A companhia brasileira Parks, reconhecida por sua atuação no setor de conectividade e telecomunicações, anunciou um aporte financeiro da ordem de R$ 500 milhões para a construção de um moderno Data Center com classificação Tier III. O complexo tecnológico está sendo erguido no Distrito Industrial da cidade de Cachoeirinha, situada no Rio Grande do Sul, representando um dos mais expressivos aportes da iniciativa privada no setor de infraestrutura digital da região sulista.
O projeto foi planejado sob uma ótica modular e escalável, dividindo-se em oito fases distintas de expansão. Essa metodologia permite que a infraestrutura acompanhe de forma dinâmica o ritmo de crescimento do mercado e as necessidades operacionais futuras. Atualmente, a etapa inaugural do empreendimento caminha para a fase final de conclusão, contemplando 14 racks e viabilizando o pontapé inicial nas atividades deste novo polo tecnológico de alta confiabilidade.
Demanda tecnológica e expansão estratégica
A concepção do projeto atende diretamente às necessidades atuais do mercado corporativo, que exige maior capacidade voltada ao processamento e armazenamento de massas de dados, soluções em nuvem, ferramentas de Inteligência Artificial (IA) e o suporte a operações digitais de missão crítica.
De acordo com o diretor-presidente da companhia, Fábio Cierro, a movimentação financeira coloca a empresa em uma posição de destaque dentro de um setor considerado vital para os rumos tecnológicos do país. O executivo ressalta que o mercado contemporâneo não busca apenas alta performance, mas também prioriza critérios rigorosos de segurança, disponibilidade contínua e a garantia de soberania sobre as informações armazenadas no território brasileiro.
Descentralização e resiliência da infraestrutura nacional
Dados apresentados pela gestão da empresa apontam que o ecossistema global de centros de dados ainda mantém uma concentração geográfica expressiva, com cerca de 45,2% das estruturas instaladas nos Estados Unidos. No panorama internacional, o Brasil detém aproximadamente 1,5% de participação, sendo que cerca de 75% dessa capacidade nacional encontram-se concentrados no estado de São Paulo.
No contexto sul-rio-grandense, o estado responde por apenas 2% da infraestrutura do país. Essa vulnerabilidade territorial ganhou ainda mais evidência após os eventos climáticos extremos e enchentes registrados em 2024, que comprometeram o funcionamento de diversas estruturas digitais na região. Para o executivo-chefe da Parks, episódios dessa natureza reforçam a urgência de se promover a descentralização, a resiliência e a ampliação da capacidade digital do Brasil, garantindo maior segurança para os dados corporativos e governamentais.
O avanço acelerado na geração de informações — impulsionado pela expansão da computação em nuvem, pelas demandas da Inteligência Artificial e pelas exigências legais da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) — exige que o país modernize e expanda sua rede de suporte tecnológico com foco na robustez e na capacidade de escalabilidade.
Padrões internacionais e alta disponibilidade
O planejamento técnico do novo centro tecnológico seguiu rigorosos parâmetros internacionais de engenharia voltados à resiliência operacional. O projeto prevê uma capacidade total de 5 megawatts (MW), sendo 3,3 MW dedicados exclusivamente à carga de tecnologia da informação. A estrutura física divide-se em duas edificações autônomas, contemplando quatro Data Halls em cada uma, o que totaliza oito ambientes isolados e altamente protegidos para a hospedagem de servidores.
Com espaço projetado para abrigar 386 racks de alta densidade, o complexo atenderá a demandas de colocation, computação em nuvem e processamentos avançados de IA, estimulando a criação de aproximadamente 40 postos de trabalho, entre diretos e indiretos, na região metropolitana.
A obtenção da certificação Tier III assegura a redundância completa dos subsistemas críticos e viabiliza a execução de manutenções preventivas oucorretivas sem qualquer interrupção no fluxo operacional, mantendo índices de disponibilidade operacional extremamente elevados, fator indispensável para organizações que operam com serviços digitais ininterruptos.
Fonte:: convergenciadigital.com.br


