Protestos de trabalhadores continuam e pressionam o presidente da Bolívia

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

Na última sexta-feira, 22, milhares de manifestantes tomaram as ruas de La Paz, a capital política da Bolívia, exigindo a renúncia do presidente de centro-direita Rodrigo Paz. O dia foi marcado por intensos protestos, que resultaram em confrontos entre os manifestantes e a polícia de choque, além de novas solicitações do governo para iniciar um diálogo.

Rodrigo Paz, que assumiu o cargo em novembro de 2025, enfrenta uma crescente pressão devido a uma onda de manifestações, mesmo após sua promessa de ouvir os setores sociais que clamam por soluções para a crise econômica mais grave vivida pela Bolívia em quatro décadas. Os protestos são liderados por trabalhadores de diversos setores, como camponeses, mineradores, professores e transportadores, que desceram da cidade de El Alto para La Paz, munidos de capacetes e ponchos, e com bandeiras indígenas em punho.

De acordo com jornalistas da AFP, os manifestantes, em meio a nuvens de gás lacrimogêneo, avançaram pelo centro da cidade, mas foram repelidos pelas forças de choque, que responderam aos ataques com bombas de gás e outras formas de contenção. A multidão expressava sua indignação com gritos de ordem, clamando pela saída do presidente. O repique de fogos de artifício e os gritos de protesto transformaram as ruas da capital, que já enfrentam bloqueios há três semanas, em um cenário de tensão.

A situação na cidade é crítica, com a escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos levando ao fechamento de muitos estabelecimentos, enquanto ambulantes temiam saques. Em uma demonstração de força, um grupo de moradores de El Alto conseguiu bloquear temporariamente os acessos ao aeroporto da região.

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Resposta do governo

Embora a situação tenha se acalmado temporariamente à tarde, uma macha de centenas de pessoas se mobilizou pelo centro, protestando contra os bloqueios. Em resposta à crise, o governo anunciou a reorganização de seu gabinete, buscando incluir membros que tenham a capacidade de ouvir as demandas populares. Na quinta-feira, 21, foi nomeado um novo ministro do Trabalho, marcando a primeira mudança no elenco ministerial.

Os bloqueios, que já somam quase cinquenta em diferentes regiões do país, têm causado prejuízos significativos. O governo revelou que quatro pessoas perderam a vida devido à dificuldade em acessar serviços médicos em situações de emergência. A situação exigiu uma resposta urgente, e o Ministério do Governo anunciou uma operação policial e militar para facilitar o transporte de cargas essenciais para a capital a partir do próximo sábado, 23.

Óscar Justiniano, ministro do Desenvolvimento Produtivo, convocou os camponeses aimarás para um diálogo, enfatizando a necessidade urgente de resolver as questões que afetam a população. Entre os protestos, Melina Apaza, uma trabalhadora de 50 anos, expressou a frustração comum entre os manifestantes ao afirmar: “Seis meses de governo e ainda não conseguimos resolver o básico: os preços da cesta básica. Temos que escolher entre comprar carne ou leite”.

A escalada das reivindicações começou com pedidos por aumentos salariais e melhor qualidade nos combustíveis, mas logo se radicalizou, com a população exigindo medidas mais efetivas para estabilizar a economia, que enfrentou uma inflação anualizada de 14% em abril. A tensão se intensificou, com muitos manifestantes denunciando tentativas do governo de privatizar empresas estatais e explorar recursos naturais, como o lítio, um mineral estratégico para o país.

Desafios políticos

A renúncia de Rodrigo Paz é um tema cada vez mais debatido entre os manifestantes, especialmente considerando que ele assumiu o governo após um longo período de dominação socialista no país, liderado por Evo Morales e Luis Arce. Pacientes e frustrados com a falta de representação no parlamento, onde apenas 10 dos 130 deputados pertencem à esquerda, os manifestantes sentem-se cada vez mais desiludidos.

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O governo, por sua vez, alega que há interesses em perturbar a ordem democrática, insinuando que o ex-presidente Morales, recentemente foragido sob acusações de tráfico humano, estaria por trás das mobilizações. Ana Lucía Velasco, cientista política, comentou sobre a gravidade da situação: “Uma vez que as reivindicações chegaram a esse ponto, a negociação já se complica. Agora é uma guerra de desgaste”.

Os bloqueios de estradas são um fenômeno comum na Bolívia, que podem se espalhar rapidamente, sufocando áreas urbanas e gerando graves crises de abastecimento. Com a dificuldade em lidar com as vozes insatisfeitas das ruas, o futuro do governo de Paz se apresenta incerto, em meio a uma sociedade cada vez mais mobilizada e exigente por mudanças significativas.

Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.

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Fonte: estadao.com.br

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