Brasileiros utilizam inteligência artificial como apoio emocional e companhia

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

A inteligência artificial generativa tem deixado de ser apenas uma ferramenta utilitária para tarefas profissionais e acadêmicas no Brasil, passando a ocupar um espaço de suporte emocional, aconselhamento e até mesmo de companhia para muitos cidadãos. É o que revela a terceira edição da pesquisa “Privacidade e Proteção de Dados Pessoais: Perspectivas de Indivíduos, Empresas e Organizations Públicas no Brasil”, conduzida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), órgão vinculado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

O levantamento detalha o comportamento dos usuários e mapeia quais tipos de informações são mais frequentemente compartilhadas com essas plataformas tecnológicas. Embora o uso voltado a demandas profissionais e de estudo ainda lidere a lista, citado por 73% dos entrevistados, outras categorias chamam a atenção pela expressividade. Entre os dados fornecidos às IAs, aparecem preferências e gostos pessoais relacionados a filmes e músicas, mencionados por 58% das pessoas, seguidos de perto por relatos envolvendo sentimentos e emoções, que alcançam 54%.

Além do suporte psicológico informal buscado nas conversas com os algoritmos, a pesquisa aponta que 52% dos usuários inserem dados sensíveis de saúde, como sintomas físicos e resultados de exames. Metade dos participantes (50%) também relata o envio de fotografias próprias ou de pessoas conhecidas para as ferramentas. Por outro lado, frentes consideradas mais práticas ou burocráticas registraram índices menores, a exemplo de informações sobre finanças pessoais, como orçamentos e investimentos, citadas por 41%, e dados estritamente cadastrais, como nome, endereço, data de nascimento e CPF, que somam 37%.

Preocupações crescentes com a privacidade e o manuseio de dados

Apesar da alta adesão e da intimidade com que os brasileiros utilizam os sistemas de inteligência artificial generativa, o estudo evidencia um cenário de cautela e apreensão em relação à segurança das informações. A maioria dos usuários, equivalente a 66%, declara estar preocupada ou muito preocupada com a forma como as empresas desenvolvedoras dessas tecnologias utilizam seus dados pessoais.

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Esse sentimento de alerta não se distribui de maneira homogênea pela população. O grau de preocupação é ainda mais acentuado entre os indivíduos que combinam o uso de computadores e celulares para acessar os recursos (68%) e entre as fatias da população com maior nível de escolaridade, grupo no qual o índice de apreensão chega a 72%.

Especialistas apontam que a integração veloz dessas inovações tecnológicas à rotina diária impõe novos desafios regulatórios e sociais. O monitoramento contínuo torna-se indispensável não apenas para entender a expansão do consumo dessas ferramentas, mas principalmente para mensurar o volume de dados íntimos que a população expõe e quais medidas de salvaguarda estão sendo adotadas pelas companhias do setor.

Panorama da proteção de dados nas empresas nacionais

No âmbito corporativo, a pesquisa do Cetic.br mapeou como as organizações brasileiras lidam com a guarda de informações de clientes e usuários. Do total de empresas ouvidas, 69% confirmaram realizar o armazenamento de dados pessoais. No recorte de dados sensíveis, a biometria se mantém como o tipo de informação mais guardada pelas companhias, atingindo 31%, seguida de perto por registros de saúde, presentes em 26% dos negócios.

Um dado que desperta atenção diz respeito ao armazenamento de informações de menores de idade: 9% das empresas que guardam dados de clientes admitiram custodiar registros de pessoas com menos de 18 anos. Esse percentual salta consideravelmente quando analisado o porte e o setor de atuação, chegando a 21% entre as grandes corporações e a 19% em empresas ligadas aos segmentos de alojamento e alimentação.

A implementação de estruturas formais voltadas à conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) apresenta um quadro de estabilidade, mas com avanço lento em algumas instâncias burocráticas. Cerca de 40% das empresas realizaram reuniões específicas sobre o tema internamente, enquanto 32% optaram pela contratação de consultorias ou assessorias externas especializadas. No entanto, apenas 20% mantêm uma área ou colaboradores dedicados exclusivamente a atividades de proteção de dados, e um grupo restrito de 16% chegou a nomear formalmente um encarregado de proteção de dados, conhecido pela sigla DPO.

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Entre as iniciativas mais adotadas pelo setor corporativo para se adequar às exigências legais, destacam-se a alteração de contratos vigentes, citada por 30% das organizações, a criação de políticas internas voltadas ao uso de dados por parte dos funcionários (29%) e o desenvolvimento de diretrizes claras de privacidade (28%).

Desenvolvido com o apoio da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), o estudo consolida indicadores coletados por meio de frentes como o Painel TIC e as pesquisas TIC Empresas, TIC Governo, TIC Saúde e TIC Educação. O objetivo central é traçar um raio-x do ecossistema digital brasileiro, avaliando as percepções e práticas de cidadãos, empresas e o poder público. Os resultados completos e a metodologia detalhada da pesquisa podem ser consultados diretamente na página oficial do Cetic.br: https://cetic.br/pt/pesquisa/privacidade-e-protecao-de-dados-pessoais/.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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