Candidatos privados de liberdade realizam provas do vestibular da Uel no Paraná

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: Divulgação / Policiapenal.pr.gov.br

Quase quatrocentas pessoas privadas de liberdade participaram, nos dias 18 e 19 de outubro, das provas do processo seletivo da Universidade Estadual de Londrina (Uel). A ação foi viabilizada pela Polícia Penal do Paraná (PPPR), reforçando a educação como instrumento essencial para a reintegração social e a formulação de novos projetos de vida para os custodiados no estado.

As avaliações ocorreram em diferentes estruturas do sistema carcerário da região, abrangendo as unidades I, II e III da Penitenciaria Estadual de Londrina, o Centro de Ressocialização de Londrina (Creslon), a Cadeia Pública de Londrina e o Complexo Social.

Nesta edição do vestibular, os inscritos concorrem a vagas no ensino superior em diversas áreas acadêmicas. Entre as opções disputadas estão os cursos de Pedagogia, Matemática, Serviço Social, Jornalismo, História, Geografia, Agronomia, Nutrição, Ciências Biológicas, Ciências Sociais, Engenharia Elétrica, Direito, Engenharia Civil, Enfermagem, Letras e Administração.

De acordo com a chefe da Seção de Educação e Capacitação da PPPR, Lisiane Haag Antonelli, o volume expressivo de participantes evidencia a consolidação das políticas voltadas ao ensino dentro dos estabelecimentos penais paranaenses. A gestora destaca que a educação no cárcere cumpre um papel que transcende as exigências legais, figurando como um dos principais vetores para a transformação de trajetórias e a diminuição da reincidência criminal.

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Segundo Lisiane, o acesso ao ensino superior gera um impacto profundo ao devolver a dignidade e projetar horizontes concretos para o futuro dos detentos. Ela pontua que a articulação entre a administração penitenciária e as instituições de ensino superior é indispensável para garantir a infraestrutura necessária aos estudos.

Preparação pedagógica contínua

O suporte educacional aos vestibulandos é coordenado pelo Centro Estadual de Educação Básica de Jovens e Adultos (Ceebja) Profº Manoel Machado. Com o auxílio de equipes pedagógicas locais, as apostilas oficiais fornecidas pela Uel são reproduzidas e distribuídas aos alunos cadastrados no programa.

A diretora-geral do Ceebja Profº Manoel Machado, Ivoneide Parra, detalha que o acompanhamento acadêmico ocorre rotineiramente ao longo do ano letivo. O cronograma prioriza estudantes concluintes do ensino médio para a remissão de pena por meio da leitura, havendo, inclusive, alas específicas voltadas para essa rotina de estudos em determinadas unidades.

Além do material impresso, o Ceebja providenciou a aquisição dos livros obrigatórios exigidos pelo concurso. O conteúdo literário é abordado em sala por meio de resenhas, debates e rodas de conversa orientadas por docentes.

Rede de apoio e monitoria interna

A metodologia de ensino nos presídios integra um sistema colaborativo de monitoria. Detentos que já possuem diploma de ensino superior ou que já prestaram exames vestibulares anteriormente atuam auxiliando os colegas durante os estudos nas celas. O suporte acadêmico também conta com a colaboração voluntária de professores do cursinho pré-vestibular da Uel, que ministram palestras e orientações temáticas.

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Os reflexos dessa preparação aparecem tanto no desempenho acadêmico quanto na mudança de perspectiva após o cumprimento da pena. Relatos colhidos pela coordenação pedagógica indicam que a rotina de estudos promove impactos significativos na aprendizagem e na reestruturação pessoal dos participantes, com ex-detentos já inseridos no mercado de trabalho em áreas como enfermagem, administração e advocacia.

Para a administração penitenciária, a cooperação com a universidade pública demonstra que a segurança pública e a educação formal podem atuar de maneira conjunta para assegurar direitos constitucionais e fomentar uma sociedade mais segura e igualitária.

Fonte:: policiapenal.pr.gov.br

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