Os candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) movimentaram suas respectivas campanhas políticas em agendas públicas realizadas neste sábado (10), passando pelas regiões Nordeste e Sudeste do país.
Em um comício de grande proporção realizado na capital do Rio Grande do Norte, Natal, o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, concentrou seu discurso em comparações diretas sobre os investimentos direcionados à região Nordeste durante administrações passadas de oposição e os governos liderados pelo Partido dos Trabalhadores.
“Vocês sabem o que era o Nordeste antes do PT ganhar a Presidência. E vocês sabem o que virou depois que ganhamos”, declarou o presidente diante de apoiadores. O evento contou com a presença da governadora Fátima Bezerra, do candidato ao governo estadual Cadu de Lula, além de governadores eleitos e reeleitos de estados nordestinos, como Elmano de Freitas (Ceará), Jerônimo Rodrigues (Bahia), Rafael Fontes (Piauí) e Lucas Ribeiro (Paraíba).
Durante o ato, o chefe do Executivo federal destacou a importância de iniciativas voltadas para a permanência dos estudantes nas salas de aula. “O programa Pé de Meia foi uma revolução que fizemos para garantir que 500 mil jovens não desistissem do ensino médio, para ajudar no orçamento familiar. Tudo isso eles vão cortar. Porque a educação nesse país nunca despertou interesse da elite brasileira”, afirmou.

O candidato à reeleição também questionou a origem dos cortes previstos em uma proposta de redução orçamentária de R$ 250 bilhões apresentada publicamente pelo adversário Flávio Bolsonaro, embora a equipe do candidato do PL negue que o foco de eventuais reduções recaia sobre programas de assistência social.
“Não conheço ninguém da elite brasileira que governou esse país que teve coragem de cortar dos ricos, dos banqueiros, dos empresários, do sistema financeiro, dos fazendeiros. Eles sempre cortam dos pobres”, pontuou.
Ainda em seu discurso, ao abordar o cenário internacional e o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã, o presidente avaliou que as hostilidades no Oriente Médio provocam impactos negativos severos na economia global. No âmbito doméstico, ressaltou que a utilização de recursos provenientes da exportação de petróleo pela Petrobras tem ajudado a amortecer os reflexos da crise nos combustíveis comercializados no mercado interno, blindando o preço de itens essenciais para os consumidores brasileiros.
Moto-carreata e compromissos no Sudeste
Enquanto isso, no estado do Rio de Janeiro, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, participou de uma extensa moto-carreata em São Gonçalo, município da região metropolitana fluminense. Na ocasião, prometeu implementar ações voltadas para o avanço tecnológico, geração de empregos e desenvolvimento regional.
“Eu quero agradecer a vocês de coração. Eu tô aqui de corpo e alma, nas mãos de Deus e nos braços de vocês, para mudar o destino da nossa nação”, disse Flávio Bolsonaro, acompanhado pelo candidato ao governo estadual Douglas Ruas.
Durante a agenda, o candidato declarou que, caso vença o pleito, tem o desejo de receber a faixa presidencial das mãos de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso e condenado a 27 anos de reclusão devido a investigações relacionadas à tentativa de ruptura institucional no país.
Mais cedo, na capital fluminense, Flávio participou de um encontro voltado ao público feminino e prometeu priorizar o suporte às mães atípicas caso assuma o Palácio do Planalto. “Não vai ter um só dia no Rio de Janeiro que vocês não ouvirão falar sobre inclusão”, afirmou, ao lado da vice-governadora eleita Fernanda Louback e de Daniella Marques, integrante da coordenação do plano de governo do presidenciável.

Debate sobre inclusão e direitos sociais
De acordo com o candidato do PL, as diretrizes de inclusão deverão abranger de forma transversal todas as pastas ministeriais em uma eventual gestão federal. “Uma política transversal vai estar na educação, vai estar na segurança, na assistência social, no turismo, em todos os lugares”, pontuou.
A postura e as propostas de Flávio voltadas para as mulheres têm sido alvo de questionamentos por parte de opositores, visto que, durante a administração de Jair Bolsonaro, o ministério específico para políticas destinadas ao público feminino passou a incorporar também pautas de família e direitos humanos, enquanto pastas como Cultura e Esporte chegaram a ser extintas.
No que tange às políticas de inclusão educacional, a gestão anterior editou o decreto 10.502/2020, que posteriormente acabou sendo suspenso por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sob o argumento de que a norma poderia enfraquecer o modelo de inclusão escolar regular ao incentivar o direcionamento de estudantes com deficiência para instituições especializadas.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br


