Deezer: 44% das músicas novas são geradas por IA, mas consumo não passa de 3%

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: Divulgação / Foto: Convergência Digital Mande um e-mail

A plataforma de streaming Deezer apresentou um considerável aumento na quantidade de músicas geradas por inteligência artificial (IA) em seu catálogo, registrando cerca de 75 mil faixas desse tipo sendo enviadas diariamente. Esse número representa aproximadamente 44% de todos os uploads feitos no serviço, totalizando mais de 2 milhões de músicas criadas por IA adicionadas mensalmente.

Apesar do crescimento expressivo na oferta, o consumo desse conteúdo permanece relativamente baixo. De acordo com a empresa, as músicas completamente geradas por IA correspondem apenas de 1% a 3% do total de reproduções. Além disso, a plataforma descobriu que cerca de 85% dessas execuções estão ligadas a atividades fraudulentas, como manipulação intencional de streams, e, nesse contexto, os valores gerados são desconsiderados para o pagamento de royalties aos artistas.

Alexis Lanternier, CEO da Deezer, afirmou que esse fenômeno já não é mais marginal e demanda uma resposta coordenada da indústria da música. “A música gerada por IA está longe de ser um fenômeno marginal e, com o aumento contínuo dos envios diários, esperamos que todo o ecossistema musical se una para proteger os direitos dos artistas e promover transparência para os fãs”, destacou ele.

A Deezer informou que conseguiu mitigar os impactos financeiros negativos por meio do uso de tecnologias próprias de detecção de conteúdo sintético, implementadas no início de 2025. Desde que essas ferramentas foram lançadas, o número de uploads diários de músicas geradas por IA aumentou de aproximadamente 10 mil para os atuais 75 mil. Até o momento, mais de 13,4 milhões de faixas desse tipo já foram identificadas e classificadas na plataforma neste ano.

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A tecnologia da Deezer foi desenvolvida para identificar músicas criadas por modelos generativos populares, como Suno e Udio, além de ser adaptável a novos sistemas. A plataforma também começou a licenciar essa tecnologia para outras empresas do setor, como forma de aumentar a transparência e reduzir fraudes no meio musical.

Entre as medidas implementadas, as músicas identificadas como geradas por IA são retiradas das recomendações algorítmicas e das playlists editoriais, evitando que impactem a distribuição de receitas entre os artistas. A Deezer foi pioneira ao rotular explicitamente esse tipo de conteúdo para os usuários.

A crescente presença da IA na indústria da música levanta preocupações mais amplas sobre o futuro do setor. Um estudo realizado pela CISAC em parceria com a PMP Strategy indica que até 25% das receitas dos criadores de conteúdo podem estar em risco até 2028, o que poderia resultar em perdas de até € 4 bilhões.

Um levantamento global conduzido pela Deezer em colaboração com a Ipsos reforça essa preocupação. A pesquisa, que ouviu 9 mil pessoas em oito países, revelou que 97% dos entrevistados não conseguem diferenciar músicas geradas por IA de produções de artistas humanos em testes com áudio cego. Além disso, 80% dos participantes acreditam que esse tipo de conteúdo deveria ser claramente identificado, enquanto 73% expressaram o desejo de saber quando as plataformas recomendam músicas totalmente sintéticas.

Fonte: convergenciadigital.com.br

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