Setor de apostas esportivas critica restrições e defende mercado regulamentado no Brasil

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

O mercado de apostas esportivas regulamentadas no Brasil reagiu de maneira enérgica ao anúncio de medidas governamentais que caminham para a proibição das chamadas bets no território nacional. Um manifesto conjunto assinado por importantes entidades do setor, incluindo o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e diversas operadoras devidamente licenciadas, argumenta de forma enfática que a mera proibição da atividade não representa uma estratégia eficaz de proteção à sociedade.

De acordo com o documento divulgado pelas associações, vetar a operação das empresas legalizadas não resultará no fim da prática dos jogos de azar no país. Pelo contrário, o setor sustenta que uma eventual proibição institucional teria o efeito colateral de empurrar os milhões de apostadores brasileiros em direção a plataformas clandestinas e sites ilegais. Nesses ambientes marginais, inexistem quaisquer mecanismos de controle, fiscalização governamental ou salvaguardas para a integridade financeira e emocional dos usuários.

Dados sobre o mercado regulado e proteção aos apostadores

As entidades do setor buscam evidenciar a importância e a capilaridade da atividade formalizada, apontando que atualmente existem cerca de 31 milhões de pessoas ativas em plataformas que operam dentro da legalidade no Brasil. Os defensores das bets argumentam que o ecossistema regulado implementou uma série de barreiras tecnológicas e sociais fundamentais para mitigar os riscos associados ao jogo compulsivo e ao endividamento.

Entre os recursos citados no manifesto estão os sistemas rigorosos de verificação de identidade por meio de checagem de idade e CPF, ferramentas de autoexclusão voluntária, políticas direcionadas à preservação da saúde mental dos usuários e restrições severas para impedir o acesso de beneficiários de programas sociais do governo.

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Estatísticas apresentadas pelas associações indicam que o mercado regulamentado já cumpriu medidas importantes de restrição, bloqueando aproximadamente 3 milhões de beneficiários de programas de transferência de renda e registrando 1,2 milhão de solicitações diretas de autoexclusão por parte de jogadores que reconheceram a necessidade de parar.

O avanço dos sites clandestinos

Outro ponto central levantado pelo manifesto diz respeito à dimensão e ao perigo representado pelo mercado informal de apostas. As entidades alertam que, embora o governo federal já tenha adotado medidas drásticas com o bloqueio de mais de 66 mil domínios de internet irregulares, a capilaridade do problema permanece alarmante, com milhares de endereços eletrônicos ainda ativos e o surgimento constante de novas páginas na rede.

Estimativas do setor apontam que o mercado clandestino já responde por impressionantes 41% de todo o volume financeiro apostado no país. Os representantes das operadoras legais argumentam que, caso o mercado formal seja extinto por decreto ou nova legislação restritiva, a totalidade dessa demanda massiva migraria imediatamente para a ilegalidade, deixando o consumidor totalmente desamparado.

Em substituição à proibição total, o setor propõe o fortalecimento das instâncias de fiscalização estatal, a implementação de limites rigorosos para valores de depósito e tempo de permanência nas plataformas, a adoção de regras mais restritivas para campanhas publicitárias e o direcionamento de esforços contínuos no combate implacável aos sites que operam à margem da lei.

Impactos jurídicos e financeiros

A discussão também envolve contestações jurídicas e financeiras em torno dos investimentos realizados pelas empresas que obtiveram autorização para atuar no mercado brasileiro. A outorga paga pelas companhias representa uma contrapartida financeira para a exploração do serviço de apostas de quota fixa pelo período de cinco anos.

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Plínio Lemos Jorge, presidente da ANJL, explicou que eventuais pedidos de ressarcimento por parte das empresas afetadas não se limitariam apenas ao valor pago pelas licenças, estimado em cerca de R$ 30 milhões por outorga, mas abrangeriam também indenizações por danos materiais decorrentes de todos os investimentos estruturais e operacionais realizados pelas companhias no país, além de possíveis reparações por danos morais.

Cronograma prático para os apostadores

Diante das diretrizes estabelecidas e das movimentações regulatórias, o calendário prático para a transição e o encerramento das atividades nas plataformas compreende etapas bem definidas para a salvaguarda dos saldos dos usuários:

  • Até as 23h59 de 5 de outubro: Período em que os apostadores devem realizar voluntariamente a retirada de seus saldos e recursos financeiros disponíveis nas plataformas de apostas.
  • A partir de 6 de outubro: Os sites e aplicativos de apostas deverão sair oficialmente do ar, encerrando a aceitação de novas apostas.
  • Entre 7 e 8 de outubro: Prazo no qual as operadoras de apostas deverão informar formalmente aos bancos parceiros os montantes exatos de saldos remanescentes em contas vinculadas a cada CPF.
  • Entre 9 e 14 de outubro: Período destinado à realização, pelas instituições bancárias, da devolução integral dos saldos retidos aos respectivos titulares.
  • A partir de 14 de outubro: Caso ocorra qualquer tipo de impedimento técnico ou operacional na restituição, a Caixa Econômica Federal passará a intermediar o processo de devolução dos valores aos apostadores.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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