Nenhum comandante permaneceu à frente do Athletico durante a Era Petraglia — em uma única passagem — por tanto tempo quanto Odair Hellmann. O treinador catarinense de 49 anos atingiu uma marca histórica no comando do Furacão, superando o último técnico a conquistar o status de ídolo junto à torcida rubro-negra: Tiago Nunes.
Apesar de ainda não ter levantado troféus expressivos pelo clube paranaense, Hellmann conquistou os torcedores com uma postura autêntica. Seu perfil enérgico, transparente e vibrante, aliado a um forte embasamento tático e à tradicional malícia do mundo da bola, caiu nas graças da arquibancada.
Anunciado oficialmente em 21 de maio de 2025, em um momento em que a equipe atravessava desconfiança e figurava na 13ª colocação da Série B, o técnico — carinhosamente apelidado de Papito — desfruta hoje de uma relação de total harmonia com os atleticanos. A estabilidade na casamata do clube tornou-se uma realidade palpável após anos de oscilações.
Contando com uma base de elenco bastante semelhante àquela que encerrou a Segunda Divisão — tendo Dantas, Gilberto Moraes, Kerwin Vargas e Luiz Gustavo como as principais novidades —, o trabalho conduzido nos bastidores do Centro de Treinamento do Caju elevou o Athletico ao terceiro lugar do Campeonato Brasileiro, próximo de assegurar uma vaga na próxima edição da Copa Libertadores, com a reta final do torneio se aproximando.
Sucesso em números
O desempenho sólido do comandante pode ser traduzido em estatísticas expressivas: em 71 partidas disputadas, foram 33 vitórias, 16 empates e 22 derrotas. Ao longo de quase 500 dias de trabalho, o time balançou as redes adversárias 96 vezes e sofreu 73 gols. Com isso, tanto a torcida quanto a diretoria recuperaram o entusiasmo.
Para a cúpula rubro-negra, a importância de Odair vai muito além das quatro linhas. Desde sua chegada, ele conquistou a confiança inabalável do presidente Mario Celso Petraglia — conhecido historicamente pela pouca paciência com treinadores —, assumindo prerrogativas típicas de um verdadeiro manager, nos moldes do lendário escocês Alex Ferguson durante sua trajetória no Manchester United.
Hellmann desempenha um papel fundamental na captação, indicação e validação de reforços para o plantel. Um dos maiores acertos recentes do clube passa diretamente por suas escolhas: o atacante Kevin Viveros, que se consolidou como o principal artilheiro do Campeonato Brasileiro. Além disso, o treinador atuou repetidas vezes como escudo para a diretoria em momentos de pressão e instabilidade institucional.
Diante dos resultados expressivos dentro de campo, a renovação de seu vínculo contratual até o término de 2027 consolidou-se como um movimento natural e estratégico pela diretoria.
Odair Hellmann é exceção no Athletico
As perspectivas apontam para a possibilidade de Odair igualar, ainda em dezembro, a marca de Geraldo Damasceno, que em 1982 foi o último técnico a iniciar e concluir uma temporada completa no comando técnico da instituição — um feito que nem mesmo Tiago Nunes conseguiu registrar em sua passagem, visto que se transferiu para o Corinthians dias antes do desfecho da Série A.
Nas últimas três décadas, período marcado predominantemente pela gestão de Mario Celso Petraglia na presidência, o clube paranaense contratou e desligou 105 treinadores, resultando em uma média de 3,4 trocas por temporada. Os dados evidenciam que a cultura de resultados imediatistas dificilmente permite a consolidação de projetos a longo prazo, tornando a trajetória de Odair Hellmann um ponto fora da curva na história recente do Athletico.
Fonte:: umdoisesportes.com.br


