Tóquio cobra postura diplomática de Pequim após tratamento informal à líder japonesa

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Redação

O governo do Japão manifestou formalmente seu descontentamento e pediu que a China adote o devido respeito institucional em relação à primeira-ministra nipônica, Sanae Takaichi. O atrito diplomático ocorreu após um representante oficial do governo chinês se referir à premiê do Japão apenas pelo seu nome de batismo, suprimindo qualquer título de tratamento oficial durante um pronunciamento público.

Em declarações concedidas nesta quarta-feira, dia 7, Toshihiro Kitamura, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Japão, confirmou que Tóquio já transmitiu oficialmente a sua preocupação às autoridades de Pequim. O mal-estar foi gerado pela conduta de Guo Jiakun, porta-voz da chancelaria chinesa, que utilizou termos informais ao mencionar Sanae Takaichi durante uma entrevista coletiva realizada no final do mês passado.

As relações bilaterais entre Japão e China já atravessavam um momento de histórico desgaste e tensão acentuada. O cenário político internacional agravou-se consideravelmente depois que Takaichi declarou publicamente que o governo de Tóquio poderia adotar medidas de intervenção militar caso ocorresse uma ofensiva da China contra Taiwan, território autônomo e democrático reivindicado por Pequim.

Durante a coletiva de imprensa realizada em 30 de setembro, Guo Jiakun abordava discussões internas do cenário político japonês relativas ao debate sobre a possível aquisição de armamento nuclear e submarinos de propulsão atômica pelo país asiático quando se referiu à premiê sem as devidas honrarias diplomáticas.

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Embora Toshihiro Kitamura tenha evitado rebater diretamente o conteúdo das declarações feitas por seu homólogo chinês, ele enfatizou a importância das normas de convivência entre nações durante sua sabatina regular com jornalistas. “Mesmo quando existem divergências profundas em nossas posições políticas, acredito que, por uma questão elementar de protocolo internacional, é perfeitamente natural demonstrar o respeito adequado ao dirigente de qualquer outro Estado”, pontuou o diplomata japonês.

“Estamos transmitindo essa nossa posição de maneira firme e adequada ao governo chinês”, acrescentou Kitamura, evidenciando o esforço de Tóquio em estabelecer limites claros na comunicação bilateral.

Em paralelo ao imbróglio diplomático, parlamentares japoneses realizaram viagens oficiais ao território chinês ao longo das últimas semanas. A movimentação faz parte de uma tentativa bilateral de arrefecer os ânimos e buscar canais de diálogo para conter a escalada das tensões entre as potências asiáticas.

Recentemente, em meio aos esforços para modular o tom das discussões, a primeira-ministra Sanae Takaichi buscou adotar uma retórica conciliatória ao definir a China como um “vizinho importante” para o arquipélago, reforçando o compromisso de trabalhar em prol de uma relação construtiva e estável entre os dois países vizinhos.

Fonte:: estadao.com.br

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