Projeto de remição de pena pela leitura destaca obra Vidas Secas na Colônia Penal Industrial de Maringá

Marcelo Borges
5 min. de leitura
Foto: Divulgação / Policiapenal.pr.gov.br

A Polícia Penal do Paraná (PPPR), por intermédio da Colônia Penal Industrial de Maringá (CPIM), realizou a apresentação oficial do Projeto Especial de Remição de Pena pela Leitura 2026. O evento solene reuniu autoridades do setor, profissionais da educação, servidores públicos e familiares para prestigiar os resultados alcançados por 19 pessoas privadas de liberdade (PPL) que se dedicaram profundamente ao estudo do clássico da literatura nacional Vidas Secas, escrito por Graciliano Ramos.

A iniciativa, desenvolvida em uma sólida parceria com o Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (Ceebja) Professora Tomires Moreira de Carvalho, aprofundou a análise do livro por meio de dez eixos temáticos distintos. A metodologia incorporou recursos multimídia para estabelecer paralelos visuais e conceituais com a arte do pintor Cândido Portinari, culminando na emocionante declamação de uma poesia autoral que retratou com sensibilidade a realidade da seca nordestina.

O coordenador regional da PPPR em Maringá, Júlio César Vicente Franco, ressaltou durante o encontro o papel essencial e transformador que as ações educacionais desempenham no ambiente prisional da unidade. Segundo ele, a crença na educação como ferramenta poderosa viabiliza a construção de novos caminhos e a superação de adversidades pelos custodiados.

“Acreditamos que a educação é uma das ferramentas mais poderosas para transformar vidas e construir novos caminhos. Cada pessoa que participa de um projeto como este demonstra que é possível ir além das dificuldades e buscar novas perspectivas para o futuro. A remição pela leitura representa muito mais do que a redução da pena. É uma oportunidade de adquirir conhecimento, despertar talentos, fortalecer valores e resgatar a esperança”, pontuou o coordenador, enfatizando o compromisso institucional com a preparação para um retorno seguro e consciente à sociedade.

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O diretor em exercício da CPIM, Vitor Tadeu Scaramella, também dirigiu palavras de incentivo aos presentes, parabenizando o empenho dos custodiados e o suporte contínuo prestado pela equipe pedagógica envolvida na execução das atividades literárias.

“Quando vocês decidem participar de um projeto como este, estão assumindo um compromisso com vocês mesmos. Essa escolha representa um passo importante na transformação de suas vidas e também serve de exemplo para aqueles que ainda não despertaram o interesse por essas oportunidades”, afirmou Scaramella, reforçando que a experiência proporciona aprendizados que vão muito além do benefício jurídico da remição penal.

A chefe do Núcleo Regional de Educação de Maringá, Isabel Cristina Domingues Soares Lopes, manifestou surpresa e admiração pela qualidade das apresentações, elogiando a sensibilidade e a profundidade interpretativa demonstradas pelos participantes durante o evento cultural.

“Nunca imaginei que um ambiente prisional pudesse se transformar em um espaço tão acolhedor, inspirador e cheio de possibilidades. Estar aqui e acompanhar essas apresentações é um verdadeiro presente”, declarou a representante da educação estadual, incentivando os detentos a manterem a dedicação na busca por novos horizontes através do saber.

Representando o Conselho da Comunidade de Execuções Penais, a irmã Ruth Tesche transmitiu uma mensagem voltada ao acolhimento, à fé e ao estímulo ao recomeço pessoal e social de cada indivíduo ali presente.

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“O carinho e o apoio que vocês oferecem fazem toda a diferença na vida deles. Tenho certeza de que, ao se sentirem amados, acolhidos e valorizados, encontram forças para transformar suas histórias e construir um futuro diferente. O amor tem esse poder de renovar a esperança e abrir novos caminhos”, declarou, aconselhando os participantes a utilizarem as adversidades superadas como degraus para alcançar suas metas e preservar seus projetos de vida.

O projeto consolida diretrizes voltadas à valorização da educação e da cultura dentro do sistema prisional paranaense, consolidando a literatura como um instrumento efetivo de emancipação intelectual e reconstrução social. Como forma de marcar a conclusão das atividades, os convidados e participantes receberam sementes de girassol, simbolizando o potencial de crescimento e os novos começos que desabrocham a partir do acesso ao conhecimento.

Fonte:: policiapenal.pr.gov.br

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