergência com seus ministros e assessores, onde foram debatidos os efeitos da classificação das facções como terroristas.

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O objetivo é reunir informações do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que serão fundamentais para embasar a abordagem de Lula junto a Trump sobre a questão. Esse levantamento deve abranger os impactos legais, financeiros e operacionais da designação das organizações brasileiras como grupos terroristas.

Ainda que o governo brasileiro não tenha se posicionado oficialmente, há um esforço diplomático em andamento para discutir a medida. Lula acredita que um primeiro passo eficaz seria uma conversa direta com Donald Trump, de preferência por telefone.

Anteriormente, o governo brasileiro manifestou preocupações de que a nova classificação poderia complicar as investigações e os acordos de cooperação internacional no enfrentamento do crime organizado.

Celso Amorim critica possível intervenção dos EUA

Celso Amorim, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, expressou publicamente sua reação à decisão dos Estados Unidos. Em uma nota divulgada nesta quinta (28), ele destacou que essa classificação não deve ser utilizada como justificativa para qualquer tipo de intervenção das forças norte-americanas no Brasil.

“A segurança pública é uma questão central para o desenvolvimento socioeconômico. O combate ao crime organizado é essencial. A cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em áreas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. No entanto, um pretexto para intervenção é inaceitável”, declarou Amorim.

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EUA classificam PCC e CV como organizações terroristas

O governo dos Estados Unidos adotou a decisão de designar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. O anúncio foi realizado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, nesta quinta-feira (28).

Na véspera da declaração, Rubio havia se encontrado com o senador Flávio Bolsonaro (PL), que se deslocou até a Casa Branca para defender essa classificação.

“O Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho são duas das organizações criminosas mais agressivas do Brasil. Seu domínio se estende por toda a nossa região e pelo nosso país. Hoje, classifiquei essas organizações como Organizações Terroristas Estrangeiras e Terroristas Globais Especialmente Designados. A Administração Trump seguirá utilizando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e impedir que narcoterroristas tenham acesso a financiamentos e recursos”, justificou Rubio.

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Conforme o comunicado oficial do governo norte-americano, essa decisão terá efeito a partir do dia 5 de junho, seguindo a Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA e uma ordem executiva do presidente Donald Trump.

No seu segundo mandato, Trump tem se empenhado em intensificar sua atuação na política externa em relação à América Latina, defendendo que o país precisa combater o que ele denomina “narcoterrorismo”.

Foi sob a mesma alegação que os Estados Unidos interviram na Venezuela e depuseram o ex-presidente Nicolás Maduro.

*com informações da CNN Brasil

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