Associação de telecomunicações pede debate técnico sobre alíquota da reforma tributária

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

A discussão em torno dos impactos da Reforma Tributária no setor de telecomunicações ganhou um novo capítulo com o posicionamento da Associação NEO. Por meio de um comunicado oficial voltado à imprensa, a entidade manifestou profunda apreensão diante da alíquota de 11,3% sugerida pelo Tribunal de Contas da União para a Contribuição sobre Bens e Serviços no ano de 2027, índice que ainda passará pelo crivo e votação no Senado Federal.

Para a organização, o atual cenário exige a abertura imediata de um diálogo técnico e aprofundado com os provedores de internet e empresas do setor. O objetivo principal é avaliar com cautela os reflexos dessa carga tributária sobre o mercado, com atenção especial voltada às Prestadoras de Pequeno Porte. Essas empresas desempenham um papel socioeconômico vital no país, sendo responsáveis por levar a conexão de banda larga a milhares de municípios brasileiros que muitas vezes ficam à margem dos grandes investimentos das gigantes do setor.

Diante das incertezas regulatórias e fiscais, a associação pontuou uma série de diretrizes e questionamentos que necessitam de esclarecimentos urgentes para garantir a segurança jurídica do mercado:

  • Transparência no cálculo da alíquota de referência: A Emenda Constitucional da reforma foi estruturada sob o princípio da neutralidade, cuja premissa básica é a preservação da carga tributária atual. Por essa razão, os cálculos oficiais devem englobar de forma conjunta a CBS, o Imposto Seletivo e o IPI, exigindo que todas as premissas matemáticas e econômicas sejam abertas e transparentes para a sociedade e os agentes econômicos.
  • Avaliação rigorosa no Senado Federal: O valor definitivo da alíquota precisa ser debatido e calibrado com cautela pelos senadores, servindo como um filtro de proteção para evitar distorções na economia digital.
  • Impacto real dos créditos tributários: É fundamental analisar de maneira pragmática o efeito prático dos créditos tributários, sem assumir de forma precipitada que eles serão suficientes para compensar eventuais elevações de alíquotas em toda a cadeia produtiva.
  • Diversidade estrutural do mercado: As simulações econômicas devem abranger a complexidade e a diversidade do mercado nacional, contemplando tanto a realidade financeira das grandes operadoras de telecomunicações quanto a dos provedores regionais de pequeno e médio porte.

A entidade alerta que, caso as projeções indiquem um aumento real na tributação efetiva do setor, as consequências negativas não tardarão a aparecer. O encarecimento recairá diretamente sobre os custos operacionais das empresas e, consequentemente, sobre os preços finais praticados ao consumidor. Essa dinâmica tem o potencial de paralisar ou adiar investimentos cruciais, como a expansão das redes de fibra óptica e a modernização da infraestrutura tecnológica do país.

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“Para o consumidor, isso significa menos opções e uma inclusão digital mais lenta”, destacam os representantes da organização no comunicado. Embora a promessa de simplificação fiscal trazida pela Reforma Tributária seja vista com bons olhos pelo mercado corporativo, a associação reforça que o benefício precisa se traduzir em realidade para as empresas e para as famílias brasileiras, sem criar barreiras que comprometam o avanço e a democratização da internet no Brasil.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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