Câmara e Senado defendem no STF validade da Lei da Dosimetria

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: © Agência Brasil

A Câmara dos Deputados e o Senado Federal manifestaram-se, nesta segunda-feira (18), a favor da validade da Lei da Dosimetria, que prevê a possibilidade de redução das penas para réus condenados pelos acontecimentos golpistas de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

As declarações foram encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) após o pedido do relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, que decidiu suspender a aplicação da normativa até haver uma decisão final sobre sua constitucionalidade.

Contexto da Lei da Dosimetria

A Lei da Dosimetria, oficialmente conhecida como Lei nº 15.402/2026, tem gerado polêmica desde sua aprovação, principalmente pelo impacto que pode ter sobre os réus envolvidos nos atos de insurreição. Ao criar a possibilidade de revisão das penas, a norma visa oferecer um tratamento mais brando a determinados casos, considerado por seus defensores como uma medida de justiça.

Posições do Legislativo

O Senado argumentou que a decisão de Moraes de suspender a lei deve ser revista, afirmando que essa suspensão pode gerar consequências “graves e potencialmente irreversíveis”. A advocacia da Casa destacou que a interrupção da aplicação da lei priva os condenados de um tratamento legal mais favorável, resultando em penas mais severas do que aquelas que seriam aplicadas se a lei estivesse em vigor.

- Publicidade-

O Senado defendeu que o plenário deve anular a decisão individual do ministro, reiterando que a norma deve ser considerada. Em sua argumentação, a Casa ressaltou: “Ao sustar a aplicação da Lei nº 15.402/2026, priva-se o condenado de lei mais benéfica em vigor, impondo-lhe, por decisão judicial provisória, regime de progressão mais gravoso do que aquele previsto pelo legislador”.

Por sua vez, a Câmara dos Deputados complementou que é prerrogativa do Congresso determinar a “palavra final” em relação ao veto presidencial sobre a matéria. Assim, a Casa afirmou a importância do papel do Legislativo no processo decisório, reforçando que a responsabilidade de derrubar o veto presidencial recai sob o Parlamento.

Desdobramentos jurídicos

Atualmente, há pelo menos três ações tramitando no Supremo Tribunal Federal que questionam a deliberação do Congresso que anulou o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à lei da dosimetria. Essas ações foram impetradas pela Federação PSOL-Rede, Federação PT, PCdoB e PV, além da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

A expectativa é de que a Corte julgue essas ações ainda neste mês, o que poderá definir o futuro da Lei da Dosimetria e suas implicações legais para os réus condenados pelos atos de janeiro. O debate em torno da norma reflete não só a intricada relação entre os poderes Executivo e Legislativo, mas também as tensões sociais e políticas que emergem de eventos considerados como tentativas de desestabilização da democracia no Brasil.

O desfecho das discussões sobre a lei é aguardado com grande expectativa, e as implicações de uma decisão do STF poderão afetar o cenário político e judicial do país. A discussão sobre a lei não termina apenas nas cortes, mas se estende à sociedade, que continua a debate sobre a justiça e a aplicação das leis no contexto atual.

- Publicidade-

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhe esta notícia