Uso de medicamento para infarto e AVC pelo Samu no Paraná salva vidas

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Saude.pr.gov.br

O atendimento rápido a pacientes que sofrem de infarto agudo do miocárdio e de acidente vascular cerebral isquêmico ganhou um reforço estratégico na rede estadual de saúde do Paraná. Um protocolo implementado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria da Saúde, viabiliza a capacitação de equipes e a aplicação de medicamentos trombolíticos diretamente nos serviços de urgência e emergência, com foco na redução de mortes e sequelas graves.

Desde a implantação da iniciativa, em junho de 2020, o Sistema Único de Saúde já prestou atendimento a cerca de 2 mil pacientes que receberam o trombolítico para o tratamento de infarto. Além disso, somente a partir de maio de 2026, outras 80 pessoas foram beneficiadas com a medicação específica para o AVC isquêmico, com todos os procedimentos custeados integralmente pela pasta estadual.

Os trombolíticos funcionam como agentes farmacológicos capazes de dissolver coágulos sanguíneos que provocam a obstrução dos vasos no coração ou no cérebro. Com a desobstrução, o fluxo sanguíneo e a oxigenação na região afetada são restabelecidos, o que minimiza os danos severos causados por essas emergências médicas.

No cenário do infarto, o medicamento costuma ser indicado quando intervenções de alta complexidade, como a angioplastia para desobstruir artérias, não estão disponíveis no tempo ideal. Dessa forma, o paciente recebe a substância de forma precoce enquanto o transporte e a continuidade do suporte são organizados na rede de atendimento.

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A agilidade na administração desses fármacos impacta diretamente as estatísticas de mortalidade e morbidade. Dados do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência no Paraná mostram um volume expressivo de registros anuais para infarto agudo do miocárdio: foram 2.818 atendimentos em 2023, 3.792 em 2024, 3.675 em 2025 e 2.980 ocorrências computadas até o final de setembro de 2026.

De acordo com o secretário de Estado da Saúde, César Neves, a disponibilização dos trombolíticos representa um ganho expressivo em tempo de resposta e esperança de recuperação para os pacientes. O gestor ressalta que o diagnóstico precoce maximiza as chances de sobrevivência e diminui os riscos de incapacitações permanentes, reforçando o compromisso contínuo com a capacitação técnica das equipes diante de deslocamentos prolongados.

Capacitação e infraestrutura na rede pública

A estratégia adotada no Paraná vai além da simples distribuição dos insumos. Atualmente, o protocolo está presente em 20 hospitais de pequeno porte, Unidades de Pronto Atendimento e nas ambulâncias de Suporte Avançado de Vida do Samu. O fluxo conta com monitoramento em tempo real por meio de sistemas integrados, além de treinamentos online bimestrais e capacitações presenciais semestrais para os profissionais.

O médico de urgência e emergência da Secretaria da Saúde, Marcio Allan de Souza Alves, aponta que o investimento na preparação técnica é indispensável, visto que o medicamento possui alto custo e contraindicações rígidas, exigindo avaliações clínicas precisas sob forte pressão. Até o momento, o programa já alcançou cerca de 2.200 profissionais, entre médicos e enfermeiros, distribuídos estrategicamente nas macrorregiões paranaenses.

Nas UPAs, as equipes realizam o diagnóstico e iniciam o tratamento trombolítico tanto para infartos quanto para AVCs isquêmicos. No âmbito do Samu, o procedimento pode ser executado nas unidades habilitadas de suporte avançado após a avaliação médica.

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A gerente de Urgência e Emergência da pasta, Giovana Fratin, enfatiza que a integração do protocolo fortalece a linha de cuidado integral ao paciente. Atualmente, cerca de 10% dos pacientes elegíveis recebem o trombolítico, com perspectivas de ampliação gradual do acesso em todo o território estadual.

Resultados e expansão no litoral

Os reflexos positivos do protocolo já motivam estudos para a ampliação do modelo a outras regiões de saúde, fundamentados nos resultados obtidos no litoral paranaense. Somente no ano de 2026, as UPAs da região litorânea registraram 105 atendimentos de infarto conduzidos pela pasta, superando a somatória de todos os anos anteriores desde o início do monitoramento em 2020.

O impacto ficou ainda mais evidente durante as temporadas do programa Verão Maior Paraná. O período de maior circulação de pessoas apresentou um salto expressivo na identificação de ocorrências e na aplicação de trombolíticos, passando de 15 pacientes atendidos entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025 para 46 pessoas no mesmo período entre 2025 e 2026.

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Para as autoridades de saúde, o crescimento reflete a segurança e a capacitação das equipes médicas no pré-atendimento, consolidando um modelo integrado de assistência que serve como referência para a eficiência do sistema público no estado.

Fonte:: saude.pr.gov.br

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