Papa condena morte assistida em santuário francês de Lourdes

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Redação

Durante sua visita ao renomado santuário de Lourdes, na França, o Papa Leão XIV manifestou forte oposição à legalização da morte assistida por profissionais da saúde. O pontífice classificou a prática como uma forma de “falsa compaixão” e imoralidade, reforçando os preceitos tradicionais da Igreja Católica sobre a inviolabilidade da vida humana.

O tema do fim da vida tem dominado o cenário político em diversos países e gerado intensos debates na França. Recentemente, o país avançou na discussão com a aprovação de medidas que permitem o uso de medicação letal por adultos que enfrentam enfermidades sem possibilidade de cura. A viagem do líder religioso à nação europeia, conhecida por sua forte tradição laica, tem mobilizado grandes multidões, incluindo cerca de 800 mil fiéis presentes na missa realizada na Place de la Concorde, em Paris, onde também expressou posicionamentos firmes contrários ao aborto e à eutanásia.

No domingo, em um gramado adjacente à basílica principal de Lourdes, o papa americano celebrou uma cerimônia religiosa para aproximadamente 150 mil pessoas, muitas delas em cadeiras de rodas. Posteriormente, o pontífice esteve em um centro de apoio a enfermos localizado nas dependências do santuário. Na ocasião, buscou confortar aqueles que enfrentam sofrimentos severos, enfatizando que todos possuem uma dignidade intrínseca que não pode ser invalidada por leis ou sistemas automatizados.

“Pelo contrário, é precisamente em nome dessa dignidade inalienável da pessoa humana que devemos rejeitar a tentação de provocar a morte sob o pretexto de uma falsa compaixão”, declarou o pontífice, recebendo aplausos do público. “O que é legal não é necessariamente moral”, acrescentou.

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O santuário de Lourdes consolidou-se como um dos principais polos de peregrinação global após o reconhecimento oficial, por parte da Igreja Católica, das aparições da Virgem Maria relatadas por uma jovem em 1858. Localizado próximo à fronteira com a Espanha, o local recebe anualmente milhões de peregrinos, com destaque para enfermos e pessoas com deficiência que buscam renovação e cura nas águas da Gruta de Lourdes.

O Papa Leão XIV chegou a Lourdes vindo da capital francesa na noite de sábado, realizando uma visita imediata à Gruta das Aparições para momentos de oração e ingestão da água da fonte. “Ele trouxe uma mensagem de esperança para a França — uma mensagem de esperança e grandeza para a França, e de renovação para a França”, relatou Pierre Caziljc, peregrino originário de Paris.

Mensagem em defesa da vida na França

A passagem do pontífice pela França foi marcada por apelos constantes em prol da proteção integral da existência humana, desde a concepção até a morte natural, em alinhamento com a doutrina católica. Na região de Lourdes, onde dezenas de curas foram oficialmente reconhecidas como milagrosas pela instituição religiosa, a atenção aos mais vulneráveis ganha ainda mais destaque.

“Suas muletas, suas cadeiras de rodas e suas lágrimas ocultas não são obstáculos; pelo contrário, são o próprio lugar onde vocês são plenamente respeitados e acolhidos”, pontuou o líder religioso em sua homilia. “Lourdes é abençoada como um lugar para professar a beleza e a santidade da vida, pois aqui a vida é acolhida como um dom precioso de Deus.”

Encontro com sobreviventes de abusos

Além das pautas tradicionais, a agenda em Lourdes incluiu um momento voltado para o acolhimento de sobreviventes de abusos sexuais cometidos por representantes do clero. O Papa tinha a expectativa de se reunir com sete pessoas afetadas, incluindo um caso de abuso ocorrido na idade adulta, evidenciando os desdobramentos da crise institucional enfrentada pela Igreja.

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A instituição na França tem lidado com as consequências de investigações profundas sobre o tema. Um levantamento independente divulgado em 2021 apontou estimativas expressivas de menores de idade que teriam sofrido abusos ao longo de décadas, envolvendo centenas de membros e funcionários eclesiásticos. Como resposta, a hierarquia episcopal estabeleceu mecanismos autônomos de compensação financeira às vítimas.

Durante reuniões com bispos franceses, o Papa reconheceu os esforços locais, mas ponderou que a crise de abusos impactou diretamente a queda nas vocações sacerdotais, na medida em que a figura do padre passou a ser vista com reticência pela sociedade. Um grupo de vítimas, contudo, manifestou-se por meio de carta aberta cobrando maior responsabilização institucional e criticando o formato restrito do encontro com o pontífice.

O desafio dos mosaicos e a arte sacra

Em Lourdes, o líder católico também deparou-se com uma questão sensível relacionada a obras de arte sacra. A fachada de uma das basílicas locais foi ornamentada por mosaicos criados pelo padre Marko Rupnik, artista que atualmente responde a processos no Vaticano decorrentes de acusações de condutas impróprias e abusos relatados por dezenas de mulheres ao longo de décadas.

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Diante da polêmica e visando preservar o bem-estar dos visitantes e sobreviventes que buscam consolo no santuário, o bispo local, Jean-Marc Micas, determinou que a fachada da Basílica Notre Dame du Rosaire fosse temporariamente coberta. Durante seu trajeto de papamóvel, o Papa passou pela estrutura cujos painéis artísticos encontram-se ocultos por cortinas protetoras, reacendendo debates sobre a gestão de casos de má conduta e o acolhimento às vítimas dentro da estrutura eclesiástica.

Fonte:: estadao.com.br

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