Ranking do calote: As SAFs mais endividadas do Brasil

Marcelo Borges
5 min. de leitura
Cenário das SAFs e o endividamento de clubes. F...

Apesar das expectativas em torno das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) e sua promessa de transformar a gestão dos clubes brasileiros, as dívidas do futebol nacional atingiram um novo patamar recorde em dezembro de 2025. Esse cenário inclui várias SAFs que apresentam passivos substanciais.

De acordo com um levantamento realizado pela especializada Sports Value, o montante total das dívidas dos 20 principais clubes do Brasil alcançou a impressionante cifra de R$ 16 bilhões ao final da temporada passada, baseando-se nos balanços financeiros divulgados publicamente.

Atualmente, o Corinthians lidera a lista de endividados, com uma dívida de R$ 2,44 bilhões. Além disso, três SAFs estão entre os cinco clubes mais endividados do país: Atlético-MG, Botafogo e Cruzeiro. A seguir, os cinco principais endividamentos do Brasil:

  1. Corinthians: R$ 2,44 bilhões
  2. Atlético-MG (SAF): R$ 2,29 bilhões
  3. Botafogo (SAF): R$ 1,57 bilhão
  4. Cruzeiro (SAF): R$ 1,15 bilhão
  5. Palmeiras: R$ 1,14 bilhão

Prejuízos acumulados de 6 SAFs somam R$ 3,3 bilhões

O mesmo estudo ressalta as fragilidades do modelo de gestão adotado pelas SAFs brasileiras: “As SAFs estão seguindo o padrão dos ‘novos ricos’ da Europa, que injetam recursos externos para impulsionar suas equipes”, afirmam os especialistas da Sports Value.

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Os números são alarmantes, evidenciando que apenas a SAF do Vasco conseguiu encerrá-lo com um lucro positivo de R$ 81,2 milhões. Considerando os prejuízos acumulados do ano de 2025, as seis SAFs somaram R$ 1,47 bilhão. O detalhamento dos prejuízos é o seguinte:

  1. Atlético-MG: R$ 882,1 milhões
  2. Botafogo: R$ 290,9 milhões
  3. Bahia: R$ 154,6 milhões
  4. Cruzeiro: R$ 114,9 milhões
  5. Coritiba: R$ 114 milhões

No acumulado dos últimos quatro anos, que incluem desde 2022, os prejuízos dessas SAFs totalizam R$ 3,26 bilhões:

  1. Atlético-MG: R$ 1,23 bilhão
  2. Botafogo: R$ 862 milhões
  3. Bahia: R$ 544,9 milhões
  4. Vasco: R$ 245 milhões
  5. Cruzeiro: R$ 222,4 milhões
  6. Coritiba: R$ 157,9 milhões

Os desafios das SAFs no futebol brasileiro

Botafogo: Drama financeiro

O Botafogo exemplifica os desafios enfrentados pelas SAFs no Brasil. O clube carioca, após a implementação da SAF, viu sua dívida quase dobrar em relação aos valores anteriores à mudança. “O Botafogo vive um drama financeiro, apesar do sucesso nas competições”, afirmam os analistas. Os prejuízos acumulados só em 2025 chegaram a R$ 291 milhões, totalizando R$ 614 milhões nos últimos três anos.

Atlético-MG: Sem sustentabilidade financeira

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O Atlético-MG, por sua vez, apresentou em 2025 uma das maiores perdas registradas por um clube brasileiro em um único ano, totalizando R$ 882 milhões de prejuízo. A dívida geral do clube alcançou R$ 2,3 bilhões, pela primeira vez na história da equipe mineira. “A SAF do Atlético-MG é mais um exemplo de um modelo empresarial sem base sustentável”, conclui o relatório da Sports Value.

Bahia: Dependência de recursos externos

A situação do Bahia também merece atenção. Apesar de uma queda significativa na dívida total, que reduziu de R$ 821 milhões em 2024 para R$ 167,8 milhões em 2025, o resultado foi impulsionado por um aporte de R$ 907 milhões realizado pelo Grupo City, o controlador da SAF. Com prejuízos acumulados que já somam R$ 467 milhões em apenas três anos, o estudo critica a falta de regulamentação para um controle efetivo das SAFs, destacando a dependência excessiva de injeções financeiras de investidores.

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Cruzeiro: Patrocínios não sustentáveis

Por fim, as análises sobre a SAF do Cruzeiro revelam um padrão semelhante ao do Botafogo, onde grandes investimentos não garantem sustentabilidade financeira. O Cruzeiro destaca-se por ter receitas significativamente maiores em comparação ao padrão do futebol brasileiro, mas seu principal patrocinador é também o dono da SAF, levantando questões sobre a viabilidade do modelo. A Raposa acumula um prejuízo de R$ 285 milhões nos últimos dois anos, mesmo com os altos valores recebidos de patrocínios.

Fonte: umdoisesportes.com.br

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