Startup incubada pelo Tecpar desenvolve tecnologia para aprimorar produção farmacêutica no país

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Foto: Divulgação / Seti.pr.gov.br

A Biovarts Indústria Farmacêutica, uma startup em processo de incubação no Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), está inovando ao desenvolver uma tecnologia para a produção de microesferas cristalinas farmacêuticas. Essa novidade promete não apenas reduzir os custos de fabricação, mas também aumentar a eficácia dos medicamentos e diminuir a dependência do Brasil em insumos importados.

A introdução dessa tecnologia pode posicionar o Brasil em um novo patamar na produção de medicamentos, uma vez que a fabricação de microesferas representa uma área ainda pouco explorada na indústria farmacêutica nacional. Apesar de serem praticamente invisíveis a olho nu, as microesferas desempenham um papel fundamental na medicina moderna. Elas são compostas por celulose ou açúcar, e são utilizadas para proteger os princípios ativos dos medicamentos, além de permitir uma liberação controlada no organismo. Isso resulta em um aumento na estabilidade, absorção e eficiência dos tratamentos.

No momento, a equipe da Biovarts, com o apoio da Incubadora Tecnológica do Tecpar (Intec), está se dedicando ao aprimoramento da formulação e ao desenvolvimento de maquinários que atendam a um elevado padrão de qualidade na produção das microesferas.

Tecnologia estratégica

Atualmente, uma parcela significativa dos insumos utilizados pela indústria farmacêutica no Brasil é importada. Isso significa que, muitas vezes, os medicamentos e as matérias-primas chegam ao país em um estado quase pronto, o que limita a autonomia tecnológica do Brasil. A proposta da Biovarts visa inverter essa situação, ao desenvolver microesferas farmacêuticas em diferentes tamanhos, incluindo faixas consideradas altamente complexas, entre 100 e 250 microns. Este é um segmento atualmente dominado por poucos fabricantes especializados no mundo.

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Essas microesferas podem ser aplicadas em medicamentos de liberação prolongada, vitaminas, suplementos e em tratamentos que requerem proteção contra fatores como umidade, oxidação e degradação dos princípios ativos. As vantagens dessa tecnologia incluem uma maior estabilidade dos medicamentos, uma melhor absorção pelo organismo e a simplificação dos processos de produção, que resultam em uma redução das etapas industriais e, consequentemente, dos custos de fabricação.

Além do setor farmacêutico, a tecnologia desenvolvida pela empresa possui potencial para ser utilizada em diversas áreas industriais, como filtros, baterias e processos químicos. Entretanto, neste momento, o foco da startup está voltado exclusivamente para o setor da saúde.

Parceria

A entrada da Biovarts na Incubadora do Tecpar representa um avanço importante na consolidação da empresa. A incubação oferece suporte técnico, assessorias especializadas, conexões estratégicas e acesso a um ecossistema de inovação que tem impulsionado o surgimento e a consolidação de empresas de base tecnológica no Paraná.

Alessandro Padilha, um dos sócios da Biovarts, afirma que esse suporte é crucial para transformar uma tecnologia promissora em uma solução que tenha um impacto significativo em nível nacional. “Nossa entrada no Tecpar é um divisor de águas para a Biovarts, já que o setor farmacêutico é um dos que mais cresce no mundo, e o Brasil ainda depende da importação de matérias-primas. Associar-se à incubadora do Tecpar viabiliza o nosso desenvolvimento tecnológico, permitindo que a produção de medicamentos genéricos tenha um custo pelo menos 30% inferior ao que é a referência atualmente”, explica Padilha.

“Isso não só beneficia a economia, como também coloca o Paraná e o Brasil no mapa do desenvolvimento de primeira linha, promovendo saúde acessível à população”, completa.

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Inovação

O diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, ressalta que iniciativas como a da Biovarts evidenciam o potencial da inovação brasileira para enfrentar desafios estratégicos. “A missão do Tecpar é promover o desenvolvimento de tecnologias que gerem impacto econômico e social. Projetos como o da Biovarts demonstram que o conhecimento científico, aliado ao empreendedorismo e à inovação, pode criar soluções que fortalecerão a indústria nacional, aumentando a competitividade do Brasil e gerando benefícios diretos para a população. Esse é precisamente o tipo de iniciativa que buscamos fomentar por meio da incubação e dos programas de apoio tecnológico do nosso instituto”, conclui Marafon.

Edital aberto

Estão abertas as inscrições para o edital de chamamento público da incubadora tecnológica do Creative Hub, referente ao ciclo de 2026. Empresas ou startups que estejam desenvolvendo soluções inovadoras de base tecnológica em áreas como saúde, bioprodutos, turismo, cidades inteligentes, sustentabilidade ambiental e energias renováveis podem se inscrever.

Os interessados devem apresentar propostas de produtos, serviços ou modelos de negócio inovadores, que serão avaliados de acordo com critérios estabelecidos por uma banca examinadora. Para mais informações, consulte o edital disponível.

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Fonte:: seti.pr.gov.br

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