Paraná supera marca de 1,4 milhão de exames preventivos de câncer de mama

Marcelo Borges
8 min. de leitura
Foto: Divulgação / Saude.pr.gov.br

Em alusão ao Dia Internacional de Combate ao Câncer de Mama, celebrado em 19 de outubro, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) reforça a relevância do rastreamento precoce, da adoção de hábitos de vida saudáveis e da facilitação ao acesso terapêutico, pilares fundamentais para elevar as taxas de recuperação das pacientes.

O monitoramento contínuo nas unidades de saúde e a execução regular de exames preventivos são cruciais para a identificação da patologia em seus estágios iniciais. Conforme os registros da Sesa, desde o ano de 2022, mais de 1,4 milhão de mamografias foram contabilizadas em todo o território paranaense, consolidando o procedimento como uma das principais ferramentas para a detecção antecipada.

No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a diretriz de rastreamento direciona-se rotineiramente a mulheres com idades entre 50 e 74 anos, em intervalos bienais. Contudo, o público feminino na faixa etária de 40 a 49 anos, bem como aquelas com mais de 74 anos, também possuem o direito de requisitar a mamografia de rastreamento — mesmo na ausência de sintomas perceptíveis —, desde que amparadas por orientações médicas acerca dos benefícios e eventuais riscos. O fluxo assistencial tem início nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), onde a paciente passa por consulta e avaliação clínica antes de eventual encaminhamento para os exames de imagem.

A recomendação oficial da pasta é para que as mulheres mantenham uma rotina constante de vigilância em saúde, buscando atendimento médico imediato sempre que notarem qualquer modificação na região mamária, independentemente da faixa etária. O diagnóstico em fase inicial amplia consideravelmente as perspectivas de êxito no tratamento.

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Além da rede tradicional de postos de saúde, o Paraná conta com a unidade móvel Carreta Saúde da Mulher, projeto itinerante que percorre diversos municípios paranaenses com equipes especializadas. O veículo oferece consultas, exames diagnósticos e orientações educativas voltadas tanto ao câncer de mama quanto ao de colo do útero. Até o mês de outubro, a iniciativa ultrapassou a marca de 35,7 mil procedimentos realizados, prestando assistência a mais de 10,6 mil mulheres.

“O mais importante é que as mulheres busquem o atendimento nas unidades de saúde em caso de qualquer suspeita e também façam os preventivos, como a mamografia no período identificado”, pontuou o secretário estadual da Saúde, César Neves. “O câncer de mama pode ser difícil de ser evitado, mas atualmente existe uma gama de possibilidades de tratar com efetividade. Se os exames forem feitos, tenho certeza que vamos conseguir reduzir os casos graves da doença”, completou o gestor.

Investimentos na rede oncológica

A assistência integral à saúde da mulher no que tange ao câncer mamário abrange desde a detecção primária até intervenções de alta complexidade em centros especializados. Nos últimos anos, a estrutura de atendimento oncológico via SUS no Paraná passou por processos de expansão, priorizando a regionalização e o fortalecimento de hospitais de referência em todas as macrorregiões.

Apenas no biênio recente, cerca de R$ 69 milhões foram alocados em infraestrutura, modernização e aquisição de equipamentos para a rede de combate ao câncer. Entre os destaques estão as melhorias proporcionadas pelo Plano de Expansão da Radioterapia (Persus II), que beneficiou diretamente o Hospital do Câncer de Londrina e a Associação Beneficente Menino Deus, localizada em Francisco Beltrão. Outro avanço significativo ocorreu por meio do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon), contemplando o Hospital do Câncer de Umuarama (Uopecccan).

A rede pública estadual também assegura suporte cirúrgico e acompanhamento psicológico e clínico para pacientes que necessitam da remoção parcial ou total das mamas. O Governo do Estado garante o acesso à reconstrução mamária, procedimento indispensável para a reabilitação física, resgate da autoestima e preservação da autoimagem das pacientes.

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Atualmente, o Paraná dispõe de 16 hospitais — entre unidades públicas, filantrópicas e privadas — devidamente credenciados pelo SUS para a realização de cirurgias de reconstrução mamária e mamoplastias oncoplásticas, distribuídos estrategicamente pelas quatro macrorregiões estaduais.

“Nosso compromisso é garantir que as mulheres tenham acesso aos exames, ao diagnóstico e ao tratamento no momento certo, independentemente de onde vivem no Paraná”, ressalta a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes. A gestora enfatiza que os aportes financeiros visam assegurar um suporte robusto para evitar óbitos evitáveis decorrentes da doença.

Prevenção e fatores de risco

O câncer de mama é considerado uma enfermidade multifatorial, influenciada por uma combinação de aspectos comportamentais, hormonais, reprodutivos e genéticos. Entre os elementos associados ao incremento do risco estão o excesso de peso, a obesidade, o sedentarismo, o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e o histórico familiar de câncer de ovário ou múltiplos diagnósticos de câncer mamário.

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Adicionalmente, características biológicas e reprodutivas — como a primeira menstruação antes dos 12 anos, a primeira gravidez após os 30 anos ou a nuliparidade (ausência de filhos) —, somadas ao uso prolongado de contraceptivos hormonais e terapias de reposição na menopausa, elevam a probabilidade de desenvolvimento da doença. O envelhecimento demográfico também figura como um vetor determinante para o aumento dos registros no país.

Estatísticas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que a taxa de incidência no território paranaense oscila entre 42,5 e 50,3 casos por 100 mil habitantes. Em âmbito nacional, desconsiderando os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama permanece como a neoplasia mais frequente entre o público feminino em todas as regiões geográficas.

Apesar da complexidade causal, estimativas apontam que cerca de 30% dos episódios da doença podem ser prevenidos por meio de modificações no estilo de vida. Praticar atividades físicas regularmente, adotar uma dieta equilibrada baseada em alimentos naturais, abster-se do tabaco e evitar o consumo de bebidas alcoólicas são medidas protetivas essenciais. Para as mulheres que amamentam, o aleitamento materno atua como um fator biológico de proteção adicional.

O autoexame atua como um mecanismo complementar de autoconhecimento corporal, permitindo que a mulher identifique alterações iniciais e procure avaliação médica especializada. Sinais clínicos de alerta englobam a presença de nódulos endurecidos e fixos (frequentemente indolores), secreções espontâneas pelos mamilos fora do período lactacional, retração cutânea com aspecto semelhante a casca de laranja, vermelhidão, inversão do mamilo ou o surgimento de linfonodos aumentados nas axilas e no pescoço.

A identificação de tais sinais não corrobora, de maneira isolada, um diagnóstico definitivo de malignidade, mas torna obrigatória a investigação clínica imediata na rede de saúde, viabilizando exames complementares e o devido suporte profissional.

Fonte:: saude.pr.gov.br

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