Com alívio da guerra, Petrobras reduz preço do querosene de aviação

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: © Fernando Frazão/Agência Brasil

A Petrobras anunciou nesta quarta-feira (1º) que a partir de agora o preço de venda do querosene de aviação (QAV) será reduzido em 14,5%. A companhia atualiza o preço do combustível vendido às distribuidoras no início de cada mês, e essa nova variação de julho marca o segundo recuo consecutivo na tarifa. A diminuição equivale a uma redução de R$ 0,81 por litro, sendo que o novo preço nas refinarias da empresa varia entre R$ 4,67 e R$ 4,93 por litro.

Motivos da redução

A estatal explicou que a redução do preço se deve à “atenuação” dos impactos que o conflito no Oriente Médio trouxe sobre os preços internacionais dos derivados de petróleo. Apesar do alívio atual, no acumulado deste ano, o preço do QAV ainda está 40,5% mais alto do que no final de 2022, representando um aumento de R$ 1,39 por litro.

O aumento de preços foi inicialmente causado pela cadeia logística da indústria do petróleo, que sofreu fortes perturbações devido à eclosão da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que começou em 28 de fevereiro. Um fator crítico para essa escalada foi o bloqueio do Estreito de Ormuz, que representa uma rota vital; antes do conflito, cerca de 20% da produção global de óleo e gás passava por essa passagem estratégica. Com a oferta reduzida no mercado, os preços dispararam.

Impacto no mercado brasileiro

Embora o Brasil seja um produtor de petróleo, o preço do QAV e de seus derivados é definido no mercado internacional, já que se tratam de commodities negociadas em grandes volumes. A relação entre a produção local e os preços internacionais estabelece um cenário de vulnerabilidade para os consumidores brasileiros, que são diretamente afetados pelas oscilações globais.

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Histórico de reajustes

Nos últimos meses, a Petrobras já havia promovido um aumento significativo no preço do QAV. Em abril, o reajuste foi de 55%, seguido por uma alta de 18% em maio. Para suavizar o impacto financeiro sobre as empresas aéreas, a estatal permitiu que as distribuidoras parcelassem esses reajustes. Em junho, a Petrobras havia reduzido o preço do QAV em 14,2%, trazendo um alívio temporário para o setor.

Ações do governo federal

A redução recente dos preços se alinha com a decisão do governo federal de iniciar um processo de retirada de subsídios às empresas que produzem e importam combustíveis. Essa medida visa evitar choques de preços para os consumidores finais, melhorando a estabilidade do mercado em contextos de alta volatilidade. A ideia é que a diminuição dos subsídios ajude a restabelecer um equilíbrio nos preços, refletindo mais diretamente as condições de mercado e os custos de produção.

Funcionamento da cadeia de distribuição

A Petrobras atua no mercado de QAV tanto através da produção nas suas refinarias quanto por meio da importação do produto. Após a compra pelas distribuidoras, essas empresas são responsáveis pelo transporte e pela venda do combustível às companhias aéreas e outros consumidores finais, que incluem aeroportos e revendedores. A estatal responde por aproximadamente 85% da produção nacional de QAV, mas o mercado permanece aberto à livre concorrência, permitindo a atuação de outras empresas como importadoras ou produtoras.

Com as mudanças recentes, o setor de aviação no Brasil poderá se beneficiar de uma redução nos custos operacionais, podendo impactar o preço das passagens aéreas no futuro. O acompanhamento das variações de preço do QAV será essencial para entender como isso irá influenciar o mercado de aviação e a economia como um todo.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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