O recém-inaugurado Museu Paranaense (MUPA) em Pato Branco já está se consolidando como um importante espaço de interação cultural na cidade. Inaugurado oficialmente em 20 de setembro de 2023, o museu rapidamente começou a receber grupos de alunos da Escola Municipal de Artes para visitas mediadas, logo em sua primeira operação, que ocorreu no dia seguinte.
Essa iniciativa dos Museus Satélites no Paraná representa um passo significativo na descentralização da cultura no estado. Ao invés de apenas oferecer exposições itinerantes, essas unidades que estão sendo criadas nas cidades do interior se comprometem com uma programação contínua, ações educativas e a circulação regular de acervos estaduais. Essa mudança estrutural promove uma política cultural abrangente em todas as macrorregiões do Paraná.
Fabiani de Paula, diretora da Escola Municipal de Artes, comenta sobre o impacto que a presença do museu traz para o aprendizado dos alunos. “A existência de um acervo físico confere uma dimensão prática ao que aprendemos em sala de aula. Observar, tocar e vivenciar o passado torna o aprendizado mais significativo”, destaca Fabiani. Ela também ressalta que esse acesso não era uma realidade vivida por muitos adultos na cidade, enfatizando a importância da lembrança histórica para a sociedade local.
Durante a visita, o professor Andrei Fabiano Vieira percebeu a conexão que os alunos fizeram com o passado do Brasil. “É fascinante observar como eles reagem a eventos históricos e aspectos de sua própria cultura. O brilho nos olhos ao ver fotos e objetos, como a pele da onça, revela um apego genuíno às suas origens”, relata. Ele ainda menciona a curiosidade dos alunos sobre objetos antigos, como câmeras fotográficas, que muitos não conheciam.
A experiência foi marcante para Isadora Voitena, de apenas 8 anos. Em sua primeira visita a um museu, ela manifestou sua empolgação: “Foi muito legal e diferente. Hoje vi a pele de onça e vou contar para meus pais. É impressionante!”, compartilha Isadora, evidenciando a importância dessa vivência para as crianças.
A repercussão entre os educadores foi imediata. Gustavo Alisson da Silva, professor de artesanato, ressaltou o valor pedagógico que a visita proporcionou. Ele integrou o conhecimento sobre os povos indígenas com a experiência do museu, fechando um ciclo de aprendizado. “Trazer os alunos aqui conecta todos os pontos do nosso ensino”, diz Gustavo. Ele enfatiza que o acervo indígena presente no museu é fundamental para reafirmar a cultura, que corre o risco de ser esquecida, além de enriquecer as práticas artísticas em educação.
A demanda por visitas ao museu tem sido intensa, como destaca Aline Schenato Sabadini Brandielli, mediadora do departamento de cultura de Pato Branco. “As escolas têm demonstrado grande interesse nas visitas mediadas, com professores preocupados em proporcionar aos alunos o contato direto com objetos artísticos ou históricos”, afirma Aline, ressaltando a relevância dos encontros entre educadores e cultura local.
No seu primeiro dia de funcionamento, o museu recebeu quatro grupos de estudantes, totalizando cerca de 200 alunos da rede pública municipal, e já tem visitas agendadas para os próximos dias, demonstrando o entusiasmo pela nova oferta cultural.
Nesta fase inicial, os estudantes puderam conferir a exposição “A riqueza de um patrimônio em movimento: por dentro da vida e da Coleção Vladimir Kozák”. Esta mostra contém fotografias, filmes, câmeras fotográficas e adornos indígenas, cuidadosamente reunidos pelo pesquisador, cineasta e etnógrafo Vladimir Kozák entre as décadas de 1940 e 1950.
O programa dos Museus Satélites não se restringe a Pato Branco. Novas unidades estão previstas para ser inauguradas em Londrina, Cascavel, Maringá, Guarapuava, Tunas do Paraná, Paranaguá e Ponta Grossa, todas vinculadas a instituições culturais como o Museu Paranaense, o Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC Paraná), o Museu da Imagem e do Som do Paraná (MIS-PR) e o Museu Casa Alfredo Andersen. Estas inaugurações estão programadas para ocorrer no primeiro semestre de 2026.
Fonte:: cultura.pr.gov.br


