Caso Henry Borel Advogado que sofreu infarto volta ao júri

Marcelo Borges
5 min. de leitura
Foto: © Tomaz Silva/Agência Brasil

O advogado Fabiano Tadeu Lopes, que está à frente da defesa de Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, comunicou que, mesmo após ter sofrido um infarto há quatro dias, retornará ainda esta semana ao 2º Tribunal do Júri para o julgamento dos réus envolvidos na morte de Henry Borel, ocorrida em março de 2021.

Essa questão de saúde foi apontada pela defesa de Jairinho como justificativa para mais um adiamento do júri. A confirmação do retorno de Fabiano Lopes foi feita à Agência Brasil, nesta quarta-feira (27), pelo advogado Rodrigo Faucz, que também faz parte da defesa do Dr. Jairinho.

Avanços na Defesa

Fabiano Lopes assinou um termo de responsabilidade, que funcionou como uma espécie de “auto alta médica”, e planeja comparecer ao tribunal na quinta-feira (28), com o devido acompanhamento médico. Na segunda-feira (25), a juíza Elizabeth Machado Louro, que preside o Tribunal do Júri, foi informada de que o advogado estava com apenas 30% da capacidade cardiorespiratória.

Contexto do Julgamento

No centro do julgamento estão Jairo e sua ex-companheira, Monique Medeiros, que são acusados pela morte do menino Henry Borel, que tinha apenas 4 anos quando faleceu em março de 2021. De acordo com investigações da Polícia Civil e do Ministério Público, Henry teria sido agredido por Jairinho, enquanto sua mãe, Monique, teria omitido responsabilidade em relação à proteção da criança. Na época da tragédia, Jairinho ocupava o cargo de vereador no Rio de Janeiro, exercendo seu quinto mandato.

- Publicidade-

O julgamento chegou ao seu terceiro dia nesta quarta-feira. A sessão no Tribunal do Júri reiniciou na segunda, após um adiamento em 23 de março, quando a defesa havia abandonado o júri devido à ausência de acesso às provas. Contudo, nesta semana, houve uma mudança inesperada: antes do debate das questões processuais, Dr. Jairinho solicitou à juíza Elizabeth Machado uma nova data para a análise do caso, alegando que seu advogado hospitalizado era o profissional mais capacitado para defendê-lo diante dos jurados, levando até mesmo à destituição dos outros advogados da equipe.

A juíza considerou essa manobra como uma estratégia para atrasar o processo, mas estava disposta a atender ao pedido, visto que o réu havia ficado sem defesa. No entanto, a condição imposta por ela para o adiamento, que envolvia a transferência de Jairinho para o presídio Bangu 1, conhecido pela rigidez no tratamento aos detentos, fez com que Jairinho recuasse de sua intenção inicial, reinstalando sua equipe de defesa e permitindo que o julgamento prosseguisse.

Testemunhos Importantes

O dia de julgamento estava programado para começar às 11h desta quarta-feira, em vez das 9h como inicialmente previsto, devido à duração dos depoimentos da véspera, que se estenderam até às 2 horas da madrugada. Dentre os depoentes na terça-feira (26), estavam o delegado Edson Henrique Damasceno, que comandou a investigação sobre o caso, e Ana Carolina Medeiros.

No seu testemunho, Damasceno alegou que a versão dos réus, que afirmaram que a morte da criança ocorreu após uma queda de uma cama, era parte de uma “farsa ensaiada”. Ele também destacou que mensagens retiradas do celular da babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira, foram fundamentais para que a polícia confirmasse que a mãe do menino tinha conhecimento das agressões que ele sofria.

Composição do Júri

Inicialmente, Jairinho e Monique foram defendidos pelo mesmo advogado, mas neste momento cada um possui sua própria equipe de defesa. Ao todo, 27 testemunhas, entre acusação e defesa, foram convocadas. O veredicto será decidido por um júri composto por sete jurados. A expectativa inicial era que o julgamento se estendesse por cerca de cinco dias.

- Publicidade-

Dr. Jairinho é acusado de seis delitos, incluindo homicídio qualificado com base em crueldade que impossibilitou a defesa da vítima, tortura em três ocasiões contra a criança, fraude processual e coação ao longo do processo, entre outros. Por sua vez, Monique enfrenta sete acusações, incluindo homicídio qualificado por omissão e omissão de responsabilidade.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhe esta notícia