Rubens Ferreira e Silva, conhecido como Rubão, ex-presidente do Paraná Clube, esclareceu sua posição sobre a transformação do clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Rubão, que ocupou a presidência entre 2021 e 2024, foi um dos únicos dois votos contra a proposta de venda do clube para a NextPlay durante a recente reunião do Conselho Deliberativo.
Em entrevista ao UmDois Esportes, ele explicou que seu voto contrário se baseou na falta de garantias apresentadas pela NextPlay. “A reunião tinha como objetivo votar o Acordo de Acionistas e o Contrato de Compra e Venda. Na minha visão, não foram apresentadas Garantias Reais ou Fidejussórias”, comentou.
Rubão insistiu que não é contra a SAF, alegando que a confusão em torno de sua posição é mal interpretada. “A proposta vinculante da NextPlay foi aprovada no ano passado, conforme consta no Edital de Oferta Pública protocolado em dezembro de 2022 e que aguarda homologação da Juíza Universal. Este documento está acessível no processo da Recuperação Judicial e no site do Administrador Judicial”, afirmou.
O ex-presidente também mencionou que recebeu várias propostas de compra da SAF enquanto administrava o clube, sempre cobrando garantias. “Durante a minha gestão, criamos a SAF como condição essencial para solicitarmos a Recuperação Judicial. Nunca poderia ser contra a SAF. Fui abordado por diversos grupos e empresas que queriam ‘comprar o Paraná’ e sempre deixei claro que as ofertas deveriam ser acompanhadas de um plano bem estruturado e seguro”, destacou Rubão.
No ano de 2022, Rubão presidiu o Paraná Clube durante um período difícil, que culminou no rebaixamento do time para a segunda divisão do Campeonato Paranaense e também na frustração por não conseguir o acesso à elite em 2023. Ele possui 10% das ações do clube e já anunciou que esse percentual será transferido para a Associação após a venda da SAF. Ele enfatizou que “a SAF é a salvação do Paraná Clube, mas a NextPlay não apresentou as garantias necessárias para a transação”.
Além de Rubão, o outro voto contrário à venda da SAF para a NextPlay foi de Renato Collere, ex-presidente do Conselho e membro do Comitê da SAF. Collere explicou que sua posição é pessoal e não reflete o consenso do Comitê, que não orientou os conselheiros a votar a favor ou contra a proposta. “Durante a reunião do Conselho, deixei claro os três fatores e os riscos que me levaram a recusar. Na minha opinião, esses fatores implicam riscos elevados. Por motivos de confidencialidade, não posso divulgar esses riscos, já que sou Conselheiro e fiz parte do Comitê da SAF”, disse Collere.
Por fim, Collere expressou seu desejo de que a situação se resolva da melhor maneira para o clube. “Entendo a decisão e sei que ainda há muitos passos até o fechamento do negócio. Torço para que os riscos que estou temendo não se concretizem e que tudo caminhe para um futuro melhor para o Paraná Clube”, concluiu.
Avanços na venda da SAF
Na última reunião do Conselho Deliberativo, ocorrida na segunda-feira (22), a venda da SAF para a NextPlay foi aprovada praticamente por unanimidade. Antes da aprovação, havia um clima de incerteza devido ao parecer desfavorável do Comitê da SAF, mas os representantes da NextPlay conseguiram sanar as dúvidas dos conselheiros.

A aprovação dos documentos representa um marco importante para o futuro do Paraná Clube. Pedro Weber, CEO da NextPlay, comentou: “Conseguimos estruturar um modelo que busca preservar a identidade do clube e criar as condições necessárias para um projeto sustentável de longo prazo. A Recuperação Judicial exige um alto nível de transparência e segurança jurídica, e acreditamos que este formato oferece as garantias necessárias para todos os envolvidos”.
Para concluir a venda da SAF, o Paraná Clube ainda deve obter a Certidão Positiva com Efeitos de Negativa da Fazenda Nacional, que atesta a regularidade fiscal. Este documento só será disponibilizado após a conclusão de transações tributárias com a União e o pagamento da primeira parcela de R$ 3 milhões. Com a aprovação no Conselho, o pagamento deve ocorrer nos próximos dias.
No mês passado, a juíza Mariana Fowler Gusso, da 1ª Vara de Falências e Recuperação Judicial de Curitiba, estipulou um prazo de 90 dias para apresentação da certidão. Apenas após a apresentação desse documento, ela homologará o plano que foi aprovado pelos credores para a Recuperação Judicial.
Fonte: umdoisesportes.com.br


