O Federal Reserve, conhecido como o banco central dos Estados Unidos, destacou que os recentes acontecimentos no Oriente Médio têm gerado um aumento significativo das incertezas sobre as perspectivas econômicas do país. Em uma reunião realizada na quarta-feira, 29, a instituição decidiu manter a taxa de juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano.
Além disso, o Federal Reserve classificou a inflação como elevada, alterando sua avaliação anterior que a considerava apenas “ligeiramente elevada”. Essa mudança foi atribuída principalmente ao aumento dos preços globais de energia, que impactam a economia em diversas frentes.
Em outro momento, o presidente do Fed, Jerome Powell, expressou preocupação com os ataques direcionados à instituição, reafirmando sua intenção de continuar como diretor para garantir a estabilidade e a eficácia do banco central, em meio a desafios externos e pressões internas.

Powell reafirma seu compromisso com o Federal Reserve
A permanência de Powell como “governador” é vista como um fator crucial para impedir que o ex-presidente Donald Trump obtenha a maioria no conselho do Federal Reserve, uma situação que poderia trazer novas incertezas para a política monetária.

Fed decide manter juros em reunião que pode ser a última sob Powell
A decisão do Fed em manter a taxa de juros inalterada está alinhada com as expectativas do mercado, que observa atentamente as consequências econômicas de eventos globais, como os conflitos no Oriente Médio.
Através de um comunicado, a instituição revelou que os dados recentes indicam um crescimento sólido da atividade econômica, enquanto a taxa de desemprego apresenta estabilidade, sem grandes oscilações.
O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) informou que está em constante monitoramento das informações econômicas, pronto para ajustar a política monetária caso surjam novos riscos que possam afetar a estabilidade econômica.
“As avaliações do Comitê considerarão uma ampla gama de informações, incluindo indicadores do mercado de trabalho, pressões inflacionárias e expectativas relacionados à inflação, além de desenvolvimentos financeiros e internacionais”, acrescentou o documento oficial.
Decisão do FOMC não foi unânime
É importante destacar que a decisão do FOMC de manter a taxa de juros em níveis inalterados não contou com a concordância de todos os diretores. Stephen Miran, que já havia expressado opiniões divergentes nas reuniões anteriores, votou a favor de uma redução de 25 pontos-base nos juros, argumentando que as condições econômicas atuais não justificam uma pausa na flexibilização monetária, mesmo diante das tensões geopolíticas recentes.
Os diretores Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan também se manifestaram a favor da manutenção das taxas, mas não apoiaram a inclusão de uma postura de flexibilização monetária neste momento.
Taxas de compulsórios e desconto permanecem as mesmas
O FOMC decidiu também manter a taxa sobre compulsórios em 3,65% e a taxa de desconto em 3,75%. A decisão foi anunciada na mesma reunião, onde a linhagem de operações do banco central foi reafirmada.
O banco central dos EUA reiterou sua intenção de continuar adquirindo títulos do Tesouro de curto prazo (T-bills) e de títulos de três anos ou menos, caso necessário, para garantir um nível adequado de reservas no sistema financeiro americano.
Além disso, o Fed determinou que os vencimentos de Treasuries serão totalmente renovados e os pagamentos de principal de títulos de agências serão reinvestidos em T-bills.
No comunicado, a instituição destacou que as operações compromissadas overnight devem continuar a uma taxa de 3,75%, enquanto as operações compromissadas reversas overnight ocorrerão a uma taxa de 3,50%, com um limite diário de US$ 160 bilhões por contraparte.
A discussão sobre a política monetária nos Estados Unidos permanece acirrada à medida que a economia global enfrenta uma série de desafios e incertezas decorrentes de conflitos e mudanças de cenário financeiro.
Fonte: infomoney.com.br


