Guerra com Irã pode tornar ida de Trump à China menos calorosa que visita de seu primeiro mandato

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

WASHINGTON — Antes de sua viagem programada para a China, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou nas redes sociais sua expectativa de que o líder chinês, Xi Jinping, lhe ofereceria uma recepção calorosa assim que chegasse ao país. No entanto, a relação entre Pequim e Teerã, além das questões comerciais, pode prejudicar o clima amistoso em sua chegada a Pequim esta semana. Embora Trump tenha elogiado o presidente Xi em diversas ocasiões, a dinâmica entre as duas nações está longe de ser amigável.

A viagem de Trump a Pequim está marcada para a noite de quarta-feira, 13, (manhã de quarta-feira no Brasil), com uma cerimônia de boas-vindas e uma reunião a sós com Xi programadas para a manhã seguinte. Na sequência, os líderes visitarão o Templo do Céu, um importante símbolo religioso e cultural da China que remete ao século 15.

Na quinta-feira, Trump participará de um banquete de Estado, seguido da tradicional cerimônia de chá e um almoço com o presidente Xi na sexta-feira. De acordo com a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, os dois líderes discutirão o estabelecimento de um novo Conselho de Comércio, visando manter o diálogo sobre questões econômicas e promover setores essenciais como energia, aeroespacial e agricultura.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, destacou que Pequim está disposta a cooperar com os EUA com base na igualdade e respeito mútuo, enfatizando a importância da diplomacia entre os líderes na relação bilateral. Contudo, a grandiosidade deste encontro deve ser menor do que a visita de Trump à China em 2017, que foi marcada por cerimônias elaboradas.

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Expectativas de visita diminuídas

De acordo com Jonathan Czin, ex-diretor do Conselho de Segurança Nacional, as condições atuais dificultam uma recepção grandiosa, que foi vista na visita anterior, a qual incluiu desfiles e uma recepção que rivalizava com as honras recebidas por imperadores. As tensões geopolíticas resultantes do conflito com o Irã e as disputas comerciais indicam uma redução na pompa associada à visita.

A visita de 2017 foi marcada por protocolos elaborados, como uma recepção musical militar, um tour pela Cidade Proibida e um banquete de Estado repleto de homenagens. Naquela ocasião, Trump tornou-se o primeiro líder estrangeiro a experimentar uma recepção similar à de um imperador na história moderna da China.

Ali Wyne, consultor de defesa e relações EUA-China, previu que a delegação chinesa se esforçará para fazer com que Trump saia de Pequim convencido de que a visita foi extraordinária. Contudo, essa expectativa deve ser contornada pela realidade das relações atuais e pela nova compreensão que Xi Jinping possui em relação à política e personalidade de Trump.

Multiplicidade de encontros entre Trump e Xi

Além de esta ser uma importante visita a Pequim, Trump pode encontrar Xi Jinping até quatro vezes dentro do período de oito meses. Após a visita à China, Trump planeja receber Xi na Casa Branca e tem a possibilidade de participar da reunião da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) em Shenzhen em novembro. Xi, por sua vez, pode comparecer à cúpula do G20 no mês seguinte, que ocorrerá no resort de Trump, em Doral, Flórida.

Contudo, as viagens de ambos os líderes são limitadas e podem não ocorrer conforme o planejado, considerando os interesses pessoais e mudanças na equipe chinesa, que recentemente passou por uma purgação. Além disso, a maneira como Xi cultiva relações e convive com líderes estrangeiros é distinta do estilo de Trump.

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Desafios nas relações comerciais

As tensões comerciais entre os dois países são um fator preponderante nas negociações, especialmente após a visita anterior. Trump anunciou em 2017 acordos comerciais no valor de US$ 250 bilhões, dos quais muitos nunca foram concretizados. O foco na busca de novos tratados e a disposição da China em colaborar enfrentarão desafios, principalmente considerando as dificuldades recentes nas compreensões econômicas, como o embargo de produtos e tarifas elevadas.

Além disso, a relação com o Irã tende a intensificar as pressões comerciais e políticas sobre ambas as partes. Enquanto Trump busca pressionar a China em relação ao Irã, destacando que Pequim tem delongadas conexões econômicas com Teerã, a estratégia de negociações pode ser moldada conforme as circunstâncias políticas se desenrolarem nos próximos meses.

Com um cenário econômico global conturbado e expectativas de resultados baixos na cúpula, a visita representa um ponto crucial para os dois países, que necessitam definir novas diretrizes para o futuro de suas relações comerciais e diplomáticas.

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Fonte: estadao.com.br

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