11ª Marcha das mulheres negras em São Paulo relembra caso Luana Barbosa e cobra justiça

Marcelo Borges
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Foto: © Paulo Pinto/Agencia Brasil

Dez anos após a morte violenta de Luana Barbosa — mulher lésbica, negra e periférica —, o caso segue sem nenhum envolvido preso ou condenado. A impunidade foi o principal mote da 11ª Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, realizada na tarde de sábado (25) na Praça Roosevelt, localizada na região central da capital paulista.

O ato reuniu centenas de manifestantes, incluindo pessoas vindas de municípios vizinhos e de diversos bairros da capital, além de lideranças políticas, feministas, religiosas, artistas e representantes de organizações da comunidade negra.

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Durante a mobilização, Juliana Gonçalves, membro e cofundadora do evento, destacou a continuidade da violência contra essa parcela da população: “Dez anos se passaram e muitas Luanas Barbosas seguem morrendo, como a gente viu o caso da Ieda e da Fabiana, duas mulheres negras e lésbicas que foram mortas em São Paulo”.

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Luana Barbosa foi abordada e agredida por policiais militares em abril de 2016, na rua onde morava, em um episódio que chocou o país e mobilizou defensores dos direitos humanos.

Para a cofundadora da marcha, a população negra ainda enfrenta um cenário crônico de negligência estatal. “A gente toma as ruas por direitos, reparação e bem viver, reparação porque o Estado brasileiro nos deve, porque as mulheres negras levantam essa economia, fazem o trabalho de cuidado que não é reconhecido e mesmo assim são as que menos ganham”, pontuou.


São Paulo (SP)-25/07/2026 . 10a Marcha das Mulheres Negras de SP.   “Há 10 anos por Luana Barbosa e por todas nós! Por direitos, reparação e Bem Viver! Mulheres negras nas ruas e nas urnas!”, esse é o lema deste ano.
 Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

A programação de abertura do evento contou com uma apresentação artística do coletivo Bando das Macuas, que levou à praça uma performance centrada na ancestralidade.

“Nosso trabalho é em cima do corpo e nossa fonte de inspiração é o povo Macuas, presente no norte de Moçambique. Essa apresentação de hoje foi inspirada no espetáculo que esteve em cartaz em 2024 e 2025 chamado ‘Anunciação’, onde representamos figuras ancestrais reverenciando as mulheres que estão aqui unidas em marcha”, explicou Francine Moura, integrante do coletivo.

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No palco principal, montado no centro da praça, duas DJs se revezaram nas pick-ups com um repertório voltado ao rap e ao hip hop, gêneros cujas letras trouxeram fortes mensagens de protesto e conscientização social.

O ato também contou com a presença expressiva de mulheres negras ligadas a religiões de matriz africana, que trouxeram denúncias sobre a intolerância e a falta de amparo institucional.

“Esse é um país que a gente ajudou a construir. Precisamos mostrar que esse povo está aí largado, sofrendo violência, apanhando, que não tem um lugar de fala dentro do governo. Não se tem algo firme que possa garantir segurança para nós e nossos filhos. Tem muita gente apanhando por causa da cor da pele, porque é de candomblé, porque é de umbanda. Então, você vê que esse país não é assim tão laico como se fala que é”, enfatizou a Ìyalóde Marisa de Oya.

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A mobilização em São Paulo integrou uma agenda nacional que incluiu lideranças de diferentes segmentos, como a Rede de Mulheres Negras Evangélicas, coletivo ativo desde 2018.

Além da capital paulista, a Marcha das Mulheres Negras ecoou em outras capitais do país. Uma caminhada foi realizada em Salvador (BA) no mesmo sábado, enquanto outra atividade ocorreu na sexta-feira (24), na cidade de Recife (PE).

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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