Câmara aprova novas diretrizes para fortalecer o futebol feminino no Brasil

Marcelo Borges
6 min. de leitura
© Lívia Villas Boas/Staff Images/CBF/Direitos R...

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, em sessão realizada nesta quinta-feira (13), o Projeto de Lei (PL) 4.578/2025, que estabelece diretrizes abrangentes para a política de promoção do futebol feminino em todo o território nacional. Entre as principais mudanças trazidas pela nova legislação, destaca-se a imposição de limites para a inscrição de jogadoras que ainda não possuem status profissional nas principais competições do país.

Originado a partir de uma proposição do Poder Executivo, o texto eleva o desenvolvimento da modalidade feminina ao patamar de prioridade dentro das políticas públicas voltadas para o esporte no Brasil. Com isso, atribui-se formalmente ao Ministério do Esporte a responsabilidade direta de incentivar, fomentar e consolidar o futebol praticado por mulheres brasileiras.

A relatora da matéria, deputada Jack Rocha (PT-ES), enfatizou em seu parecer que a aprovação do projeto ganha um peso estratégico ainda mais evidente com a proximidade da realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, que terá o Brasil como país-sede.

“A proposição representa importante instrumento para a adoção de uma estratégia de longo prazo voltada à superação das desigualdades historicamente impostas ao futebol feminino”, pontuou a parlamentar durante a tramitação da pauta na Casa Legislativa.

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Estímulo à profissionalização das atletas

Um dos pilares centrais da nova lei é a restrição gradual e controlada na inscrição de atletas amadoras ou não profissionais nas equipes que disputam campeonatos oficiais no país, medida cujo objetivo final é acelerar e consolidar a profissionalização da mão de obra feminina na modalidade.

De acordo com as regras estabelecidas pelo texto aprovado, a principal divisão dos campeonatos nacionais passará a permitir a inscrição de, no máximo, quatro atletas não profissionais por equipe participante. Já nas demais divisões inferiores, o limite máximo permitido será de até seis jogadoras sem vínculo profissional por time.

Além disso, a nova legislação determina que o Poder Executivo deverá atuar para reduzir esses limites de forma gradual e contínua, visando alcançar, futuramente, a total profissionalização de todas as equipes envolvidas nas competições oficiais de futebol feminino no Brasil.

Igualdade salarial, estrutura e direitos trabalhistas

O projeto aprovado pelos deputados também inova ao prever mecanismos de incentivo voltados à igualdade salarial entre homens e mulheres que atuam no universo do futebol. A proposta exige ainda que as entidades esportivas organizadoras publiquem o calendário oficial de partidas com a antecedência necessária para viabilizar um planejamento adequado tanto para os clubes quanto para as próprias atletas.

Outra exigência fundamental trazida pelo texto é a obrigação de que as organizações esportivas garantam exatamente a mesma estrutura física de suporte — o que inclui equipamentos de ponta e equipes multidisciplinares de apoio — que já é disponibilizada habitualmente para os times do futebol masculino.

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A proposta também altera formalmente a Lei Geral do Esporte, incluindo a exigência legal de que todas as organizações formadoras de atletas na modalidade de futebol mantenham obrigatoriamente equipes femininas em suas estruturas de base.

No campo administrativo e social, o texto estimula o aumento da participação feminina em cargos de liderança, gestão, arbitragem e direção técnica. As diretrizes também exigem a formulação prévia de um plano robusto para assegurar o legado esportivo e social da Copa do Mundo Feminina da FIFA de 2027.

Questões sensíveis ligadas aos direitos fundamentais também foram contempladas. O projeto assegura o respeito irrestrito aos direitos trabalhistas de mulheres gestantes e à maternidade, além de determinar a criação de protocolos rígidos de combate e punição a atos de discriminação, racismo e qualquer forma de violência contra as mulheres dentro do ecossistema do futebol.

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Futebol reconhecido como patrimônio cultural

Em uma votação complementar ocorrida na mesma sessão do plenário, os parlamentares também aprovaram o PL 1.842 de 2025. A nova matéria oficializa o reconhecimento do futebol como manifestação legítima da cultura nacional e como patrimônio imaterial cultural do povo brasileiro.

“O futebol é uma das mais significativas manifestações culturais brasileiras, com papel central na construção da identidade nacional e na coesão social, transcendendo o campo esportivo para influenciar a música, a literatura, o cinema e diversas outras expressões artísticas e culturais”, destacou o autor da iniciativa, deputado Helio Lopes (PL-RJ).

Com essa aprovação, o Poder Executivo passa a ter o dever de implementar políticas e ações contínuas voltadas para a salvaguarda, proteção e valorização do futebol em sua acepção mais ampla, garantindo a preservação da memória histórica e cultural dessa prática que molda a identidade do país.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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