Após uma passagem curta e marcada por impasses logísticos e saudades da terra natal, o jovem meio-campista Kukri, de 19 anos, teve sua saída oficializada pelo Coritiba. O destino do atleta será o Paysandu, clube com o qual firmou vínculo por empréstimo válido até o encerramento da temporada de 2027, incluindo uma cláusula com opção de compra definitiva ao término do contrato.
As tratativas entre as diretorias envolveram o pagamento de R$ 100 mil por parte da equipe paraense para assegurar o empréstimo, além da total responsabilidade pelo pagamento dos salários do atleta durante todo o período em que estiver no clube. O Coritiba, que mantinha os direitos de utilização do jogador por meio de um acordo de cessão com o Águia de Marabá, optou por encerrar antecipadamente a experiência em Curitiba.
Apesar de liberar o atleta, a diretoria alviverde assegurou a retenção de 20% dos direitos econômicos do jovem promissor, visando lucrar com uma eventual negociação no futuro. Inicialmente, o planejamento do clube paraense prevê a integração de Kukri à categoria sub-20, mas com uma dinâmica flexível que permita treinamentos frequentes junto ao elenco profissional, podendo inclusive figurar entre os relacionados para os confrontos do Papão na Série C do Campeonato Brasileiro.
A trajetória curta e os conflitos de adaptação no Coritiba
O vínculo entre Kukri e o Coritiba teve início em abril do ano passado, quando o atleta desembarcou na capital paranaense por empréstimo junto ao Águia de Marabá. No entanto, sua apresentação oficial aos torcedores e à comissão técnica ocorreu apenas em junho, já que o jogador cumpria compromissos pelo clube paraense durante a disputa da Copa Verde.
Já integrado ao CT da base alviverde, o meia passou a treinar com o grupo sub-20 e chegou a ter sua documentação regularizada para o Campeonato Brasileiro da categoria. Contudo, como sua chegada aconteceu na reta final da primeira fase do torneio nacional, ele acabou não tendo oportunidades de atuar em partidas oficiais com a camisa coritibana.
Nos primeiros meses, a avaliação interna da comissão técnica e da diretoria era de que o processo de adaptação caminhava de maneira satisfatória. A expectativa no entorno do Águia de Marabá era de que a vivência no Sul do país funcionasse como um trampolim para o amadurecimento profissional do atleta.
O cenário sofreções drásticas modificações durante o período de recesso da categoria, em julho. Ao retornar para a sua aldeia, localizada no sudeste paraense, Kukri optou por estender a permanência junto aos seus familiares e não retornou a Curitiba na data estipulada pelo planejamento interno do clube paranaense.
Diante do sumiço temporário, a diretoria do Coritiba acionou formalmente os representantes do Águia de Marabá e o próprio estafe do atleta para tentar esclarecer os motivos da ausência. Durante os dias de incerteza, até mesmo dirigentes do clube do Pará relataram dificuldades para estabelecer contato direto com o jovem.
Após intensas conversas e mediações entre as partes envolvidas, o meia retornou a Curitiba e chegou a se reapresentar ao clube na sexta-feira anterior. A trégua, contudo, durou pouco tempo. Na segunda-feira seguinte, o jogador optou novamente por deixar a capital paranaense e regressou para Marabá, selando o fim definitivo da sua história no Alto da Glória.
Propostas anteriores recusadas por apego familiar
A dificuldade em manter-se distante de sua comunidade de origem não é um fato isolado na carreira de Kukri. Em 2024, após despontar como um dos principais destaques das divisões de base do Águia de Marabá, o meio-campista viveu um período de testes nas categorias de base do Palmeiras.
Embora o clube paulista tenha manifestado forte interesse em adquirir seus direitos e mantê-lo em São Paulo, o atleta optou por retornar ao estado natal, alegando forte saudade de casa. O mesmo roteiro se repetiu quando recebeu sondagens e propostas para integrar as fileiras do Fortaleza, onde novamente preferiu declinar da oferta para permanecer perto de suas raízes.
A forte conexão com a família, os costumes e a comunidade indígena sempre pesou como fator primordial nas escolhas sobre o futuro da sua carreira. Quando aceitou o desafio de defender o Coritiba, o planejamento estratégico apresentado pela diretoria paranaense havia convencido o jovem a dar mais uma chance ao futebol fora de sua região de origem, ciclo que agora se encerra com a transferência para o futebol paraense.
Fonte:: umdoisesportes.com.br


