Projeto de lei quer tornar o sarro patrimônio cultural imaterial do paraná

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Iniciativa busca reconhecer o Sarro que reúne d...

O cenário cultural paranaense pode ganhar um importante marco de valorização das expressões periféricas nos próximos meses. Um projeto de lei protocolado na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) tem como objetivo principal conceder ao Sarro o título oficial de Patrimônio Cultural Imaterial do Estado. A iniciativa busca dar visibilidade e respaldo institucional a uma manifestação que une juventude, dança, arte e a vivência urbana em diversas cidades paranaenses, destacando a força criativa que brota longe dos circuitos tradicionais.

A proposta legislativa coloca em evidência a urgência de debater e incentivar a produção artística que surge nas margens dos centros urbanos. De acordo com os defensores da medida, a ocupação pacífica e artística dos espaços públicos pelos jovens ainda enfrenta barreiras estruturais e preconceitos enraizados, um cenário que se torna ainda mais evidente em estados da Região Sul do país, onde muitas vezes a pluralidade cultural periférica é negligenciada pelas políticas públicas oficiais.

O avanço da tramitação na Assembleia Legislativa

O projeto que visa proteger e valorizar a manifestação artística foi anunciado publicamente pelo deputado estadual Goura (PDT). O parlamentar, que assina a autoria da proposta, utilizou suas plataformas digitais para repercutir o protocolo do texto na Casa de Leis, reforçando a importância de legitimar as vozes da juventude urbana.

Durante pronunciamento divulgado nas redes sociais, o parlamentar ressaltou o significado da medida para o contexto cultural do estado. “Hoje o sarro ocupa a Assembleia do Paraná. Nós protocolamos um Projeto de Lei que reconhece o Sarro como manifestação, como Patrimônio Cultural Imaterial do nosso estado”, declarou o deputado.

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Com o protocolo formalizado, a matéria segue agora os trâmites regimentais internos da Assembleia Legislativa do Paraná. O texto passará pelas comissões temáticas competentes antes de ser submetido à votação em plenário. Caso receba a aprovação dos parlamentares e seja sancionado, o movimento passará a integrar oficialmente o rol de bens culturais imateriais protegidos pelo estado.

A voz das periferias e a luta contra o preconceito

Para os integrantes e idealizadores do movimento, a iniciativa legislativa representa muito mais do que um título formal; trata-se de uma reparação histórica e de um incentivo fundamental para a sobrevivência e expansão da cultura jovem. Bebel, uma das ativistas do movimento, aponta que existe uma carência crônica de compreensão e apoio institucional voltado para a produção artística periférica na região sulista.

“Tem um grande problema de falta de conhecimento cultural periférico no Brasil, mas principalmente aqui no Sul. A periferia do Sul existe, ela produz cultura e produz cultura muito boa de muita qualidade e não é reconhecida. O Estado tem o extremo papel de fazer isso. Se não for o Estado reconhecer quem vai reconhecer?”, argumenta a participante.

Além da dimensão artística, o cotidiano de quem faz parte do movimento é marcado por barreiras sociais e episódios recorrentes de marginalização. A ocupação das ruas e praças urbanas esbarra frequentemente em abordagens discriminatórias baseadas em estereótipos visuais, como vestimentas, penteados e tonalidade de pele.

Medusa, que também integra o coletivo cultural, relatou as dificuldades enfrentadas ao tentar transitar e ocupar os espaços públicos da cidade. “A gente não pode ocupar rua se você estiver com uma determinada roupa, se você tiver uma determinada cor de pele, se você tiver um certo cabelo, que a gente sabe muito bem essas características aí que os caras olha e fala ‘é esse aí que eu vou enquadrar’. Então assim, coisas que a gente passa que é deselegante, entendeu? Só porque nós é assim”, desabafou.

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Identidade, resistência e ocupação urbana

O Sarro se consolidou nos últimos anos como um ponto de encontro e de resistência para a juventude paranaense, utilizando a dança e a ressignificação dos espaços públicos como ferramentas de expressão política e social. Para os realizadores, a arte funciona como um espelho da identidade urbana, construída coletivamente no dia a dia das ruas.

Ao defender a aprovação da lei, Goura sintetizou a essência da manifestação cultural e parabenizou os jovens responsáveis por manter o movimento ativo e em constante transformação nas cidades do estado.

“Se você ainda não conhece, esse é o Sarro, movimento cultural que vem ganhando força no Paraná e que transforma a dança, as ruas e os espaços da cidade em expressão, encontro e identidade. Encontros e da resistência de quem ocupa a cidade. Parabéns a toda a galera que vem construindo essa movimento!”, concluiu o parlamentar.

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Fonte:: ric.com.br

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