Representantes de diversas nações que compartilham o idioma português se reuniram na capital paulista para consolidar os rumos da Rede pela Boa Governança e Desenvolvimento Sustentável na Lusofonia (RedeGov). O evento marcou o terceiro encontro presencial da coalizão da sociedade civil, que atua de forma independente no enfrentamento à corrupção transnacional, na promoção dos direitos humanos e no fortalecimento das instituições democráticas.
A programação inicial ocorreu em 29 de julho, quando as organizações que integram a iniciativa debateram e ratificaram o novo conjunto de normas estruturais que regerão as atividades da rede. Entre os pontos deliberados estão o funcionamento da Assembleia Geral, do Comitê de Gestão, do Secretariado Executivo e dos Grupos de Trabalho Temáticos, além de estipular diretrizes transparentes para a inclusão de novos membros e processos de recredenciamento.
O encontro também abriu espaço para capacitações técnicas, incluindo oficinas voltadas a conformidade jurídica, compliance e prestação de contas. Na ocasião, ocorreu ainda uma sessão de financiamento de projetos menores, onde os coletivos presentes expuseram propostas de intervenção e obtiveram retornos imediatos.
De acordo com Nicole Verillo, Gerente de Apoio e Incidência Anticorrupção da Transparência Internacional – Brasil — entidade que responde atualmente pelo secretariado executivo da coalizão —, a articulação internacional é fundamental para contrapor esquemas ilícitos que ultrapassam fronteiras geográficas. A especialista destacou que a formalização de regras internas transforma afinidades em uma estrutura sólida de governança mútua.
O sentimento de união e cooperação foi reforçado por lideranças estrangeiras presentes no evento. Para João Malavindele, representante da organização angolana UYELE, a assembleia simbolizou a consolidação de uma rede de apoio familiar, cujo foco principal é caminhar conjuntamente para assegurar que a transparência e a boa gestão pública impulsionem o desenvolvimento nos países lusófonos.
Um dos objetivos da RedeGov é possibilitar, por meio do compartilhamento de soluções e da atuação independente da sociedade civil no combate à corrupção, a promoção dos direitos humanos, a liberdade de expressão e a cidadania ativa.
Imersão no jornalismo investigativo
Na sequência das agendas presenciais, a delegação da RedeGov integrou a programação do 21º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). As atividades ocorreram entre os dias 30 de julho e 1º de agosto no campus Paraíso da Universidade Paulista (Unip), situado na capital paulista.
A agenda conjunta contemplou debates a respeito do uso do sistema judicial para silenciar profissionais da imprensa, reuniões estratégicas com o presidente do conselho da Transparência Internacional, François Valérian, e treinamentos práticos voltados ao rastreamento de recursos financeiros e análise de dados.
Entre as ferramentas apresentadas aos ativistas esteve a plataforma Horizons, voltada ao monitoramento de Pessoas Politicamente Expostas (PPE) em âmbito internacional. Para Azevedo Muanza, integrante do Observatório de Imprensa de Angola, o contato com tais metodologias tecnológicas amplia a capacidade investigativa e reforça a inovação no jornalismo voltado à apuração de desvios públicos.
Participaram da agenda em São Paulo delegações vinculadas a diferentes frentes cívicas da comunidade lusófona:
- A EthosGOV, de Portugal;
- A EG Justice, da diáspora da Guiné Equatorial;
- A UYELE, de Angola;
- O Centro de Integridade Pública (CIP-MOZ), de Moçambique;
- O Centro de Integridade Pública (CIP-STP), de São Tomé e Príncipe;
- A Associação Omunga, de Angola;
- O Observatório de Imprensa de Angola (OIA), de Angola;
- O Observatório da Democracia e Governança (ODG), da Guiné-Bissau.
Histórico e expansão da coalizão
Fundada em 2017, a RedeGov nasceu como uma resposta cívica e independente para consolidar uma Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) pautada pela integridade, pela sustentabilidade e pelo respeito às liberdades fundamentais. Desde então, as organizações parceiras têm ampliado a cooperação mútua na formulação de padrões mais rígidos de governança.
A partir de outubro de 2023, a iniciativa passou a contar com o suporte financeiro e técnico do National Endowment for Democracy (NED), viabilizando a implementação de estratégias focadas na prevenção e mitigação de ilícitos financeiros transnacionais. O avanço institucional culminou na transferência da Secretaria-Executiva para a Transparência Internacional – Brasil no decorrer de 2024.
Informações detalhadas sobre as frentes de atuação e os projetos desenvolvidos pela coalizão podem ser consultadas diretamente em sua página oficial na internet https://redegov.org/.
Ativistas de oito organizações, de seis países diferentes, todos falantes da língua portuguesa, participaram do terceiro encontro presencial da RedeGov.


