Paraná utiliza madeira sustentável na construção do planetário mais moderno da América Latina

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Seti.pr.gov.br

O estado do Paraná dá um passo significativo rumo à inovação arquitetônica e científica ao adotar técnicas avançadas de construção sustentável em sua mais nova e ambiciosa obra pública. A futura sede do planetário mais moderno da América Latina, localizada em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, emprega o conceito de madeira engenheirada em larga escala, unindo eficiência construtiva, responsabilidade ambiental e design de vanguarda.

Enquanto a estrutura física ganha forma no território paranaense, a tecnologia que servirá de coração para o empreendimento cruza o oceano. Um dos sistemas de projeção planetária mais avançados do planeta, fabricado pela renomada empresa alemã Zeiss, embarcou com destino ao Brasil. A previsão é que o equipamento de última geração desembarque no Porto de Paranaguá, no litoral paranaense, nos primeiros dias de novembro, marcando uma nova fase para o projeto.

Avanço das obras e investimentos

O edifício, projetado para abranger quase 5 mil metros quadrados dentro do Parque da Ciência Newton Freire Maia, já atingiu a marca de 53% de execução total. As etapas iniciais, que envolveram a terraplanagem e a fundação, foram concluídas com sucesso. Paralelamente, a estrutura de alvenaria e concreto encontra-se em estágio avançado de finalização, alcançando 98% de conclusão.

O cronograma também contempla o avanço na divisão interna dos pavimentos, a implementação das redes hidráulicas, sanitárias e elétricas, além de melhorias complementares em serviços de drenagem e pavimentação externa. O grande destaque arquitetônico e estrutural, contudo, reside na aplicação da madeira engenheirada, cujos pilares e grandes vigas de até 30 metros de comprimento já estão com 75% da instalação finalizada.

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Para Roni Miranda, secretário de Estado da Educação, o empreendimento consolida o papel do estado na difusão do saber. Segundo o gestor, a iniciativa sintetiza educação, ciência e inovação em um ambiente concebido para estimular a curiosidade científica de estudantes da rede pública e de toda a sociedade.

A execução do projeto está sob a responsabilidade do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR). O montante investido na infraestrutura gira em torno de R$ 46,5 milhões, com repasses oriundos da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), por meio de recursos do Fundo Paraná.

De acordo com Eliane Teruel Carmona, diretora-presidente do Fundepar, a adoção dessa técnica construtiva representa um salto qualitativo para obras públicas no estado. A escolha do material garante precisão milimétrica, minimiza a geração de resíduos e integra a própria estética do edifício ao projeto arquitetônico.

Industrialização e sustentabilidade no canteiro

O diferencial da madeira engenheirada utilizada no planetário — especificamente a Madeira Laminada Colada (MLC) — consiste na transformação de matéria-prima oriunda de florestas plantadas em componentes estruturais de alta resistência. Por meio de processos controlados, finas lâminas de madeira são coladas sob forte pressão para formar elementos robustos, capazes de vencer grandes vãos livres sem a necessidade de suportes intermediários excessivos.

O processo produtivo inicia-se no ambiente digital. As peças são projetadas em computador, usinadas por maquinário de alta precisão e entregues no canteiro devidamente identificadas, prontas para a montagem final. Esse fluxo transfere parte significativa do esforço fabril para a indústria, otimizando o tempo e reduzindo drasticamente os cortes, ajustes e desperdícios no local da obra.

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Embora amplamente difundido em países da Europa e da América do Norte, o sistema construtivo em madeira de grande escala ainda é pouco explorado em projetos de infraestrutura no Brasil. No caso do planetário paranaense, a escolha recaiu sobre o pinus cultivado e processado no próprio estado, o que fortalece a cadeia produtiva regional e encurta as distâncias logísticas entre os fornecedores e o canteiro de obras.

Além da vantagem logística, o uso de madeira de florestas renováveis agrega valor ambiental ao projeto. Durante seu ciclo de desenvolvimento, as árvores absorvem dióxido de carbono da atmosfera, elemento que permanece retido no material durante toda a sua vida útil. Em termos de segurança, o dimensionamento estrutural contempla o comportamento do material perante o fogo: em caso de sinistro, a camada externa carboniza e forma uma barreira protetora que preserva a integridade térmica do núcleo da peça.

Arquitetura inspirada no cosmos

Batizado oficialmente de Órbita, o projeto arquitetônico foi selecionado em 2024 por meio de um concurso público nacional promovido pelo Fundepar, que reuniu dezenas de propostas. A autoria vencedora é assinada pelos arquitetos Gabriel Grothge Faria e Rita de Cássia Nardo, sócios do escritório Nardo Grothge Arquitetos.

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O conceito do edifício coloca a cúpula de projeção como o elemento central. A partir desse núcleo, corredores e alas se distribuem de maneira radial, mimetizando as órbitas dos planetas e corpos celestes. A madeira estrutural permanece totalmente aparente, conferindo identidade visual única aos ambientes internos.

Gabriel Grothge Faria destaca que a escolha tecnológica esteve atrelada à concepção estética e funcional do projeto. Para o arquiteto, a possibilidade de trabalhar com grandes vãos, aliada à precisão industrial e à beleza da madeira à vista, traduz a essência de unir eficiência construtiva e inovação conceitual.

A harmonia com o meio ambiente estende-se ao projeto paisagístico, planejado para incorporar gradualmente uma vegetação densa ao redor da construção. Como medida de proteção à observação astronômica, a iluminação noturna externa será de baixa intensidade e focada no solo, evitando a dispersão de luz para o céu e preservando as condições ideais para o uso de telescópios.

Para Anísio Lasievicz, diretor do Parque da Ciência, a infraestrutura representará um marco na divulgação científica regional. A expectativa é que o espaço proporcione experiências imersivas profundas, ampliando as ferramentas pedagógicas disponíveis para professores, pesquisadores e visitantes de todas as idades.

Fonte:: seti.pr.gov.br

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