Termina nesta sexta-feira (09) o período de inscrições para as agroindústrias do Paraná interessadas em participar da iniciativa voltada à avaliação da qualidade e da segurança alimentar de itens de origem animal. Desenvolvido pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) em conjunto com a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), o programa tem como finalidade principal fortalecer a produção artesanal e de pequeno porte no estado.
Com uma vigência planejada de dois anos, a ação conta com um aporte financeiro estimado em R$ 2,08 milhões. O recurso será integralmente direcionado para cobrir as despesas com exames laboratoriais de mercadorias produzidas por empreendimentos de pequeno porte, abrangendo itens como queijos, embutidos, cortes de carne, leite, mel e seus derivados, além de pescados.
O público-alvo prioritário é composto por estabelecimentos que já possuem indicação ao Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte do Paraná (Susaf-PR). Atualmente, o estado contabiliza 153 unidades produtivas com essa certificação, espalhadas por 67 municípios e três consórcios públicos.
A gratuidade nos exames laboratoriais, sejam eles de natureza físico-química ou microbiológica, representa um alívio financeiro considerável para os pequenos empresários. Sem a necessidade de arcar com esses custos durante o período do projeto, os produtores conseguem monitorar com maior rigor a qualidade dos alimentos que levam ao mercado consumidor e realizar eventuais ajustes em seus processos de fabricação.
Segundo Mariza Henning, que lidera o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal e Vegetal da Adapar, o peso financeiro de uma análise laboratorial pode ser um obstáculo para negócios de menor escala. A gestora aponta que o subsídio estadual funciona como uma ponte para que o produtor verifique seus padrões de qualidade e, simultaneamente, planeje suas finanças para incorporar essa rotina de controle ao orçamento do negócio futuramente.
A execução do programa envolve a articulação com os órgãos locais de fiscalização. O cadastramento das empresas precisa ser intermediado pelo médico-veterinário responsável pelo Serviço de Inspeção Municipal (SIM) ou pelo consórcio público correspondente. Cada município ou consórcio tem a prerrogativa de indicar até cinco estabelecimentos por ano, obedecendo a critérios de seleção que consideram o tempo de registro no SIM e no Susaf-PR, bem como a posse de documentos como o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF).
O fluxo operacional estabelecido prevê que as empresas contempladas realizem a coleta e o envio das amostras diretamente para o Laboratório do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), situado em Curitiba. Os custos logísticos de transporte dos materiais ficam sob a responsabilidade de cada estabelecimento produtor. As avaliações laboratoriais contemplam até cinco categorias distintas de mercadorias por empresa.
A previsão técnica indica que o envio das primeiras amostras laboratoriais ao Tecpar comece já no mês de novembro. Os laudos gerados serão distribuídos simultaneamente ao produtor rural, à Adapar e aos órgãos de inspeção municipal ou consórcios. Caso sejam apontadas irregularidades nos exames, o empreendedor deverá acionar os protocolos corretivos previstos em seu Programa de Autocontrole (PAC), contando com o suporte técnico dos fiscais.
Para a consultoria técnica do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), representada por Karoline Marques da Silva, o acesso sistemático aos dados laboratoriais capacita o produtor a compreender melhor a dinâmica de sua linha de fabricação, identificando pontos críticos e aprimorando a gestão do estabelecimento ao longo do tempo.
Os interessados em conferir todas as diretrizes normativas da iniciativa podem acessar a Portaria Adapar nº 375/2026 na íntegra aqui.
Fonte:: idrparana.pr.gov.br


