Consórcio formado por Novonor e Mota-Engil ganha leilão da Rota dos Sertões

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: Wesley Fernandes/Ministério dos Transportes

O consórcio 116 Sertões, que inclui a Neo Invest (Novonor), a empresa portuguesa Mota-Engil e a Galápagos Capital, venceu o leilão da concessão da Rota dos Sertões. A proposta do grupo ofereceu um desconto de 19,6% sobre a tarifa de pedágio e superou outras duas propostas de novos entrantes no setor de rodovias, uma delas liderada pela Yvy Capital, de Paulo Guedes e Gustavo Montezano. O leilão ocorreu na quinta-feira, 28, na sede da B3, em São Paulo.

A concessão abrange um trecho de 502 quilômetros das rodovias BR-116/BA/PE e BR-324/B, conectando as cidades de Feira de Santana (BA) e Salgueiro (PE).

O projeto prevê investimentos da ordem de R$ 8,5 bilhões ao longo de 30 anos, sendo R$ 4,13 bilhões destinados a aportes diretos (capex).

A Neo Invest faz parte da plataforma de concessões e investimentos em infraestrutura do grupo Novonor, que também é controlador da Odebrecht. Após a crise gerada pela Operação Lava Jato, a construtora havia diminuído sua presença no setor rodoviário, mas agora busca retomar sua atuação com essa nova concessão.

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Para a Mota-Engil, o leilão marca a entrada da empresa no mercado de rodovias brasileiro. Em 2025, a empresa já havia expandido sua presença ao vencer o leilão do Túnel Santos-Guarujá. A companhia portuguesa, que conta com a China Communications Construction Company (CCCC) como acionista, participou do leilão do Lote 4 do Paraná no ano passado, que foi conquistado pela Motiva.

Obras e investimentos

Entre as obras incluídas na concessão estão previstos 108 quilômetros de duplicação, 5,2 quilômetros de faixas adicionais, além da construção de passarelas e pontos de parada para caminhoneiros. O projeto também contempla um contorno viário que passará pela área urbana de Serrinha (BA).

A Rota dos Sertões representa o segundo leilão federal de rodovias realizado em 2026. O próximo certame está programado para a repactuação da Régis Bittencourt (BR-116/SP/PR), com data marcada para 23 de julho.

Disputa acirrada no leilão

O consórcio 116 Sertões venceu a disputa após uma intensa competição, com 14 lances apresentados em um leilão a viva-voz. O Atlas Rodovias, formado pela gestora Yvy Capital, Infra Brasil e Grupo Houer, foi um dos concorrentes. A Yvy Capital, fundada por Paulo Guedes e Gustavo Montezano, criou este ano o fundo Atlas para competir em concessões rodoviárias de médio porte. Em março, a empresa já havia participado do leilão da Rotas Gerais (BR-116/251/MG), mas foi derrotada pela EcoRodovias.

O Grupo Houer também esteve na disputa, tentando conquistar a Via Liberdade (BR-356/MG e MG-262/329), que foi arrematada por outro consórcio de construtoras em setembro de 2025.

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Outros participantes do leilão incluíram o Consórcio Via dos Sertões, que reúne as empresas de engenharia Aspen e DMDL. No entanto, a oferta de 13,10% apresentada na primeira fase da disputa não foi suficiente para que a proposta avançasse para as etapas seguintes. A DMDL é conhecida por sua contribuição em estruturas para a COP30, como a Blue Zone e o Hotel Vila Cop.

Este leilão da Rota dos Sertões evidencia a contínua evolução do setor de infraestrutura no Brasil e a crescente concorrência entre empresas, tanto nacionais quanto internacionais, em busca de oportunidades de investimento e gestão em rodovias.

Fonte: infomoney.com.br

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