Interpretação e leitura atenta são segredos para o sucesso na prova de Linguagens do Enem

Marcelo Borges
7 min. de leitura
Foto: © SKT Studio/ Adobe Stock

A habilidade de interpretar textos com precisão se consolidou como o principal diferencial para os estudantes que desejam obter um bom desempenho na prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O primeiro dia de aplicação do exame está agendado para o próximo dia 8 de novembro, colocando à prova a capacidade crítica de milhões de candidatos em todo o país.

Especialistas na área educacional apontam que, mais do que memorizar regras gramaticais ou conceitos teóricos isolados, o candidato precisa desenvolver uma sólida competência leitora. Uma das estratégias mais eficientes de preparação nesta reta final consiste na resolução de provas aplicadas em edições anteriores, o que permite ao aluno familiarizar-se com o padrão dos enunciados e com os contextos recorrentemente abordados pela banca examinadora.

O professor Eduardo Calbucci destaca que a estrutura da avaliação segue parâmetros bem definidos ao longo dos anos. “O Enem tem uma matriz de referência que é a mesma desde 2009. Então, a prova tem um grau de previsibilidade bastante grande”, afirma. “A primeira orientação que a gente dá aos alunos é estudar provas anteriores. As habilidades que estão sendo exigidas pelo Enem são as mesmas há 16, 17 anos”, complementa.

No mesmo sentido, o professor Eli Carlos Guimarães pontua que a verdadeira espinha dorsal da avaliação é a leitura minuciosa. Segundo ele, anualmente, mais de um terço das questões exige a análise aprofundada de diferentes gêneros textuais, tais como charges, artigos de opinião, resenhas, canções e postagens em plataformas digitais, além de tópicos voltados à variação linguística e às funções da linguagem. “O texto muda, mas a habilidade cobrada é totalmente previsível”, ressalta.

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Estratégias para otimizar o tempo e a compreensão na prova

Para o estudante Pedro Augusto Rocha Rodrigues, de 18 anos, o volume considerável de material escrito presente nos cadernos de questões representa um dos maiores obstáculos durante a realização do exame. A necessidade de processar grandes blocos de informação exige foco absoluto. “Como sempre, o Enem tem muito texto, uma coisa muito bruta para ser processada, digerida. Se você não entende o comando, não tem como você resolver a questão de uma forma adequada”, relata o jovem.

Para contornar essa dificuldade, o professor Eli Carlos Guimarães recomenda uma mudança tática na hora de abordar as perguntas: iniciar a leitura diretamente pelo comando da questão, situado logo abaixo do texto base.

“Sabendo exatamente o que a banca está pedindo, você vai para o texto com um olhar focado na informação correta. Dessa forma, você economiza tempo e evita releituras desnecessárias”, aconselha o docente.

À medida que a data da avaliação se aproxima, a recomendação pedagógica é intensificar a revisão de tópicos essenciais como as funções da linguagem, as variações linguísticas e os mecanismos de coesão textual. Dar atenção especial aos conectores — a exemplo de termos como “contudo”, “portanto” e “embora” — ajuda a compreender de que maneira as palavras se articulam para conferir sentido global às mensagens veiculadas.

O que priorizar nos estudos de Literatura

No campo da literatura, o segredo para uma boa pontuação reside na capacidade de estabelecer conexões consistentes entre o contexto histórico, o pensamento predominante de uma época e as características formais e temáticas das produções literárias. O professor Eli exemplifica que compreender o pano de fundo do Modernismo brasileiro e o impacto da Semana de Arte Moderna de 1922 facilita a assimilação das buscas estéticas e das novas formas de expressão artística que remodelaram o cenário cultural do país.

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Entre os autores e movimentos que merecem destaque nas revisões finais, o especialista aponta:

“Modernismo, principalmente a primeira e segunda fases, com Drummond, Graciliano Ramos, Cecília Meirelles, o realismo de Machado de Assis e o romantismo. Também ficar atento à literatura contemporânea, porque ela dá voz a pautas sociais, como as obras de Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus e a literatura indígena”.

Abordagem nas questões de língua estrangeira

A prova de língua estrangeira também exige dos candidatos posturas estratégicas bem definidas. No caso do Inglês, o professor Tiago Gentil ressalta que a cobrança vai muito além do vocabulário básico ou da gramática tradicional.

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“O Enem tende a empregar não somente textos e interpretação, mas a relação entre imagens, diagramas, situações do dia a dia e documentos. Não é se ater somente ao vocabulário, à gramática, mas se atentar a contextos, à mensagem global do que está sendo dito”, explica Gentil, lembrando que a presença de poemas em inglês tem se tornado frequente nas edições mais recentes do exame.

Já para os candidatos que optam pelo Espanhol, um dos principais cuidados envolve a identificação de falsos cognatos — termos cuja grafia é semelhante à do português, mas cujos significados divergem radicalmente. O alerta é feito pelo professor Júlio Manuel Sanchez Tello.

“Por exemplo: para nós, falantes da língua espanhola, algo esquisito é algo requintado, é algo saboroso, é algo delicioso. Não o esquisito de raro, de raridade e rareza como seria na língua portuguesa”, exemplifica.

O docente acrescenta que a estrutura da prova de Espanhol costuma ser enxuta, reunindo geralmente dois ou três textos na língua estrangeira acompanhados por cinco questões formuladas em português, com foco estrito na interpretação. “Gramática pura aparece pouquíssimo. Sinônimos e antônimos aparecem dentro do contexto do próprio texto. A sintaxe é raríssima”, conclui.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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