Número de mortes confirmadas em terremotos na Venezuela chega a 235

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Foto: Divulgação / Estadao.com.br

Os recentes terremotos que atingiram a Venezuela deixaram um trágico saldo de pelo menos 235 mortos, conforme informou o ministro da Saúde do país, Carlos Alvarado. Durante uma coletiva à TV estatal, Alvarado destacou: “Infelizmente, recebemos 235 pacientes que chegaram sem sinais vitais ou que faleceram em nossos estabelecimentos de saúde”.

Em resposta à situação emergencial, o Exército dos Estados Unidos anunciou o envio de duas embarcações militares, além de aviões de transporte e helicópteros, para auxiliar o governo da Venezuela na recuperação pós-terremoto. O Brasil também se comprometeu com o envio de equipes de resgate e equipamentos para a montagem de um hospital de campanha na região afetada.

As forças americanas irão prestar serviços especializados e apoio aos esforços de recuperação na Venezuela, conforme comunicado do Comando Sul. A assistência será direcionada a necessidades emergenciais, buscando oferecer alívio à população impactada.

Na cidade de La Guaira, que foi uma das áreas mais afetadas, venezuelanos estavam ocupados escavando escombros de edifícios arruinados, em uma desesperada tentativa de encontrar familiares desaparecidos. Os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 ocorreram com menos de um minuto de intervalo na quarta-feira, 24, provocando pânico generalizado.

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Yilsmaris Blanco, uma residente da cidade costeira ao lado de Caracas, descreveu a situação como “terrível” enquanto observava os estragos em um prédio que apresentava graves danos estruturais. “Tudo desabou”, lamentou, ressaltando a gravidade da calamidade que enfrentam.

Os trabalhos de resgate têm avançado lentamente, com corpos ainda visíveis entre os escombros. Moradores de um bairro em La Guaira relataram ter ouvido vozes de três pessoas soterradas, que suas famílias tentaram resgatar com ferramentas improvisadas, porém sem sucesso. Em outra área, uma menina que estava presa sob os destroços morreu após horas de dificuldades enfrentadas por sua família para localizá-la.

Busca por desaparecidos

Diante da tragédia, as redes sociais tornaram-se um canal ativo para pedidos de informação sobre desaparecidos, especialmente em La Guaira. Muitas pessoas estavam consultando listas de feridos divulgadas por hospitais públicos na esperança de encontrar notícias sobre seus entes queridos.

Jean Alexander Capote, de 48 anos, relatou em La Guaira que sua casa desabou, resultando na perda de familiares, incluindo sua sogra, enquanto sua filha ainda estava desaparecida. Ele expressou sua dor e desespero diante da devastação que viu ao redor.

O primeiro terremoto foi registrado às 18h04, horário local, seguindo-se do segundo tremor, ainda mais poderoso, que teve magnitude 7,5, sendo o mais forte registrado na Venezuela desde 1900. Os tremores foram sentidos em diversos estados do país e até mesmo em regiões da Colômbia e do Brasil.

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A Venezuela tem histórico de atividade sísmica, mas não experimentou um grande terremoto desde 1997, quando um tremor em Cariaco resultou na morte de 73 pessoas. O último grande terremoto em Caracas, que ocorreu em 1967, deixou 236 mortos.

Mobilização e apoio internacional

Em decorrência da tragédia, o governo interino da Venezuela declarou estado de emergência nacional e designou La Guaira como uma “zona de desastre”. A presidente interina, Delcy Rodríguez, anunciou que estava em contato com o coordenador da ONU no país e que equipes especializadas em resgate estavam a caminho para auxiliar nas operações de busca e socorro.

Os Estados Unidos também se disponibilizaram a oferecer 150 milhões de dólares em ajuda humanitária, com a maior parte desse montante destinada a um fundo da ONU voltado para a Venezuela e o restante para organizações não governamentais que atuam no local. Países da América Latina, como Chile e México, também se uniram na oferta de auxílio, destacando suas experiências anteriores em resposta a desastres naturais.

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Nações como Espanha, Alemanha, Itália, Suíça, além de China e Índia, assim como a União Europeia, também se prontificaram a oferecer assistência à Venezuela neste momento de crise.

Pânico e destruição em Caracas

As cenas de destruição não se restringiram a La Guaira, mas se espalharam também pela capital, Caracas. No bairro de Altamira, que é conhecido por sua atividade sísmica, um edifício de 22 andares desabou sob a força dos tremores.

Imediatamente após os tremores, cidadãos foram vistos correndo e gritando os nomes de seus familiares, na esperança de recebê-los de volta. Os relatos de casas destruídas e edificações comprometidas eram constantes por toda a cidade. Rita Gómez, de 60 anos, fez uma longa viagem de Maracaibo até Caracas após visualizar nas redes sociais imagens do prédio em que sua filha residia, agora em ruínas. “Estou confiando em Deus para que consigam encontrá-la com vida”, desabafou.

Milhares de pessoas permaneceram nas ruas, temerosas de novos tremores, enquanto buscavam abrigo em parques e áreas públicas, utilizando barracas improvisadas. Várias fotografias de crianças desaparecidas começaram a circular, como um apelo ao socorro, destacando a vulnerabilidade das vítimas neste momento de calamidade. A última localização conhecida de muitas dessas crianças estava em La Guaira, um lembrete da tragédia que abalou toda uma nação. / AFP

Fonte: estadao.com.br

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