Projeto do Moegão no litoral paranaense recebe láureas internacionais de inovação

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Parana.pr.gov.br

O complexo logístico e de engenharia conhecido como Moegão, instalado no litoral do Paraná, garantiu um importante reconhecimento internacional ao vencer a segunda edição dos Prêmios Legado AAPA Latam 2026. A iniciativa da empresa pública Portos do Paraná levou a melhor na categoria Desenvolvimento Portuário “Ingeniero Valentín Morán”, conforme anúncio oficial divulgado nesta terça-feira (27) pela organização responsável.

A solenidade oficial de premiação e entrega do troféu está programada para ocorrer durante o Congresso Anual da AAPA Latam 2026, evento que acontecerá entre os dias 1º e 4 de dezembro na Guatemala. O prêmio tem como principal objetivo destacar e valorizar projetos estratégicos que estimulam o crescimento, a modernização e a eficiência na infraestrutura portuária de toda a América Latina e do Caribe.

Não é a primeira vez que a gestão dos terminais paranaenses se destaca em premiações internacionais. Nos últimos anos, a autoridade portuária acumulou diversas menções honrosas devido a iniciativas voltadas à sustentabilidade, excelência administrativa, boas práticas socioambientais e na integração harmônica entre as atividades do porto e o cotidiano da cidade de Paranaguá.

Em 2025, por exemplo, a instituição obteve grande destaque no AAPA Lighthouse Awards — premiação que abrange também os países da América do Norte —, sendo premiada nas áreas de Excelência em Comunicação e Relações Práticas, além de Práticas Administrativas e Ambientais. Já em 2023, o reconhecimento internacional veio na categoria Eventos Especiais, coroando o sucesso da tradicional Corrida do Porto.

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Para o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, a conquista atual coroa um esforço coletivo e marca um momento histórico para a engenharia aplicada ao setor logístico mundial. Segundo o gestor, o projeto simboliza o empenho de equipes técnicas em buscar a excelência operacional sem descuidar do bem-estar social e do crescimento urbano sustentável da região.

Agilidade, capacidade e segurança operacional

Com um aporte financeiro superior a R$ 650 milhões, o Moegão consolida-se como uma das maiores obras estruturantes da história recente da infraestrutura do Estado. A principal função do complexo será unificar e centralizar a descarga ferroviária de produtos agrícolas fundamentais para a balança comercial brasileira, como soja, milho e seus respectivos farelos, que chegam ao Porto de Paranaguá.

O sistema foi planejado para realizar a distribuição automática dessas cargas diretamente para os 11 terminais que compõem o Corredor de Exportação Leste. Com o novo arranjo operacional, a expectativa é de que a capacidade diária de recepção de vagões ferroviários salta dos atuais 550 para cerca de 900 unidades, o que representa um incremento estimado em 63% na eficiência do descarregamento.

Em termos de volume anual, a estrutura tem potencial projetado para receber até 24 milhões de toneladas de grãos e farelos. Paranaguá responde por 65% do crescimento das exportações brasileiras de frango congelado, o que reforça a importância estratégica de otimizar toda a cadeia logística local.

O planejamento do projeto começou a ganhar forma no ano de 2020, reunindo esforços do Governo do Estado, da Portos do Paraná e de toda a comunidade portuária local. O objetivo foi desenhar uma solução sob medida para as demandas geográficas e logísticas paranaenses, culminando na entrega do empreendimento que promete redesenhar o transporte ferroviário portuário.

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Além da melhoria na descarga de grãos, a intervenção promove uma profunda reorganização na circulação interna e na configuração de toda a malha rodoferroviária na zona leste do porto. Com a reestruturação, o número de interferências entre trens, carros e pedestres cairá de 16 para apenas cinco pontos, elevando consideravelmente os níveis de segurança, mitigando paralisações e reduzindo a necessidade de manobras complexas.

Nesta edição da premiação da AAPA Latam, a autoridade paranaense figurou como a única representante do Brasil a vencer nas categorias em disputa. Os demais vencedores foram a Administración Nacional de Puertos, do Uruguai, e a empresa Terminales Portuarios Euroandinos Paita S.A., do Peru.

A entidade uruguaia foi laureada na categoria Desenvolvimento Sustentável “Agustín Díaz”, graças a um projeto voltado à inovação em engenharia portuária e marítima sustentável. Por sua vez, o terminal peruano levou o troféu na categoria de Desenvolvimento do Capital Humano “Armando Duarte Peláez”, premiando um programa focado na mentoria e no fomento do talento feminino no setor.

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Recuperação ambiental e geração de renda

Demonstrando preocupação constante com o equilíbrio ecológico, a administração portuária paranaense também submeteu à avaliação internacional o seu Programa de Recuperação de Áreas Degradadas, conhecido pela sigla PRAD. O programa concorreu justamente na vertente de Desenvolvimento Sustentável “Agustín Díaz”, destinada a reconhecer políticas públicas e empresariais focadas na diminuição de impactos ecológicos e no ganho de eficiência energética.

Porto de Paranaguá lidera movimentação nacional de veículos em setembro, mantendo um ritmo constante de inovações que conciliam o crescimento econômico com a responsabilidade socioambiental.

O PRAD tem como foco principal a restauração da vegetação nativa nas margens de rios que desaguam diretamente no complexo estuarino de Paranaguá. A medida foi desenhada para diminuir o carregamento de sedimentos rumo às vias navegáveis, o que, consequentemente, reduz a necessidade de intervenções frequentes de dragagem de manutenção, assegurando a profundidade adequada para o tráfego seguro de navios.

O escopo do programa ambiental abrange a recuperação de 40 hectares de Áreas de Preservação Permanente situadas no município de Antonina, localizado na região litorânea do Paraná. A iniciativa articula frentes de conservação da natureza, apoio à produção sustentável de alimentos, fomento à geração de renda para comunidades tradicionais, além de ações contínuas de educação ambiental e engajamento comunitário.

Os reflexos positivos da iniciativa estendem-se muito além dos trechos diretamente contemplados pelas mudas plantadas. A recomposição florestal auxilia na preservação da biodiversidade da Mata Atlântica, otimiza a fixação natural de carbono e reforça a blindagem dos recursos hídricos da região. Dessa forma, a engenharia e o respeito ao meio ambiente caminham lado a lado para garantir a perenidade e a competitividade do complexo portuário paranaense nos próximos anos.

Fonte:: parana.pr.gov.br

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