RAMALLAH – O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, publicou nesta quinta-feira, 9, um decreto convocando eleições legislativas para o dia 28 de novembro, que acontecerão na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Esse será o primeiro pleito desse tipo em quase 20 anos.
As últimas eleições legislativas nos territórios palestinos ocorreram no início de 2006, quando o grupo Hamas conquistou a vitória, infligindo uma derrota significativa ao Fatah, partido de Abbas, que até então detinha o poder.
O Conselho Legislativo Palestino, que atua como o Parlamento da Autoridade Palestina sob presidência de Abbas, não se reúne desde 2007. O decreto presidencial ressalta a convocação à população palestina, tanto em Jerusalém quanto nas duas regiões mencionadas, para que participem de eleições legislativas diretas e livres.
Recentemente, na segunda-feira, 6, o Hamas anunciou a dissolução da autoridade que governou a Faixa de Gaza por quase duas décadas, indicando uma transição para um comitê tecnocrático que administrará o território. Além disso, o grupo também desfez o comitê, facilitando a passagem para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês).
O NCAG foi criado durante as negociações que resultaram em um cessar-fogo entre o Hamas e Israel, em outubro de 2025, sob a presidência de Donald Trump nos Estados Unidos. Esta mudança representa um importante desvio na postura do Hamas, que, após os confrontos com o Fatah em 2007, estabeleceu seu controle sobre a região.
Mahmoud Abbas, que atualmente tem 90 anos, venceu a última eleição presidencial palestina em 2005 e detinha um mandato de quatro anos que, em termos práticos, expirou em 2009. Desde então, seu mandato foi prolongado sem a realização de novas eleições presidenciais, levando-o a governar por meio de decretos, enfrentando críticas tanto internas quanto externas.

Em 2021, Abbas havia anunciado a realização de eleições legislativas e presidenciais para maio e julho desse ano, porém, essas votações foram adiadas indefinidamente devido à falta de garantias para a votação em Jerusalém Leste, uma área majoritariamente árabe sob ocupação israelense desde 1967.
No mês de abril deste ano, os palestinos realizaram suas eleições municipais na Cisjordânia ocupada, marcando a primeira participação nas urnas desde o início do conflito em Gaza, em outubro de 2023.
A convocação das eleições é uma resposta às demandas da comunidade internacional, que condiciona o apoio financeiro à Autoridade Palestina à implementação de reformas significativas. A entidade tem enfrentado críticas de corrupção e ineficácia, o que levou muitos doadores a estipular a realização de reformas como condição para o suporte financeiro e diplomático.
Em junho, Abbas afirmou que planejava convocar eleições presidenciais para o início de 2027, mas não revelou se pretende se candidatar novamente.
Fonte: estadao.com.br


