Nesta terça-feira (2), uma longa parceria entre a Polícia Penal do Paraná (PPPR) e a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) resultou no lançamento de uma nova obra literária produzida por pessoas privadas de liberdade (PPL). Os autores do livro estão custodiados na Penitenciária Feminina de Foz do Iguaçu – Unidade de Progressão (PFF-UP) e na Penitenciária Estadual de Foz do Iguaçu III – Unidade de Progressão (PEF III-UP).
O evento, que aconteceu no anfiteatro da Unila, deu destaque à obra coletiva intitulada “O lugar mais leve”. Esta publicação é fruto do projeto de extensão “Direito à Poesia – Experiências Latino-Americanas de Mediação de Leitura com Pessoas em Privação de Liberdade”, que é promovido pela Pró-Reitoria de Extensão da referida universidade. Desde 2015, essa colaboração com a PPPR tem proporcionado experiências significativas através da literatura.
O projeto abrange a execução de oficinas focadas em leitura e escrita criativa, além de capacitar mediadores nos estabelecimentos penais de Foz do Iguaçu. Nesta edição, participaram 56 autores, marcando a segunda publicação do projeto, cuja primeira foi lançada em 2024, intitulado “Antologia 2022 – Direito à Poesia”.
Para assegurar a presença representativa das escritoras no evento, uma autorização judicial possibilitou a participação de sete custodiadas da PFF-UP, que contribuíram de forma ativa durante a cerimônia. Elas compartilharam suas experiências e o processo de criação literária com os presentes. Essa iniciativa, que integra segurança pública, educação e a consolidação de parcerias institucionais, visa proporcionar visibilidade ao talento e ao empenho das pessoas privadas de liberdade que, por meio das oficinas literárias, transformaram suas experiências em arte.
O deslocamento e a permanência das custodiadas no ambiente acadêmico foram garantidos através de uma escolta humanizada, coordenada pelo Setor de Operações Táticas (SOT), unidade especialista em escoltas e movimentações táticas.
A diretora de Tratamento Penal da PPPR, Marilu Katia da Costa, ressaltou a importância da ação que combinou segurança, sensibilidade e respeito aos direitos humanos. “O Setor de Operações Táticas de Foz do Iguaçu demonstrou excelência operacional ao implementar, na prática, o conceito de escolta humanizada. A atuação da equipe foi o diferencial que agregou imenso valor ao lançamento do livro ‘Direito à Poesia’. As sete mulheres participaram presencialmente do evento, e a segurança foi garantida sem que o público percebesse a presença da escolta policial, uma vez que as custodiadas usaram roupas civis e foram transportadas em uma viatura discreta”. Ela ainda acrescentou que “o trabalho meticuloso da equipe preservou a integridade física e psicológica das participantes, assegurando dignidade e acolhimento por meio do respeito.”
O coordenador regional da PPPR em Foz do Iguaçu, Cássio Rodrigo Pompeo, enfatizou a relevância da parceria com a Unila. “Esse esforço conjunto evidencia que segurança e educação devem caminhar lado a lado. Proporcionar oportunidades de estudo e leitura nas unidades é essencial para que essas pessoas possam transformar suas vidas. O lançamento deste livro ratifica que o sistema prisional cumpre sua função ao abrir caminhos concretos para que os custodiados construam um futuro melhor ao reintegrar-se à sociedade”, afirmou.
O evento ainda contou com a presença de várias autoridades e parceiros, que incluíram representantes da reitoria e dos Projetos de Extensão da universidade, além de membros do Poder Judiciário e do Conselho da Comunidade, entre outros.
A juíza de direito da Vara de Execuções Penais (VEP) de Foz do Iguaçu, Juliana Arantes Zanin Vieira, destacou os benefícios da iniciativa. “O evento revela o sucesso do projeto ‘Direito à Poesia’, que, há 11 anos, proporciona no sistema penitenciário uma introdução ao estudo e à poesia como agentes de transformação. O lançamento do livro ‘O lugar mais leve’ é uma demonstração concreta de que um sistema penitenciário mais humanizado, que respeita a dignidade dos detentos, é fundamental para fortalecer vínculos e concretizar sonhos, promovendo uma sociedade mais humana e empática”, enfatizou.
A diretora da PFF-UP, Helena Maria Almeida Pasin, celebrou o impacto positivo da parceria: “Esta colaboração com a Unila é uma das iniciativas mais significativas que já realizamos. Ver nossas custodiadas como coautoras do livro ‘Direito à Poesia’ e permitir que estivessem presentes no lançamento foi um momento marcante. Ao segurarem seus livros, elas deixaram de ser apenas custodiadas e passaram a ocupar o papel de escritoras, com suas vozes e histórias valorizadas fora dos muros da prisão. Este projeto reafirma nossa crença no poder transformador da educação e da arte.”
Stenio Couto do Nascimento, diretor da PEF III-UP, ressaltou como as oficinas impactaram a rotina das PPL e auxiliaram no processo de reabilitação: “Ver nossos custodiados se dedicando à leitura e escrevendo suas histórias através da poesia demonstra como as unidades de progressão contribuem para transformação pessoal. A publicação deste livro é um esforço coletivo que renova a esperança de um futuro melhor para eles.”
Rogério Motta Moreira, coordenador de extensão na Pró-Reitoria, também se manifestou sobre a longa parceria com a PPPR, destacando que o projeto tem como objetivo reconhecer e reintegrar as pessoas apenadas no sistema, proporcionando-lhes oportunidades através da poesia e da educação pública. “Essa ação é estratégica, pois provoca uma reflexão sobre a função social da universidade, integrando-a às realidades e desafios presentes nas instituições penitenciárias”, completou.
Por fim, uma das custodiadas presentes expressou que o impacto da iniciativa vai além de estar em um círculo de conversa ou recitar poesias. “É um espaço que nos leva além, sempre expressando a realidade, um projeto que promove mentes abertas e inquietas. Aqueles que reconhecem isso, como eu, abraçam todas as oportunidades”, finalizou.
Fonte: policiapenal.pr.gov.br


