Saúde do Paraná une campanhas de conscientização e amplia foco preventivo

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Saude.pr.gov.br

A Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) decidiu integrar as iniciativas voltadas à saúde feminina, tradicionalmente intensificadas no mês de outubro, com a programação oficial do Novembro Azul. A estratégia unificada, aprovada durante a 5ª Reunião Ordinária da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), abrange todo o estado do Paraná e busca reforçar a importância do diagnóstico precoce de enfermidades como o câncer de mama e de colo do útero, além de ampliar os cuidados essenciais com o público masculino, com ênfase na prevenção ao câncer de próstata.

O movimento Novembro Azul coloca em evidência a necessidade de maior atenção à saúde dos homens. Historicamente, fatores culturais fazem com que essa parcela da população busque com menor frequência os serviços de atendimento médico, negligencie exames de rotina e, como consequência direta, apresente índices de mortalidade superiores e precoces em comparação às mulheres. Estatísticas do Sistema de Informação da Mortalidade (SIM), vinculado ao Ministério da Saúde, indicam que foram contabilizados 48.322 óbitos de homens no período, enquanto o total de mortes femininas ficou em 39.632.

De acordo com a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes, ainda persiste uma cultura inadequada que afasta o homem dos consultórios preventivos. Para a gestora, a busca por atendimento médico ocorre frequentemente apenas após o surgimento de sintomas agudos. A adoção de hábitos de vida mais saudáveis e a realização periódica de exames são apontadas como medidas fundamentais para reverter estatísticas de mortalidade evitável e impedir o agravamento de patologias.

As estatísticas oficiais demonstram que as enfermidades do aparelho circulatório e respiratório — a exemplo de infartos, quadros de hipertensão arterial e insuficiência cardíaca — foram responsáveis por quase um quarto de todas as ocorrências fatais entre o público masculino. Em seguida, as neoplasias, que englobam tumores na próstata, pulmões, cólon e estômago, respondem por uma fatia significativa dos registros negativos.

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O infarto agudo do miocárdio manteve-se como a principal causa isolada de morte entre os homens, evidenciando a necessidade de controle rigoroso sobre os fatores de risco cardiovasculares. O atendimento oferecido pela rede pública de saúde por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza acompanhamento na atenção primária e acesso a procedimentos diagnósticos capazes de identificar precocemente alterações na saúde.

Prevenção masculina e exames fundamentais

No grupo das neoplasias, os tumores de próstata e de pulmão figuram entre os principais fatores de óbito, uma situação diretamente correlacionada à ausência de acompanhamento preventivo regular. No caso específico da próstata, as diretrizes médicas recomendam que os exames periódicos tenham início aos 45 anos para indivíduos com histórico familiar da doença, e aos 50 anos para aqueles que não apresentam antecedentes de risco na família.

O rastreamento envolve essencialmente duas abordagens clínicas: a dosagem do Antígeno Prostático Específico (PSA), realizada por meio de uma amostra de sangue para mensurar a proteína produzida pela glândula, e o exame de toque retal, procedimento físico conduzido por um urologista para verificar o tamanho, o formato e a consistência do órgão.

Já o câncer de pulmão mantém uma relação direta com o tabagismo, hábito que também eleva o risco para o desenvolvimento de outras formas de tumores e complicações sistêmicas. Embora haja registros da doença em pacientes que nunca fumaram, a grande maioria dos casos diagnosticados está associada ao consumo de produtos de tabaco.

Manutenção das ações voltadas à saúde da mulher

Em paralelo às iniciativas direcionadas aos homens, a Secretaria Estadual de Saúde preserva as frentes de atendimento e rastreamento focadas no público feminino iniciadas no ciclo anterior. Um dos destaques é a implementação gradual do teste molecular de DNA-HPV para a detecção precoce de alterações no colo do útero, com a distribuição prevista de mais de 300 mil kits em centenas de municípios paranaenses até a conclusão do ano.

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O novo procedimento tecnológico substitui progressivamente a citologia convencional, amplamente conhecida como exame Papanicolau. O teste de DNA-HPV apresenta uma sensibilidade superior na localização de lesões precursoras, ampliando as margens para o diagnóstico precoce e auxiliando no cumprimento de metas internacionais para a erradicação da doença.

Pelas diretrizes estabelecidas para o atendimento público, o rastreamento primário com essa metodologia é indicado prioritariamente para mulheres na faixa etária de 50 a 74 anos, com periodicidade bienal. Pacientes entre 40 e 49 anos, assim como aquelas com mais de 74 anos, também podem requerer a avaliação médica nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) após orientações profissionais sobre as indicações clínicas.

O programa itinerante da Carreta Saúde da Mulher continua operando no território paranaense, ofertando consultas com especialistas e exames direcionados ao rastreamento mamário e cervical. A estrutura tem beneficiado milhares de pacientes por meio de dezenas de milhares de procedimentos realizados em parceria com as gestões municipais.

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Completa o escopo de prevenção a imunização contra o papilomavírus humano (HPV), recomendada para adolescentes e jovens de 9 a 19 anos. A vacina permanece como o principal instrumento preventivo de longo prazo contra o câncer de colo de útero e outras manifestações associadas ao vírus, devendo ser administrada no público-alvo de ambos os sexos.

Fonte:: saude.pr.gov.br

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