Paraná demonstra forte resiliência econômica diante de juros altos e incertezas globais

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Fazenda.pr.gov.br

A Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) divulgou recentemente três novas edições do boletim Economia em Dia, trazendo uma radiografia abrangente e detalhada sobre o comportamento macroeconômico nos âmbitos global, nacional e estadual. Os dados compilados apontam que, malgrado o ambiente internacional adverso e a política de juros restritivos adotada no país, o Paraná exibe uma notável capacidade de resistência econômica, impulsionada principalmente pela solidez e pela diversificação de sua cadeia produtiva.

O material, elaborado pela Área Técnica de Economia (ATE) da Secretaria, examina o posicionamento do território paranaense frente às turbulências externas. O principal alerta recai sobre as tensões geopolíticas, com forte foco no Oriente Médio, eixo que impacta rotas logísticas fundamentais para o comércio internacional, a exemplo do Estreito de Ormuz.

Para o setor agropecuário do estado, essa conjuntura representa um canal direto de vulnerabilidade. Conflitos na região ameaçam encarecer o frete marítimo e colocar em risco a cadeia de suprimentos de fertilizantes essenciais para a lavoura. Estatísticas indicam que cerca de um terço da produção mundial de ureia e amônia transita por aquele trecho. Somente no ano de 2025, por exemplo, 35% de todo o volume de ureia importado pelo Brasil teve origem direta no Golfo Pérsico.

No âmbito doméstico, o Brasil enfrenta barreiras estruturais que freiam um ritmo mais acelerado de desenvolvimento, projetando um crescimento modesto de 1,85% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. Conforme aponta o levantamento, o cenário nacional foi marcado por uma inflação persistente que alcançou 4,91% em 2025, superando o teto da meta oficial pelo segundo ano consecutivo. Esse descompasso obrigou o Banco Central a elevar e sustentar a taxa Selic em patamares elevados, fixada em 14,25% ao ano em maio de 2026.

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Como consequência direta dessa política monetária contracionista, as famílias brasileiras passaram a comprometer cerca de 48,56% de sua renda mensal com o sistema financeiro. O encarecimento do crédito reduziu o ímpeto do consumo interno, restringindo o avanço da atividade econômica em diversas regiões do país.

Reflexos locais e a força do campo

O Paraná não passou imune aos reflexos dessa dinâmica nacional. Os juros em patamares elevados atingiram em cheio os segmentos mais dependentes de financiamento. Como resultado, a produção industrial paranaense registrou um recuo de 1,4% no acumulado de 12 meses encerrados em março de 2026. O comércio varejista voltado à comercialização de veículos apresentou uma retração ainda mais acentuada, da ordem de 8,4% no mesmo intervalo.

Apesar desses ventos contrários na indústria e no varejo, a economia estadual manteve trajetória positiva. O Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR-PR) apontou uma alta de 1,8% no período analisado, evidenciando a flexibilidade do mercado local. O suporte fundamental para esse desempenho veio do agronegócio, que encontrou forte eco no setor de serviços.

O boletim regional aponta perspectivas animadoras para o ciclo agrícola de 2026, com previsões de aumento na colheita de cereais, leguminosas e oleaginosas, puxadas essencialmente pelas lavouras de soja e milho. Essa pujanciada lavoura reverbera positivamente sobre outros segmentos econômicos, mantendo o setor de serviços aquecido com expansão acumulada de 2,4%. O subsetor de transportes destacou-se com alta de 2,2%, impulsionado diretamente pela demanda logística gerada pelo escoamento das safras, enquanto o comércio atacadista avançou 4,2%.

“Embora o patamar elevado da taxa de juros exerça pressão sobre o ritmo da indústria e do comércio, a solidez da atividade agropecuária e a consequente sustentação do setor de serviços indica a continuidade da expansão moderada da economia do Estado”, analisa o economista Eduardo Paim, integrante da equipe responsável pela elaboração das publicações da Sefa.

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Em suma, as análises consolidam o entendimento de que, mesmo diante das amarras macroeconômicas brasileiras e da volatilidade do cenário externo, a robustez da produção agropecuária e a diversificação estrutural do Paraná funcionam como pilares de sustentação. Esses fatores asseguram a manutenção do crescimento econômico moderado e projetam um horizonte de maior estabilidade para os próximos anos.

Fonte:: fazenda.pr.gov.br

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