Prisão de seguranças após morte de ciclista no Rio de Janeiro

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: © Frame Camera de segurança

Dois seguranças particulares apontados como responsáveis pelo espancamento até a morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, se entregaram às autoridades policiais nesta última quinta-feira (20). O crime, que chocou moradores e pedestres, também contou com a participação de dois entregadores de serviços de entrega por aplicativo, os quais continuam sendo procurados pelas forças de segurança do estado do Rio de Janeiro.

De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Civil, a vítima foi submetida a uma sessão de violência extrema que durou cerca de nove minutos. Durante a agressão, Cláudio Rafael recebeu mais de 30 golpes de porrete na região da cabeça, além de múltiplos chutes no tórax e na barriga. A motivação inicial para a abordagem violenta teria sido uma suspeita infundada dos vigias de que o ciclista havia furtado o veículo de duas rodas que utilizava.

O episódio trágico teve início quando o ciclista saiu de sua residência na noite do dia 11 do mesmo mês. Ele pedalava desde o bairro de Botafogo até a Rua Belford Roxo, situada em Copacabana, na zona sul da capital fluminense. A bicicleta utilizada pertencia à sua irmã, meio de transporte que ele costumava empregar habitualmente em seus deslocamentos pela região.

Ao chegarem em Copacabana, os dois seguranças abordaram a vítima de maneira arbitrária e sem apresentar qualquer evidência de irregularidade. Um dos investigados, identificado como Davi Santos Machado, portava um porrete e iniciou um interrogatório intimidador, questionando se a bicicleta pertencia realmente ao rapaz. Devido a um transtorno psicológico que dificultava sua comunicação em momentos de pressão, Cláudio Rafael respondeu de forma confusa, sem conseguir concluir sua explicação de que o bem pertencia a um familiar.

- Publicidade-

Na sequência da abordagem, o segundo segurança de rua, Jorge Luiz Ricardo Dias, apoderou-se da bicicleta e tentou levá-la consigo. Ao tentar reaver seu meio de transporte, a vítima foi agredida fisicamente pela primeira vez por Davi Santos Machado. Desamparado, Cláudio caminhou até a Rua Felipe de Oliveira, onde buscou refúgio e permaneceu sentado nas escadarias de um edifício local.

Foi nesse ponto que a situação escalou para uma brutal sessão de tortura e linchamento. Munido do bastão, Davi Santos retomou os ataques contra Cláudio Rafael. O ciclista tentou escapar da violência, mas acabou sendo interceptado e derrubado por dois entregadores que passavam pelo local e se juntaram à ação criminosa. A sequência de espancamento prolongou-se por nove minutos até que a vítima ficasse totalmente inconsciente e desacordada. Antes de abandonarem o local, os agressores ainda demonstraram descaso: Davi fotografou o corpo do ciclista com um aparelho celular, enquanto um dos entregadores revistou os bolsos do rapaz caído.

O socorro médico foi acionado e chegou cerca de 30 minutos depois, encaminhando a vítima com urgência para o Hospital Municipal Miguel Couto, localizado no bairro da Gávea. No entanto, devido à gravidade dos ferimentos, Cláudio não resistiu e veio a óbito na madrugada do dia 12. O laudo pericial apontou como causa determinante da morte um traumatismo craniano associado a uma hemorragia interna severa.

O delegado titular da 12ª Delegacia de Polícia de Copacabana, Ângelo Lages, informou que os quatro suspeitos envolvidos diretamente na dinâmica criminosa responderão judicialmente por homicídio triplamente qualificado. As qualificadoras apontadas incluem motivo torpe, emprego de meio cruel e impossibilidade de defesa por parte da vítima.

- Publicidade-

As autoridades policiais seguem em diligências na tentativa de localizar e prender os dois homens que utilizavam mochilas de entregadores e que, até o momento, não compareceram às delegacias para prestar esclarecimentos sobre o caso.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhe esta notícia