Opas amplia acesso a medicamento injetável para prevenção do HIV na América Latina

Marcelo Borges
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Foto: © Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) anunciou a ampliação do acesso ao medicamento lenacapavir para a prevenção do HIV na América Latina e no Caribe. O antirretroviral inovador será disponibilizado para um total de 14 países da região, contemplando também o Brasil em sua estratégia de saúde pública.

Levantamentos recentes da entidade apontam que cerca de 140 mil novas infecções pelo vírus da imunodeficiência humana continuam sendo registradas todos os anos na América Latina e no Caribe. Esse cenário epidemiológico, conforme avaliado pela Opas, evidencia a urgência de expandir o leque de opções preventivas disponíveis para a população, tornando-as mais acessíveis e eficientes.

O lenacapavir destaca-se no cenário médico por se tratar de uma modalidade de profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável de ação prolongada, cuja administração ocorre apenas duas vezes ao ano. O imunizante e preventivo ganhou forte respaldo científico e institucional em 2025, ano em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o fármaco como uma alternativa crucial no combate global ao HIV, respaldada por ensaios clínicos que demonstraram índices de eficácia próximos a 100% na prevenção de novas contaminações.

Para especialistas da área sanitária, a periodicidade semestral da aplicação representa um avanço logístico e comportamental significativo. O formato resolve barreiras de adesão enfrentadas por pacientes que encontram dificuldades em manter rotinas diárias ou frequentes de prevenção, como é o caso de outras modalidades terapêuticas e preventivas já consolidadas.

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Estratégia de distribuição e parceria farmacêutica

Por meio dos mecanismos de cooperação regional, países como Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela terão a oportunidade de adquirir o lenacapavir utilizando os fundos rotatórios geridos pela Opas, o que facilita o poder de compra coletivo e a logística de entrega.

Em comunicado oficial, a organização destacou que a nova via de aquisição complementa acordos de licenciamento voluntário já existentes, os quais abrangem 24 nações na América Latina e no Caribe, inserindo-se em uma estrutura global mais ampla que alcança 120 países em todo o planeta.

Como desdobramento dessa articulação internacional, a Gilead Sciences, empresa farmacêutica detentora da patente e responsável pela fabricação do lenacapavir, firmou o compromisso de avançar em negociações e etapas voltadas à transferência de tecnologia para o Brasil. A meta central dessa tratativa é viabilizar, futuramente, a fabricação nacional do medicamento.

Apesar das perspectivas animadoras para o futuro da saúde pública, a Opas pondera que o processo de transferência tecnológica ainda se encontra em fases de desenvolvimento, carecendo de prazos definitivos e mecanismos operacionais totalmente formalizados. No entanto, a perspectiva de produção regional em larga escala aponta para cenários de maior autonomia e sustentabilidade econômica na obtenção do insumo a médio e longo prazo.

Implementação progressiva nos sistemas de saúde

A introdução do lenacapavir nos sistemas públicos dos países beneficiados ocorrerá de maneira gradual. A efetivação do processo depende de trâmites regulatórios locais, adaptações em protocolos clínicos específicos, treinamento adequado de equipes multiprofissionais de saúde e um planejamento programático minucioso por parte das autoridades governamentais.

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Para mitigar eventuais gargalos na implementação, a Opas reiterou que está prestando cooperação técnica direta aos governos. O suporte abrange desde a avaliação quantitativa das demandas populacionais até a formulação de diretrizes clínicas, monitoramento contínuo e a preparação estrutural dos serviços de atendimento básico e especializado.

O novo medicamento injetável passa a compor um ecossistema diversificado de estratégias de prevenção já integradas às políticas públicas, que englobam a PrEP oral diária e sob demanda, o cabotegravir injetável de longa duração, o uso de preservativos, além de diagnósticos laboratoriais precoces e acesso imediato ao tratamento antirretroviral para quem já convive com o vírus.

A diversificação das ferramentas preventivas, segundo a organização internacional, é um pilar fundamental para atender às diferentes realidades socioeconômicas e preferências individuais, pavimentando o caminho para abordagens mais humanizadas e centradas nas necessidades reais dos pacientes.

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Ao finalizar suas diretrizes recentes, a Opas reforçou que ampliar o acesso a insumos eficazes de prevenção, diagnóstico e tratamento — assegurando que cheguem de forma equitativa a todas as populações vulneráveis — é uma premissa indispensável para conter a curva de novas transmissões e cumprir a meta internacional de erradicar o HIV como problema de saúde pública global até o horizonte de 2030.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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