Assembleia geral da ONU aprova nova resolução contra embargo americano a cuba

Marcelo Borges
3 min. de leitura
Foto: © REUTERS/Mike Segar

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, em uma sessão realizada nesta quarta-feira (28), uma nova resolução contrária ao embargo econômico unilateral mantido pelos Estados Unidos contra Cuba. A medida reforça o apelo internacional pela suspensão das sanções impostas à ilha caribenha ao longo de décadas.

O texto recebeu 130 votos favoráveis, incluindo o posicionamento do Brasil, além de registrar 17 votos contrários e 25 abstenções. Analistas apontam que o resultado representou o menor patamar de apoio ao fim do bloqueio em um período de 30 anos. Essa redução no volume de votos favoráveis é atribuída diretamente a uma intensa campanha diplomática exercida pelos Estados Unidos junto a nações aliadas para tentar barrar a aprovação da medida.

A votação de resoluções com esse teor na Organização das Nações Unidas (ONU) é um evento recorrente que já ocorreu em 33 ocasiões históricas. O panorama de apoio sofreu variações significativas desde o primeiro pleito sobre o tema, realizado em 1992, quando 59 países votaram pela derrubada das restrições. O ápice do endosso internacional ocorreu entre os anos de 2015 e 2017, período em que 191 países se posicionaram pelo fim do embargo. Essa fase coincidiu com a gestão do ex-presidente norte-americano Barack Obama, marcado por iniciativas de reaproximação diplomática entre Washington e Havana.

Historicamente, a diplomacia brasileira tem mantido o voto favorável ao fim do bloqueio econômico. No entanto, o alinhamento sofreu alterações pontuais durante a administração do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), quando o país votou de maneira contrária à resolução em 2019 e optou pela abstenção nos anos de 2021 e 2022.

- Publicidade-

Crise humanitária e impacto das sanções

O embargo econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba teve início formal na década de 1960. A medida restritiva foi adotada por Washington como resposta e retaliação à revolução cubana consolidada em 1959, alterando drasticamente as relações geopolíticas no continente americano.

Nos últimos tempos, o governo liderado por Donald Trump intensificou o rigor das sanções aplicadas à ilha, cenário que aprofundou severamente a crise econômica local. O impacto das medidas restritivas tem provocado desabastecimento generalizado e dificuldades operacionais crônicas no país, refletindo na escassez crônica de energia elétrica, combustíveis, gás de cozinha, insumos médicos e outros serviços fundamentais para a população. Paralelamente a esse quadro de estrangulamento econômico, a inflação acumulada no país registrou um salto de 25% na comparação com o ano anterior de 2025.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhe esta notícia