O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, rejeitou nesta segunda-feira, 19, a informação de que teria ocorrido uma suspensão no compartilhamento de dados de inteligência com a Ucrânia. Na ocasião, o representante do governo norte-americano também instou o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, a direcionar seus esforços para o encerramento do conflito com a Rússia.
“Não houve nenhuma pausa”, declarou Rubio a profissionais da imprensa durante viagem oficial a Samarkand, no Uzbequistão.
Anteriormente, Zelenski havia declarado que Washington havia retomado a troca de informações estratégicas com Kiev depois de um período de paralisação. As forças ucranianas dependem da rede de internet via satélite Starlink — operada pela SpaceX, companhia do empresário Elon Musk — para coordenar suas manobras defensivas frente às tropas russas. De acordo com o líder ucraniano, a conectividade havia sido interrompida na semana anterior.
“O que ele precisa fazer (…) é se concentrar em pôr fim à guerra”, reforçou o secretário de Estado.
Missão diplomática na Ásia Central
A viagem de Rubio marca o início de sua agenda diplomática na Ásia Central, cujo principal objetivo é estreitar parcerias comerciais com territórios abundantes em recursos naturais, além de expandir o alcance geopolítico dos Estados Unidos para fazer frente à crescente hegemonia da China na área.
O chefe da diplomacia americana desembarcou na noite de domingo em Samarkand, icônica localidade situada na antiga Rota da Seda. Na pauta estão previstas conversas com delegações do Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão, Turcomenistão e do próprio Uzbequistão, abrangendo temas econômicos e diplomáticos.
A comitiva liderada por Rubio conta com aproximadamente 200 empresários e foi estruturada com o apoio de Sergio Gor, encarregado especial do presidente Donald Trump para assuntos da Ásia Central e do Sul asiático. Gor, que também atua como embaixador dos Estados Unidos na Índia, é natural de Tashkent, capital uzbeque.
No final do ano passado, a administração de Trump recebeu os chefes de Estado das cinco nações da Ásia Central. Embora o território da região seja geograficamente comparável ao da União Europeia, sua população estimada é de cerca de 80 milhões de habitantes, destacando-se pela abundância de matérias-primas essenciais.
“Estamos nos preparando para esta visita há meses. Ela representa uma oportunidade extraordinária de fortalecer a presença dos Estados Unidos em uma região vital do mundo”, pontuou na última sexta-feira um alto funcionário do governo americano que preferiu manter o anonimato.
Cenário regional e próximos passos
Embora os cinco países mantenham laços históricos com Moscou nos setores energético, migratório e de segurança, a conjuntura tem sofrido alterações desde a deflagração da guerra na Ucrânia. A influência russa na região tem apresentado retração, ao passo que Pequim amplia sua presença econômica, consolidando-se como a principal parceira comercial desses governos.
Terminada a programação no território uzbeque, a agenda de Marco Rubio prevê um deslocamento para a Índia na noite de terça-feira, marcando sua segunda incursão oficial ao país asiático desde o mês de maio.
Fonte:: estadao.com.br


