A Polícia Federal (PF) formalizou nesta sexta-feira (16) um pedido ao ministro André Mendonça, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando a prorrogação por mais 90 dias do inquérito que apura os pagamentos realizados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia voltada a retratar a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com as informações repassadas pelo delegado encarregado do caso, Anderson Rodrigo Andrade de Lima, a extensão do prazo é fundamental para a finalização de perícias contábeis complexas e para aguardar o avanço nos trâmites de cooperação internacional com os Estados Unidos. O objetivo dessa cooperação é obter registros financeiros detalhados de entidades estrangeiras que teriam sido destinatárias de repasses de recursos.
No âmbito das diligências em curso, os investigadores da corporação também dedicam atenção à análise de farta documentação que foi entregue pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, que atua como delator no âmbito do caso Master. Segundo a corporação policial, esses papéis serviriam para corroborar a ocorrência de repasses direcionados ao fundo de investimentos Havengate Development, estrutura que teria sido constituída em solo norte-americano especificamente com a finalidade de recepcionar os aportes financeiros destinados à película.
O surgimento desta investigação no Supremo Tribunal Federal ocorreu após uma representação apresentada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). O parlamentar requereu apuração formal sobre um suposto pedido de recursos financeiros que teria sido feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atualmente colocado como candidato à Presidência da República, direcionado a Daniel Vorcaro com o intuito de viabilizar o custeio das filmagens.
A existência do projeto cinematográfico dedicado a relatar a trajetória política de Jair Bolsonaro veio a público após uma reportagem publicada pelo portal The Intercept. A matéria detalhou interações nas quais o senador teria cobrado e solicitado aporte financeiro ao banqueiro para cobrir despesas de produção do longa-metragem.
Logo após a revelação pública das conversas travadas entre o parlamentar e o ex-banqueiro — interações que teriam ocorrido em novembro do ano passado —, o senador veio a público negar veementemente qualquer tipo de combinação voltada à obtenção de vantagem indevida junto a Vorcaro. Na ocasião, a defesa do político argumentou que tratavam-se estritamente de recursos de natureza privada.
A situação jurídica no inquérito sofreu uma reviravolta em julho deste ano, quando Flávio Bolsonaro foi formalmente incluído no rol de investigados sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal, passando a responder diretamente no escopo das diligências que agora buscam novos prazos para elucidação completa dos fatos.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br


