Polícia civil desarticula esquema de tráfico internacional e prende dezessete pessoas

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Foto: Divulgação / Seguranca.pr.gov.br

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou uma operação de grande envergadura nas primeiras horas desta quinta-feira (15), resultando na prisão de 17 pessoas suspeitas de integrar uma complexa organização criminosa voltada ao tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de capitais na região Noroeste do Estado. A ação policial contou com o suporte operacional da Polícia Civil do Estado de São Paulo (PCESP).

Para cumprir as ordens judiciais, a mobilização reuniu cerca de 100 policiais civis distribuídos estrategicamente entre os municípios paranaenses de Maringá, Sarandi e a localidade balneária de Praia de Leste, além da cidade paulista de Franco da Rocha. O trabalho de campo contou com o reforço tático do apoio aéreo de um helicóptero e o auxílio especializado de cães de faro pertencentes ao canil da PCPR.

Durante a execução das diligências, as equipes policiais cumpriram 14 mandados de prisão preventiva e 14 ordens de busca e apreensão. Paralelamente às capturas, a Justiça determinou o bloqueio de 16 contas bancárias utilizadas pelo esquema e o sequestro judicial de um veículo. O principal propósito estratégico da ofensiva policial foi desestruturar completamente a cadeia logística do narcotráfico, abrangendo desde a fase de fornecimento e armazenamento até a distribuição final e o financiamento ilícito.

A atuação policial não se limitou apenas aos operadores encarregados das entregas cotidianas de entorpecentes, alcançando também os principais fornecedores, os coordenadores da rede e os operadores encarregados da engenharia financeira do grupo. Nos locais alvos dos mandados, os agentes apreenderam 15 quilos de substâncias entorpecentes, incluindo porções significativas de maconha e cocaína. A descoberta das drogas em flagrante resultou na autuação e prisão imediata de outras três pessoas, elevando para 17 o total de detidos na operação.

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O inquérito policial, conduzido ao longo de aproximadamente um ano em estreita colaboração com o Ministério Público, teve seu ponto de partida na detenção de indivíduos que atuavam diretamente na distribuição de entorpecentes no município de Sarandi. A partir da análise minuciosa de materiais apreendidos e do aprofundamento das linhas de investigação, os investigadores conseguiram mapear uma estrutura muito mais ampla e ramificada, responsável pelo abastecimento sistemático de drogas nas cidades de Sarandi e Maringá, inclusive mediante a utilização de um sistema de entregas rápidas na modalidade delivery.

De acordo com o delegado da PCPR Leandro Munin, um dos aspectos mais marcantes do esquema era o fato de que os principais líderes e fornecedores dos entorpecentes não residiam na região onde ocorria a comercialização. Eles utilizavam ferramentas tecnológicas e a internet para manter o controle remoto das operações. “Um dos principais fornecedores investigados, apontado como liderança da organização, reside atualmente em Londres, na Inglaterra, de onde coordenava remotamente o abastecimento de drogas”, explicou a autoridade policial.

Além da liderança baseada no exterior, as investigações revelaram a participação de outro importante fornecedor de entorpecentes, que atualmente reside em Praia de Leste, no litoral paranaense. A organização criminosa operava com rígida divisão de tarefas e uma atuação coordenada entre diferentes núcleos operacionais. A estrutura contava com cúpula de comando, fornecedores atacadistas, responsáveis pelo armazenamento e fracionamento dos produtos proibidos, distribuidores locais, entregadores e células especializadas na movimentação financeira.

Os trabalhos da polícia identificaram ainda a utilização de “laranjas”, pessoas que emprestavam suas contas bancárias para receber e fazer circular os valores ilícitos gerados pelo tráfico. Essa etapa contava com artifícios voltados à ocultação e dissimulação da origem do dinheiro, caracterizando o crime de lavagem de dinheiro. O avanço das apurações também revelou conexões com uma facção criminosa de atuação nacional. Segundo os levantamentos, um dos investigados na gênese do caso é sobrinho de um homem apontado como liderança dessa mesma organização no Paraná, cujo paradeiro atual seria o Paraguai.

A vertente financeira da operação teve como prioridade absoluta desmantelar a infraestrutura econômica do grupo criminoso. As medidas cautelares de bloqueio de ativos e constrição de bens buscam asfixiar a capacidade financeira dos criminosos, impedindo que utilizem recursos para reestruturar os núcleos desarticulados. Nos últimos anos, a instituição policial paranaense aprimorou o combate à lavagem de dinheiro por meio de laboratórios especializados vinculados ao Departamento de Inteligência Policial, cuja premissa central é a descapitalização patrimonial das facções para paralisar suas rotas de expansão.

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Impacto na segurança pública regional

A ofensiva conjunta representa um duro golpe nas redes de distribuição de drogas que operavam no interior do Paraná. Ao mirar simultaneamente os braços logísticos e financeiros, as autoridades buscam garantir uma repressão duradoura que vá além das prisões momentâneas. O caso segue sob acompanhamento do Poder Judiciário enquanto a Polícia Civil prossegue com as diligências para identificar eventuais ramificações remanescentes da rede delituosa.

Fonte:: seguranca.pr.gov.br

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