(Foto: Ricardo Stuckert / PR)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizaram uma nova conversa telefônica na manhã desta sexta-feira (21). O diálogo ocorreu em meio às tratativas diplomáticas e econômicas entre os dois governos sobre as tarifas aplicadas a produtos de origem brasileira, marcando mais um capítulo nas negociações bilaterais recentes.
De acordo Na avaliação apresentada pelo mandatário brasileiro durante a chamada, a continuidade das conversas e a manutenção do canal diplomático aberto representam o melhor caminho para mitigar os impactos econômicos negativos provocados pelas taxas em ambos os países.
“Ao observar que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil, quanto os Estados Unidos, afirmou que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países”, destacou o comunicado oficial emitido pelo governo brasileiro após o término da conversa.
Além da pauta comercial e do debate em torno do cenário de tarifas — assunto frequentemente tratado no noticiário político —, os chefes de Estado também debateram estratégias conjuntas para o combate ao crime organizado internacional e conversaram sobre o panorama de diferentes conflitos geopolíticos ao redor do globo.
A administração norte-americana sinalizou receptividade à proposta de estreitar os laços comerciais. Segundo a nota oficial, o presidente Donald Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos econômicos sólidos e propôs que as equipes técnicas de Brasília e Washington retomem as reuniões de trabalho o mais brevemente possível para avançar nos entendimentos.
Brasil exportou mais de 43 milhões de quilos de carne aos EUA em junho (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
Flexibilização na importação de carne bovina
Poucas horas depois do contato telefônico com o líder brasileiro, o presidente dos Estados Unidos anunciou uma decisão de grande impacto para o mercado internacional de commodities agrícolas. Trump informou que o governo norte-americano autorizará, pelo período excepcional de 90 dias, a importação de até 300 mil toneladas métricas de carne moída sem a incidência de taxas adicionais fora da cota estabelecida.
A expectativa da Casa Blanca com essa medida de alívio temporário é aumentar a oferta interna do produto e provocar uma retração nos preços ao consumidor final, estimando uma queda que pode chegar a até 25% no mercado americano.
Durante o anúncio, o republicano atribuiu o encarecimento da carne bovina no país à diminuição do rebanho nacional nos últimos anos, culpando a gestão do ex-presidente Joe Biden, filiado ao Partido Democrata, pela situação atual da pecuária norte-americana. O objetivo da nova política, segundo o atual governo, é dar fôlego aos produtores rurais locais para que possam reconstruir e ampliar gradativamente a criação de gado.
“Temos o compromisso de que esta carne será vendida 25% abaixo dos preços atuais de mercado. Este acordo reduzirá os preços para os americanos, ao mesmo tempo em que dá espaço para que nosso Grande Rebanho de Carne Americano cresça novamente”, declarou Trump por meio de uma publicação em sua rede social, a Truth Social.
Apesar da relevância da medida para o comércio exterior, o comunicado inicial do governo dos Estados Unidos não especificou quais nações serão contempladas ou habilitadas para aproveitar a cota temporária de exportação para o mercado americano.
Participação do Brasil no mercado norte-americano
O Brasil se destaca de maneira expressiva como um dos principais parceiros comerciais no abastecimento de proteína animal para os consumidores dos Estados Unidos. Conforme dados oficiais consolidados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o território brasileiro ocupou a segunda posição no ranking de maiores exportadores de carne bovina para o mercado americano no mês de junho de 2026, ficando atrás apenas da Austrália.
Os registros daquele período mostram que as vendas externas do Brasil para os americanos totalizaram 96,208 milhões de libras, o que equivale a aproximadamente 43,64 milhões de quilos do produto.
A coincidência temporal entre o diálogo diplomático de alto nível entre Lula e Trump e o anúncio de flexibilização nas regras de importação de carne ocorre em um momento em que o mercado e o setor produtivo acompanham com atenção os desdobramentos das conversas bilaterais, na esperança de que o entendimento político resulte na diminuição definitiva das barreiras tarifárias que afetam as exportações brasileiras.
Fonte:: ric.com.br


