O Governo do Paraná, por meio do Instituto Água e Terra (IAT), teve destaque na criação de novas Unidades de Conservação (UCs) durante a Conferência Nacional de Unidades de Conservação para Biodiversidade (UCBio 2026), que ocorreu no último domingo (7) em Curitiba. O evento reuniu especialistas e representantes de diferentes setores para discutir a proteção da biodiversidade.
O diretor-presidente do IAT, José Volnei Bisognin, apresentou um panorama das áreas protegidas no estado e enfatizou a importância da ampliação da rede de conservação. Bisognin ressaltou que estão em processo a criação de novas unidades e a ampliação de parques estaduais existentes, com um objetivo claro: até o final do ano, deve-se aumentar o número de gestores e garantir que todos os planos de manejo das unidades estejam elaborados ou atualizados.
Atualmente, cinco projetos de UCs estão sendo estudados, já tendo passado por vistorias em campo e coleta de dados. Neste momento, o foco está nas consultas à comunidade local, onde a equipe do IAT apresenta as propostas para obter sugestões e esclarecimentos da população que reside nas áreas futuras das UCs. Essas novas áreas somam um total de 13 mil hectares, o que é equivalente à área do município de Londrina.
Até o momento, o Paraná conta com 74 Unidades de Conservação, abrangendo aproximadamente 1,2 milhão de hectares de terras protegidas, um esforço contínuo para preservar a rica biodiversidade do estado.
A Conferência UCBio, que segue até terça-feira (9), reúne pesquisadores, gestores públicos, representantes do Judiciário, do Ministério Público, além de membros da sociedade civil e do setor privado, visando debater caminhos para a conservação da biodiversidade brasileira. Durante a abertura do evento, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Herman Benjamin, enfatizou a relevância das UCs como instrumentos fundamentais para a defesa da biodiversidade e para o enfrentamento da crise climática.
Na visão do ministro, a eficácia das Unidades de Conservação depende de investimentos consistentes em equipes técnicas, infraestrutura, fiscalização, educação ambiental e na implementação de planos de manejo. Ele sublinhou que um robusto sistema de UCs é a primeira linha de defesa contra as mudanças climáticas, e que a formalização de novos espaços de proteção representa apenas o início de um longo processo.
O tema deste ano da UCBio é “Parques Nacionais: conservar para todos o que é de todos”. A programação inclui painéis, palestras e debates que abordam gestões, financiamento, governança, mudanças climáticas, e políticas públicas voltadas para unidades de conservação. Entre os grandes nomes participantes destacam-se o ativista Paul Watson, conhecido internacionalmente por sua luta em prol da vida marinha e no combate à caça ilegal de baleias, além de referências na área de conservação ambiental como o professor e cientista John Terborgh e Mario Haberfeld, fundador do Instituto Onçafari e ex-piloto de Fórmula 1.
A conferência também marca a retomada de uma série histórica de eventos nacionais que começou em Curitiba em 1997, com o Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação. O coordenador da UCBio, Miguel Milano, destacou que esses encontros foram fundamentais para solidificar o debate sobre conservação no Brasil e contribuíram para formar gerações de profissionais dedicados à causa.
Milano alertou sobre o atual contexto de ameaças às áreas protegidas no Brasil, aumentando as iniciativas que buscam enfraquecer a legislação ambiental e promover a redução ou alteração de Unidades de Conservação. Ele enfatizou que o Brasil enfrenta algumas das maiores ameaças à natureza, com várias propostas em andamento que visam desmantelar ou alterar as categorias das UCs.
Para mais informações sobre a programação do evento, é possível acessar o site oficial: ucbio.org.br.
Fonte:: iat.pr.gov.br


