Em Cascavel, PPPR e Unioeste fortalecem reintegração social com projeto de ensino superior para apenados

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: Divulgação / Policiapenal.pr.gov.br

A Polícia Penal do Paraná (PPPR) deu um passo significativo no avanço das iniciativas de reintegração social de pessoas privadas de liberdade (PPL). Em colaboração com a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), a instituição participou da aula magna que assinalou o início do projeto “A Liberdade Tem Asas”, que visa oferecer cursos de ensino superior dentro do sistema prisional paranaense. O evento ocorreu no campus da Unioeste em Cascavel.

Esta iniciativa é parte das ações do programa Pena Justa, desenvolvido pelo Ministério da Justiça, e envolve a colaboração da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), da Polícia Penal do Paraná e da Unioeste. Inicialmente, a proposta prevê a disponibilização de cerca de 700 vagas em cursos superiores tecnólogos para as PPL, possibilitando que os participantes concluam a graduação mesmo durante o cumprimento de suas penas.

As atividades do projeto estão programadas para começar em junho em várias unidades prisionais do estado, com uma expansão já planejada para setembro, que incluirá novos cursos e um aumento no número de acadêmicos atendidos.

Na aula magna, além da apresentação formal do projeto, os policiais penais que atuarão como tutores tiveram a oportunidade de se familiarizar com a plataforma virtual de ensino que será utilizada pelos alunos, receber orientações pedagógicas e compreender detalhes sobre o funcionamento dos cursos e da dinâmica acadêmica nas unidades prisionais.

- Publicidade-

Os cursos serão oferecidos na modalidade de ensino a distância (EAD) e abrangerão diversas áreas, como Gestão Pública, Energias Renováveis, Gestão Organizacional e Inovação, Gestão Pública Municipal, Edifícios Sustentáveis e Tradução e Interpretação em Libras.

A diretora de Tratamento Penal da Polícia Penal do Paraná, Marilu Katia da Costa, ressaltou a relevância do projeto para o fortalecimento da reinserção social e o papel ampliado dos policiais penais dentro das unidades prisionais. “Ao introduzirmos um curso tecnólogo no sistema prisional, aumentamos a chance de que o estudante inicie e conclua essa formação durante o cumprimento da pena. O aspecto mais significativo deste projeto é proporcionar ao policial penal uma nova perspectiva, auxiliando, orientando e participando ativamente desse processo de transformação humana e social”, afirmou.

O reitor da Unioeste, Alexandre Webber, destacou o comprometimento social da universidade pública e a importância da conexão entre educação e sistema prisional. “A universidade pública deve estar presente em todos os âmbitos da sociedade. Este projeto simboliza transformação. Não apenas formamos pessoas, mas contribuímos para a mudança de vidas. Precisamos entender que esses indivíduos retornarão ao convívio social, e a educação é uma ferramenta essencial para aumentar oportunidades e abrir novos caminhos”, enfatizou.

A coordenadora do projeto “A Liberdade Tem Asas”, professora doutora Beatriz Helena Dal Molin, sublinhou o valor humano dessa iniciativa e a relevância do papel dos policiais penais como tutores acadêmicos. “Este projeto simboliza a interseção entre educação e sistema prisional. Educar nesse contexto é reconhecer que, mesmo em ambientes de restrição, o ser humano continua capaz de aprender, reconfigurar trajetórias e mudar sua história. O tutor será alguém que acompanha, orienta e acredita no potencial de transformação dessas pessoas”, declarou.

Ao encerrar a aula magna, o coordenador regional da Polícia Penal do Paraná em Cascavel, Thiago da Costa Correia, enfatizou a educação como uma das principais ferramentas de transformação no sistema prisional. “A educação liberta e transforma. Muitas vezes falamos em reintegração social, mas primeiro é preciso reconhecer que existem indivíduos que, ao longo da vida, não tiveram oportunidades reais de socialização. Este projeto atua como uma ferramenta de criação de oportunidades, conhecimento e alteração de perspectivas”, concluiu.

- Publicidade-

Fonte: policiapenal.pr.gov.br

Compartilhe esta notícia