O peso do passado e os desafios do retorno de Santos ao Athletico

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Ídolo Santos vive crise na meta da Baixada. Fot...

No universo implacável do futebol, a história construída com glórias e conquistas muitas vezes não blindam um ídolo contra as cobranças do presente. Como bem definiu o ex-jogador e escritor argentino Jorge Valdano, o contrato de um atleta possui duas assinaturas distintas: a primeira formalizada em papel com o respaldo financeiro, e a segunda firmada diretamente com a torcida, fundamentada na lealdade e no sentimento de pertencimento emocional.

Dentro da trajetória centenária do Athletico, nomes lendários marcaram época embaixo das traves. Entre recordações e distâncias temporais, figuram o saudoso Flávio Pantera e, com absoluto destaque, o goleiro Santos. As defesas decisivas de Flávio contra São Paulo, Fluminense e São Caetano no Estádio Joaquim Américo foram cruciais para a conquista do Campeonato Brasileiro de 2001, o maior título da história rubro-negra. Da mesma forma, Santos acumulou atuações milagrosas que garantiram ao Furacão os troféus da Copa Sul-Americana de 2018 e da Copa do Brasil de 2019.

No entanto, a relação entre ídolos veteranos e o clube paranaense costuma enfrentar turbulências quando há um retorno para o encerramento da carreira. Após deixar Curitiba rumo ao Flamengo em 2022 em uma negociação benéfica financeiramente para ambas as partes, o goleiro passou por períodos de baixa no clube carioca e também no Fortaleza, antes de buscar refúgio novamente no Athletico para encerrar sua trajetória nos gramados.

A diretoria atleticana optou por repatriar o atleta não apenas pelo apelo afetivo do passado, mas também pela desconfiança gerada em torno do jovem goleiro Mycael após falhas consideradas determinantes na campanha que culminou no rebaixamento do clube em 2024, como o erro na saída de bola na derrota para o Red Bull Bragantino. Contudo, a estratégia de resgatar antigos ídolos na reta final de suas carreiras — movimento que no passado também envolveu nomes como Kléberson, Alex Mineiro, Jadson e Fernandinho — tem histórico de enfrentar forte resistência da torcida quando os resultados deixam de vir.

- Publicidade-

Atualmente, o clima de idolatria deu espaço a questionamentos intensos por parte dos torcedores após erros recentes. Falhas em partidas decisivas, como a goleada sofrida para o Vitória por 4 a 1 que eliminou a equipe da Copa do Brasil, e os vacilos recentes no empate por 3 a 3 contra o Fluminense na Arena da Baixada, colocaram o experiente goleiro no centro das críticas. No confronto diante do time carioca, vacilos defensivos custaram caro a um time que dominava a partida diante de mais de 30 mil torcedores presentes no estádio, ferindo o orgulho da torcida rubro-negra.

Diante desse cenário delicado, o clube e a comissão técnica avaliam os próximos passos para definir o futuro da meta rubro-negra e o desfecho da passagem do ídolo que, em busca de um final apoteótico, acabou esbarrando nas exigências severas do futebol atual.

Fonte:: umdoisesportes.com.br

Compartilhe esta notícia